O Estilhaçamento dos Kelim [Vasos] e a Sua Queda para os Mundos de BYA
101) A Sefira Da’at é o GE de ZON do mundo de Nikudim que se elevou até Aba e Ima, pois Aba e Ima tinham recebido a luz AB-SAG de ZON de AK, a qual se chama Shuruk. Depois, a Malchut desce de Nikvey Eynaim para o Peh, elevando assim o AHP de Aba e Ima que tinha caído até ao GE de ZON do mundo de Nikudim. Os vasos GE de Zat do mundo de Nikudim elevam-se juntamente com eles e formam a Behina de MAN, que coloca as Sefirot de Aba e Ima face a face (Panim be Panim).
Um Zivug de Haka’a no Masach [Tela] em Behina Dalet levou à formação de 10 Sefirot completas no nível de Keter com a luz de Yechida. O Zat de Nikudim em Aba e Ima (MAN, Sefira Da’at) recebe uma luz poderosa do Rosh de Aba e Ima, uma vez que Aba e Ima constituem o Rosh de Nikudim, onde ocorreu um Zivug que elevou dez Sefirot. Esta luz expande-se depois para baixo, para o Guf de ZON e, consequentemente, para o Rosh e o Guf do mundo de Nikudim no estado de Gadlut. Tal expansão da luz chama-se Ta’amim.
Como já foi referido, a subida do desejo do ZON para Bina chama-se elevação de MAN. Anteriormente, Aba e Ima não interagiam, e esse estado chama-se Panim be Achor. Há luz de Hochma no Partzuf Abba, mas Ima não a quer receber. O MAN estimula em Ima a necessidade de receber Ohr Hochma de Abba; por isso, vira a face para ele.
O mundo de Nikudim compõe-se de três partes: Keter e Abba, onde está a luz; a segunda parte é Ima, que não quer receber a luz; a terceira é o ZON. Se o ZON pedir luz a Ima, esta encontrará Abba, receberá a luz e transmiti-la-á a ZA.
Os desejos que se manifestam em nós, para além dos do nível animal, são consequência do estilhaçamento dos vasos, que fez com que minúsculas centelhas da luz entrassem em nós.
Após o Tzimtzum Bet [Segunda Restrição] surge um Partzuf especial – Katnut de Nikudim. Como já dissemos, compõe-se de três partes: Keter, Aba ve Ima e o ZON. O Tzimtzum Bet [Segunda Restrição] restringe os vasos de receção e permite trabalhar apenas com os vasos de doação. Por isso, há apenas Galgalta no Rosh de Keter, enquanto o AHP se encontra dentro dos GE de Aba ve Ima. O AHP de Aba ve Ima encontra-se nos GE de ZON. O AHP de ZON está abaixo da Parsa, com desejos de receber para seu próprio benefício, e não pode ser trabalhado. Nenhum dos AHP possui luz nem Masach [Tela]. Todos eles (exceto o AHP de ZON, que não recebe luz alguma) recebem apenas uma pequena luminescência dos GE.
Depois, as Reshimot Dalet/Gimel que foram despertadas pedem que se faça algo pelo AHP. Porque surge este desejo? Foi realizado um Tzimtzum Bet [Segunda Restrição] sobre Aviut Bet. O Partzuf Nikudim surgiu devido a um Zivug sobre Aviut Alef. Agora este Partzuf decide tentar trabalhar com o AHP. Em seguida, os Partzufim AB e SAG realizam um Zivug, transmitem a luz para baixo até Keter, permitindo-lhe entrar no estado de Gadlut, ou seja, elevar o seu AHP dos GE de Aba ve Ima. Para isso, Malchut no Rosh de Keter desce dos Nikvey Eynaim até ao Peh e realiza um Zivug sobre dez Sefirot completas.
Estando revestido no AHP de Keter, Aba eleva-se (alcança Gadlut) juntamente com ele. Agora há Ohr Hochma tanto nas dez Sefirot de Keter como em Abba, pelo que este vira a face para Ima. Contudo, Ima quer apenas Hassadim e não Hochma, por isso continua de costas para Abba. Como obrigá-la a receber a Ohr Hochma? Só se o ZON o pedir. Para isso, é necessário que desperte no ZON o “desejo de receber” a Ohr Hochma.
O ZON de Nikudim reveste-se nos NHYM de Galgalta do mundo de AK e depois transmite Ohr Hochma a ZON. O ZON volta-se com o seu pedido para Ima; Ima vira-se então face a face com Abba. Assim desce a luz; mas quando chega à Parsa e quer passar para baixo, a luz encontra o enorme “desejo de receber” egoísta que, desafiando o Tzimtzum Bet [Segunda Restrição], recebeu uma porção da luz. A luz desaparece instantaneamente, e os vasos de GE de ZON e o AHP de ZON fragmentam-se e misturam-se entre si, para que cada fragmento tenha um pouco de Ohr Hochma.
Todos caem para o nível mais baixo, abaixo da Parsa, afastando-se o mais possível do Criador. Isso levou à presença de minúsculas centelhas da luz em todos os desejos egoístas de Malchut. Por outro lado, o seu egoísmo está suficientemente formado, pois já recebeu a Ohr Hochma.
O “desejo de receber” a Ohr Hochma e o egoísmo ainda não estavam desenvolvidos no Mundo do Infinito. Os vasos egoístas do AHP foram criados primeiro nos Nekudot de SAG. A partir do mundo de Nikudim, tais vasos chamam-se Klipot, Tumaa. As propriedades da luz são absolutamente opostas a esses vasos, mas o “desejo de receber” é tão grande que anseia mesmo por uma centelha da luz, que retém sem poder desfrutá-la. Por isso, durante toda a nossa vida, corremos atrás de qualquer manifestação da luz que se reveste nos diversos revestimentoe deste mundo. Às vezes parece que estamos prestes a tocar essa centelha da luz, mas ela desaparece instantaneamente.
Depois corremos atrás de outra manifestação dessa centelha. Assim, as centelhas de luz são a força motriz do nosso egoísmo; puxam o homem para a frente, dão-lhe a aspiração de conquistar o mundo inteiro. Contudo, há centelhas que, ao enraizarem-se nos nossos corações, dotam-nos da aspiração à espiritualidade.
O Gadlut do mundo de Nikudim depende apenas das Reshimot Dalet/Gimel. São elas que põem em movimento todo este sistema, que acaba por levar ao estilhaçamento dos vasos. Após esse estilhaçamento, Malchut no seu nível mais baixo chama-se Adam, e nós somos as suas partes.
O lugar da criação (ou seja, esta ou aquela parte de Malchut do Mundo do Infinito) é determinado apenas pela força do Masach [Tela]. Abaixo da Parsa não há Masach [Tela], por isso aí se concentram todos os desejos egoístas. Consoante a sua proximidade ao Criador (ou seja, conforme a medida do seu egoísmo), têm os seus lugares nos mundos de BYA. Tudo interage na medida da semelhança entre o vaso e a luz. Isso é determinado pelo Masach [Tela], que serve de ligação entre a luz e o vaso quando a criação atravessa a barreira entre o mundo material e o espiritual.
102) As quatro etapas — Ta’amim, Nekudot, Tagin e Otiot — também estão presentes no mundo de Nikudim, pois as forças que actuam nos níveis superiores têm de ter as suas reflexões abaixo, mas com a informação adicional sobre as forças superiores. A expansão de cada Partzuf para baixo chama-se Ta’amim.
Depois, devido ao Bitush da Ohr Makif com a Ohr Pnimi, o Masach [Tela] perde a sua Aviut e sobe gradualmente até ao Peh de Rosh, onde finalmente se integra com o Masach [Tela] aí posicionado. No entanto, como a Luz Superior nunca deixa de expandir, ocorre um Zivug entre a luz e o Masach [Tela] em cada etapa do seu enfraquecimento.
O nível de Hochma surge quando a Aviut Dalet passa para Gimel; a transição para Aviut Bet dá origem a Bina, ZA surge na Aviut Alef e Malchut surge na Aviut Shoresh. Todos os níveis que surgem durante os Zivugim, juntamente com o Masach [Tela] que se enfraquece, chamam-se Nekudot.
Os Reshimot que permanecem após a saída da luz chamam-se Tagin. Os vasos que ficam sem luz chamam-se Otiot. Ou seja, Otiot são os Reshimot que permanecem no nível das Nekudot. Quando o Masach de Guf finalmente se liberta de toda a sua Aviut e se junta ao Masach de Rosh no Peh com a ajuda de um Zivug, o Partzuf surge.
O afastamento da luz é considerado um fator positivo no desenvolvimento dos vasos. Quando o homem se sente desiludido, espiritualmente deprimido, deve compreender que nele se estão a desenvolver os vasos genuínos, o desejo de receber a luz espiritual. Primeiro decide-se quanto de luz o homem pode receber em em benefício do Criador; só depois pode recebê-la realmente. A decisão é tomada no Rosh, onde se calcula previamente a qualidade e a quantidade da luz. Depois pode ser recebida no Toch. A parte do vaso desprovida de luz chama-se Sof. Malchut do Mundo do Infinito não tinha Rosh; não calculava nada, recebia tudo no Toch.
Galgalta, AB e SAG não conseguiram preencher o Sof com a luz. Apenas os Nekudot de SAG lá conseguiram chegar e preencher Malchut, embora não com Ohr Hochma, mas com Ohr Hassadim. Claro que Malchut quer a Ohr Hochma para o seu próprio deleite, mas a Ohr Hassadim também lhe dá enorme prazer pela doação.
O avanço espiritual só é possível sob a influência da luz. Se o vaso está preenchido com a luz, tem força suficiente para agir contra a sua própria natureza; a luz é mais poderosa do que o vaso. Nesse momento, o vaso realiza um Tzimtzum sobre a receção do prazer e adquire alguma possibilidade de receber em benefício do Criador.
Galgalta, AB e SAG são as três primeiras ações que Malchut realiza em benefício do Criador. A quarta ação impede-a de receber a luz em benefício do Criador, devido à pequena Aviut Bet. Agora só pode doar, pelo que, quando ainda tenta receber algo, surgem enormes desejos egoístas e, como Malchut é incapaz de trabalhar com eles, realiza-se a Tzimtzum Bet [Segunda Restrição]. A receção seguinte de luz é o Katnut do mundo de Nikudim; nesse estado, o vaso só pode dar em para doar. Por isso entra nele a Ohr Hassadim.
Depois chega a este Partzuf um grande reforço sob a forma da luz AB-SAG. O Partzuf AB pode receber uma quantidade enorme de Ohr Hochma; o Partzuf SAG só pode receber Ohr Hassadim. Estes dois Partzufim parecem opostos entre si, mas são-no apenas nas suas ações, enquanto as suas intenções são as mesmas – doar. Por isso podem dar ao Partzuf o máximo de força. Neste caso particular, ambas as luzes descem sobre o pequeno Partzuf que trabalha apenas com os seus desejos altruístas. O Katnut de Nikudim não usa nenhum prazer para benefício próprio.
A luz AB-SAG revela a grandeza do Criador nos Nekudim. Mostra a importância de aderir a Ele, sem o tentar com prazeres. Por causa disto, o Partzuf tem forças para receber em benefício do Criador, adquirir o Masach [Tela] e passar a Gadlut nos Partzufim Keter e Aba ve Ima. Também o AHP de ZON tenta entrar em Gadlut, mas não consegue receber a luz; por isso os vasos estilhaçam. Provaram os prazeres de Gadlut e, após o estilhacamento dos vasos, retêm as Reshimot, que falam apenas dos prazeres egoístas. Assim, os fragmentos dos vasos estilhaçados caem nas Klipot. O lugar onde se encontram as Klipot chama-se Mador Klipot.
Aprendemos que em Tzimtzum Bet [Segunda Restrição] Malchut subiu ao nível de Bina e restringiu a receção da luz nos Kelim de GE. Juntamente com os Kelim de AHP adquiridos, Malchut ainda não é uma Klipa nesta fase, pois restringe a sua receção egoísta da luz. Agora, durante o estilhacamento dos vasos, o desejo egoísta de Malchut sente deleite sem ter o Masach [Tela] adequado, começa a querê-lo para si e assim transforma-se em Klipa. Contudo, a Klipa não possui a luz verdadeira. Tudo o que tem são as Reshimot (fragmentos do Masach [Tela] estilhaçado).
Se a criação não passasse pela fase chamada Klipot, não teria o seu próprio desejo verdadeiro. Todos os desejos anteriores, criados pelo Criador, constituem um todo único com Ele. Os seres genuinamente criados não têm ligação com o Criador; por isso sentem-se independentes. Agora, para permitir à criação alcançar a adesão completa com o Criador, é necessário instalar nela uma centelha de desejo altruísta. Isso consegue-se com a ajuda do estilhaçamento dos vasos e da mistura de todos os fragmentos.
As Reshimot da Luz Interior que partiu após abandonar o vaso chamam-se “Tagin”. Os vasos, os Kelim, os desejos que permanecem depois de a luz desaparecer deles chamam-se Otiot.
Diz-se acerca do mundo de AK que os Tagin são as Reshimot de Ta’amim e as Otiot são as Reshimot de Nekudot.
Assim encontramos uma explicação adicional:
- Ta’amim – Keter;
- Nekudot – Hochma;
- Tagin – Bina;
- Otiot – ZON.
103) Tal como no mundo de AK, surgem também no mundo de Nikudim dois Partzufim: o AB e o SAG, um abaixo do outro, cada um com os seus próprios Ta’amim, Nekudot, Tagin e Otiot. A diferença reside no enfraquecimento do Masach, que não ocorreu como resultado do Bitush Ohr Makif com o Masach [Tela], como no mundo de AK, mas porque surgiu a Malchut Mesayemet (Din), que, posicionada na Parsa, zela pelo cumprimento do Tzimtzum Bet [Segunda Restrição]. Por isso, quando a luz desaparece, os vasos não ficam vazios como acontecia em Galgalta, AB e SAG. Em vez disso, partem-se, morrem e caem para os mundos de BYA.
104) O primeiro Partzuf, Ta’amim do mundo de Nikudim, surgiu no nível de Keter, tendo a sua raiz em Aba e Ima, enquanto o Guf se expande para baixo. Tal Partzuf chama-se Melech HaDa’at; contém tudo o que se encontra no Zat de Nikudim, ou seja, inclui todos os seus vasos.
Ao contrário dos Partzufim superiores AB e SAG, os Partzufim inferiores são designados por Melachim. Aba ve Ima realizam um Zivug de Haka’a sobre os Reshimot Dalet/Gimel e enviam uma luz poderosa para baixo. O estado de interação entre Aba e Ima é denominado Da’at, pois o Zivug é feito sobre a Ohr Hochma. O Partzuf que deles desce chama-se Melech HaDa’at. Estes Partzufim recebem o nome de Melachim porque têm origem em Malchut. Em seguida, este Partzuf estilhaça e deixa vasos fragmentados que se fundem com o AHP e caem para baixo.
As ações que ocorrem no mundo de Nikudim são semelhantes às que acontecem em AK. Primeiro, realiza-se um Zivug sobre o Reshimo Dalet/Gimel, do qual surge o Partzuf Melech HaDa’at, em correspondência com o AB. Depois, o Partzuf perde o Aviut Gimel e têm lugar Zivugim sobre os Reshimot Gimel/Bet (como em SAG), Bet/Alef e Alef/Shoresh.
O desejo criado pelo Criador não pode ser alterado; apenas podemos tentar mudar a nossa intenção. Tudo se resume ao Masach [Tela] e à intenção (para a doação ou para a receção). Podemos aumentá-los ou diminuí-los conforme as condições.
Se temos desejos por todos os cinco pratos que nos são colocados à frente e não há restrições que nos contenham, devorá-los-emos naturalmente; os nossos desejos correspondem ao deleite disponível. Tal foi a situação em Malchut do mundo do Infinito, onde ela desejava desfrutar de tudo o que o Criador lhe tinha dado. Isto não é definido como Klipa, pois não havia restrição da parte do Criador. Contudo, ao encher Malchut, a luz conferiu-lhe tal poder que agora ela pode resistir à pressão do deleite. Não quer receber para seu próprio benefício, embora o desejo permaneça. Além disso, Malchut não só recusa receber para seu próprio benefício, como adquire forças adicionais para receber uma parte da luz em benefício do Criador.
A Tzimtzum Bet estabelece que já não há força para receber em benefício do Criador. Agora só é possível estar sentado à mesa sem tocar em nada. Possuir propriedades semelhantes às do Criador confere o direito de estar no mundo espiritual. No entanto, tal estado é indesejável tanto para o Criador como para a criação. Por isso, Aba ve Ima realizam um Zivug sobre a Ohr Hochma para a transmitir para baixo, sem ter em conta que a luz AB-SAG não pode descer abaixo da Parsa nem corrigir aí os vasos. As intenções no Rosh eram boas, mas impossíveis de concretizar.
O mesmo acontece connosco: de repente, embarcamos em algo com boas intenções, mas depois esquecemo-las e caímos em desejos egoístas, tornando-nos seus escravos. Isto ocorre porque a primeira sensação de prazer se apodera completamente dos nossos desejos e não há força para lhes resistir. Como resultado, todos os desejos do vaso que estão abaixo da Parsa quebram-se, perdem o Masach [Tela] e passam ao Mador Klipot. O homem está sentado à mesa, vê todos os pratos e anseia engoli-los de uma só vez. É impulsionado pelos seus desejos egoístas; não presta atenção ao anfitrião.
Há uma diferença fundamental entre os desejos de Malchut após o Primeiro Tzimtzum, quando restringiu os seus desejos egoístas e recusou receber seja o que for (embora visse todos os prazeres diante de si). Por outro lado, Malchut, após o estilhaçamento dos vasos, apenas deseja receber prazer de qualquer modo possível, utilizando o doador, mas falha. Mais adiante estudaremos como as Klipot influenciam o homem de tal forma que, durante toda a sua vida, ele as persegue sem nunca conseguir receber o prazer supremo.
Nenhum desejo egoísta é a verdadeira criatura criada, pois foi o Criador quem os fez. A única criação genuína é aquela em que surge o seu próprio desejo pela espiritualidade. É a aspiração pelo Criador, o anseio de receber em Seu benefício. Tal desejo não existe Nele; provém do ponto negro mais baixo da criação, como resultado da influência constante da luz sobre o vaso, tal como a gota de água constante desgasta a pedra. Esse desejo chama-se alma; marca o nascimento do homem a partir do animal. Depois, à medida que a criação recebe porções cada vez maiores da luz, a alma revela gradualmente o Criador e, por fim, adere a Ele.
Dissemos que os dois Partzufim AB e SAG surgiram abaixo do Tabur no mundo de Nikudim. Como sabemos, o mundo de Nikudim abaixo do Tabur encontra-se no estado de Katnut sobre os Reshimot Bet/Alef. Em seguida entra no estado de Gadlut sobre os Reshimot Dalet/Gimel. Este é o primeiro Partzuf do mundo de Nikudim, semelhante ao AB de AK, que também surgiu acima do Tabur sobre os Reshimot Dalet/Gimel.
A seguir, o Masach [Tela] perde força, não por causa do Bitush Pnim u Makif como em AK, mas por causa do estilhaçamento. Então surge outro Partzuf (semelhante ao SAG de AK) abaixo do Tabur sobre esse Reshimo. Contudo, ambos estes Partzufim são chamados Melachim, pois a Malchut que subiu a Bina reina sobre eles. Tanto o AB como o SAG do mundo de Nikudim incluem quatro Partzufim internos: um de Ta’amim e três de Nekudot, ou seja, oito Melachim no total. Os Partzufim intermédios que surgem sobre Aviut Shoresh não são contabilizados, pois não se expandem ao Guf.
O primeiro Partzuf chama-se Melech HaDa’at. À medida que o seu Masach [Tela] enfraquece, começa a incluir mais três: Melech Hesed, Melech Gvurah e Melech Shlish Elion de Tifferet. O segundo Partzuf chama-se Shnei Shlish Tachton de Tifferet, Melech Netzah ve Hod, Melech Yesod e Melech Malchut. Os Partzufim do mundo de Nikudim recebem os nomes das Sefirot de Guf, porque surgem no Guf do Partzuf Nikudim. Todos estes oito Melachim são diversas medidas da luz recebida abaixo da Parsa em benefício do Criador. Contudo, os Masachim [Telas] com força anti-egoísta desapareceram; a luz abandonou-os, pelo que são considerados caídos abaixo de todos os desejos espirituais.
Porque é que o número de níveis de Aviut num Partzuf é determinado de forma diferente em diversos lugares? A linguagem das dez Sefirot é muito lacónica. Ao utilizá-la para explicar determinados fenómenos sob um certo aspeto, os cabalistas aplicam frequentemente os mesmos termos e definições para descrever inter-relações diferentes. Assim, ao examinar o Partzuf AB, dizemos que é composto por cinco Partzufim internos. Em geral, podem distinguir-se cinco níveis de Aviut em qualquer objeto espiritual, pois é parte de Malchut do Mundo do Infinito. No entanto, quando observamos AB em relação a Galgalta, dizemos que possui apenas quatro níveis de Aviut, porque lhe falta o Aviut Dalet.
Portanto, a descrição dos objetos espirituais depende do aspeto em que são examinados. Do mesmo modo, ao descrever uma pessoa, podemos dizer que é uma cabeça mais baixa do que outro homem, mas isso não significa de modo algum que não tenha cabeça.
Tudo o que é descrito neste livro ocorre na alma do homem. Por isso, para compreender a matéria, não é necessário possuir pensamento abstrato nem a capacidade de olhar para um objeto sob diferentes ângulos. É preciso encontrar todos os fenómenos e processos descritos nas próprias relações com o Criador. Então a compreensão virá e tudo ocupará o seu lugar. Porém, se o homem imaginar os mundos espirituais como algo que existe fora de si, como um sistema abstrato além dos seus próprios sentimentos, acabará por chegar a um beco sem saída. Nesse caso, estudar Cabala tornar-se-á muito mais difícil, pois terá de abandonar as suas ideias abstratas. Se este material vos parecer confuso, tentem combiná-lo com a leitura de outros livros desta série, por exemplo, o Livro 4. Esforçai-vos por sentir que falam dos mesmos temas.
O que é a Midat haDin (medida do juízo)? Din é a única restrição, proibição ou o único “desejo de receber” para benefício próprio. Malchut assumiu esta restrição já durante a Tzimtzum Alef [Primeira Restrição], quando recusou receber para si própria e permaneceu vazia. Antes disso, podia receber prazer facilmente para seu benefício. Após a Tzimtzum Alef [Primeira Restrição], quem violar esta lei é considerado pecador, Klipa, força impura, etc.
O “desejo de receber” nas suas quatro fases é a única criação. Se alguém decidir mudar a sua natureza e adquirir desejos altruístas, será um assunto pessoal seu. Contudo, como o homem é incapaz de realizar tal transformação por si só, terá de pedir ajuda ao Criador. Ainda assim, o desejo de prazer permanece; apenas muda a intenção quanto ao uso desse desejo.
Malchut é chamada Midat haDin. Ela exige preenchimento. Se este desejo não possui Masach [Tela] anti-egoísta, permanece egoísta. Porém, se Malchut receber poder do Alto e adquirir o Masach [Tela], as suas intenções tornam-se altruístas. A Midat haDin desaparece e a Midat haRachamim (a luz de Hassadim, a Luz Refletida e o Masach [Tela]) ocupa o seu lugar.
105) Deve saber-se que tudo o que existe nas dez Sefirot de Rosh se encontra igualmente no Guf, na mesma quantidade e qualidade. Assim, tal como no Rosh, a Malchut desceu de Nikvey Eynaim para o Peh, os seus GE uniram-se aos seus AHP e a luz expandiu-se nesse local. A luz chegou aos Kelim de Achoraim, ou seja, a Tifferet, Netzah, Hod, Yesod e Malchut abaixo da Parsa.
Contudo, como o poder da Malchut na Parsa afecta estes vasos, a luz do Melech haDa’at desaparece deles e eleva-se para a sua raiz, enquanto todos os vasos, tanto de Panim como de Achoraim do Melech haDa’at, se partem, morrem e caem para BYA. Isto deve-se ao facto de o desaparecimento da luz do vaso ser semelhante à saída da vida de um corpo biológico, sendo por isso chamado morte. Com a queda e morte dos vasos, o Masach [Tela] perde a Aviut Dalet, restando apenas a Aviut Gimel.
Quando falamos de Aviut Gimel, devemos ter presente que se trata do primeiro Partzuf do mundo de Nikudim que alcançou Hitlabshut Dalet e Aviut Gimel. Contudo, dentro do Partzuf de Aviut Gimel existem Partzufim internos com Aviut Dalet, Gimel, Bet, Alef e Shoresh. Neste momento, apenas o primeiro Partzuf interno com Aviut Dalet desapareceu, restando o Aviut Gimel. A luz não se pode expandir em desejos que não têm intenção de ser preenchidos, pelo que permanecem vazios e não se fragmentam.
106) Enquanto a Aviut Dalet desaparecia (em consequência do estilhaçamento dos vasos) do Masach de Guf, também desaparece a Aviut Dalet em Malchut. Malchut realiza um Zivug no Rosh de Aba e Ima, pois a Aviut de Rosh e a Aviut de Guf são idênticas, embora o primeiro Zivug (no Rosh) seja apenas potencial, enquanto o segundo (no Guf) se realiza efectivamente.
Por esta razão, o Zivug ao nível de Keter desaparece também no Rosh. Os AHP, que completavam o Keter, regressaram ao nível inferior anterior, ou seja, às sete Sefirot inferiores. Isto chama-se eliminação do AHP de Keter no Partzuf Aba e Ima. Assim, desaparece todo o nível dos Ta’amim de Nikudim (tanto o Rosh como o Guf).
Aba ve Ima só realizam Zivug para preencher ZON com a sua luz. No instante em que ZON deixam de poder receber a luz e o seu pedido a Ima cessa, Ima interrompe imediatamente o Zivug com Abba. Neste caso, vemos que o Guf envia uma ordem ao Rosh, que pára o Zivug de imediato.
Primeiro, o mundo de Nekudim encontrava-se em Katnut; depois, ao elevar MAN, o AHP subiu aos seus GE, mas aconteceu o estilhaçamento dos vasos. Estes vasos continuarão a fragmentar-se em desejos cada vez mais numerosos até que todos os desejos de ZON de Nekudim fiquem totalmente fragmentados. São os Dalet, Gimel, Bet, Alef e Shoresh do nível Gimel. Depois ocorre o mesmo com o nível Bet, Alef e Shoresh, até ao último desejo. Tudo isto foi necessário para a mistura das propriedades altruístas e egoístas. O estilhaçamento dos vasos tem consequências profundas e positivas.
Apenas o primeiro nível – o Shoresh – é chamado a intenção do Criador quanto à criação futura. Os outros níveis constituem o desenvolvimento, a realização da intenção e a sua transformação na Criação. A primeira Criação chama-se Dalet de Dalet (Malchut de Malchut) do Mundo do Infinito. Tudo poderia ter ficado por aí, mas, sob a influência da luz, a primeira Criação desejou tornar-se semelhante ao Criador nas intenções, embora as suas ações permanecessem inalteradas.
Para mudar a intenção, é preciso primeiro recusar completamente receber a luz e, em seguida, criar uma força anti-egoísta (o Masach [Tela]). Isso é necessário para receber a luz em benefício do Criador. Este desenvolvimento começa pequeno e prossegue até à adesão completa com o Criador. Tal processo de desenvolvimento do Masach [Tela] inicia-se após a Tzimtzum Alef [Primeira Restrição], fragmentando o desejo Dalet de Dalet em partes determinadas e criando o Masach [Tela] do desejo mais pequeno até ao maior.
O Masach [Tela] é preparado durante a descida dos mundos. Para criar o Masach [Tela] mínimo, é necessário misturar as intenções e desejos do Criador e da criação. Só então surgirão centelhas de desejo altruísta na criação, ou seja, em Dalet de Dalet. Isso é alcançado com a ajuda do estilhaçamento dos vasos.
Contudo, nenhum destes processos desaparece; existem constantemente e neles é concebida a futura conexão com o Criador. Durante o estilhaçamento dos vasos, a luz não entra no Guf; permanece no Rosh e entra apenas nos GE de cada Sefira, embora deseje também entrar no AHP (os vasos egoístas). Porém, em conformidade com a Tzimtzum Alef [Primeira Restrição], não o pode fazer. Ainda assim, ocorre um contacto muito breve, pelo que o vaso começa a desejar receber a luz para benefício próprio, compreendendo o que tal receção significaria.
Anteriormente, a criação não o compreendia. Trata-se do desenvolvimento do egoísmo desde um estágio em que a receção da luz está restringida até ao desejo apaixonado de a receber custe o que custar. Durante o surgimento dos mundos e Partzufim, lidamos com a formação gradual de um egoísmo mais avançado, embora mais espesso – um egoísmo que compreende o que significa desfrutar da luz e a deseja cada vez mais. Quando o vaso atinge o último estágio do seu desenvolvimento (o nosso mundo), torna-se o mais adequado ao seu papel.
Quando o vaso estilhaça, permanece nele o desejo egoísta (o Reshimo do Masach [Tela]), enquanto a luz que devia entrar no vaso ascende. No entanto, a ligação entre o Reshimo do Masach [Tela] e a luz desaparecida ainda existe, conferindo ao vaso uma certa luminescência, uma memória do Masach [Tela] que outrora possuía.
Qual a diferença entre o enfraquecimento do Masach [Tela] devido ao Bitush Pnim u Makif e o enfraquecimento devido ao estilhaçamento dos vasos? No primeiro caso, o vaso, pressionado pela Ohr Makif que quer entrar, compreende que não pode receber a luz de forma altruísta. A receção egoísta é proibida, pelo que o vaso decide expulsar a luz em vez de violar a proibição. No segundo caso, as intenções iniciais do vaso parecem boas, mas de repente descobre que quer receber de modo puramente egoísta; por isso, a Tzimtzum Alef [Primeira Restrição] entra imediatamente em ação, e o enfraquecimento do Masach [Tela] expressa-se aqui como o estilhaçamento do vaso, como a sua morte.
Anteriormente explicamos como ocorreu o estilhaçamento dos vasos. A luz AB-SAG chegou e começou a expandir-se no Rosh de Keter, no Rosh de Aba ve Ima, nos GE de ZON e, ao atingir a Parsa, os vasos começaram a estilhaçar e a perder o Masach [Tela]. Isso aconteceu porque a luz encontrou desejos egoístas sem Masach [Tela]. Aqui atuou a proibição da Tzimtzum Alef [Primeira Restrição]; a luz subiu ao Rosh de Nikudim e depois ao Rosh de SAG, enquanto os vasos que queriam receber prazer para si próprios se partiram e caíram nas Klipot.
Existe a luz do Pensamento da Criação e a luz da Correção da Criação. A luz que criou Malchut e o seu desejo de receber prazer chama-se Ohr Hochma ou luz do Pensamento da Criação. A luz que corrige Malchut revela nela propriedades superiores e permite-lhe sentir prazer ao doar chama-se Ohr Hassadim. Pode-se sentir o Criador quer deleitando do contacto com Ele (deleite pela receção da Ohr Hochma), quer sentindo as Suas propriedades e desfrutando a semelhança com Ele (deleite pela Ohr Hassadim).
Se o egoísmo não começar a sentir as propriedades do Criador, nunca fará a Tzimtzum Alef [Primeira Restrição] nem desejará ser como o Criador. O Criador criou um egoísmo capaz de se desenvolver e sentir tanto o deleite como Aquele que o proporciona. Com efeito, a futura capacidade de ser como o Criador já estava incluída na fase inicial do desenvolvimento do egoísmo.
A informação que estimula a sensação do Doador chega aos vasos juntamente com a luz AB-SAG. É a luz da correção, de natureza muito diferente. Desperta no homem sentimentos muito subtis da grandeza do Doador e o desejo de ser como Ele. A Tzimtzum Alef [Primeira Restrição] foi um ato extremamente cruel da criação, que antes afastou o Criador, dizendo que nada queria Dele, privando-O da oportunidade de ser Doador. Tornou os Seus desejos desnecessários, até começar a compreender que o Pensamento da Criação não implica recusar receber a luz, mas sim recebê-la em benefício do Criador.
O papel principal na criação dos Partzufim após a Tzimtzum Alef [Primeira Restrição] pertence ao Masach [Tela]; a ação é secundária e todo o processo desenvolve-se do grande para o pequeno. Após a Tzimtzum Bet [Segunda Restrição], quando o Partzuf se restringiu, surgiu pela primeira vez o desejo de passar de Katnut para Gadlut. Isso exigia força; a força veio da luz AB-SAG. Todos os vasos acima da Parsa – Keter, Aba ve Ima, GE de ZON – podem sentir a oportunidade de passar a Gadlut. Contudo, esta luz não consegue descer abaixo da Parsa. O AHP de ZON não a sente; por isso, permanecem no mesmo estado. Os Nekudot de SAG abaixo da Parsa estão vazios após a Tzimtzum Bet [Segunda Restrição]. Formam o lugar para os mundos de Atzilut, Beria, Yetzira e Assiya.
Quando dizemos que não há luz, isso significa na verdade que o Kli simplesmente não a consegue sentir. A luz em si é amorfa; não há distinções nela; ou seja, o vaso não consegue detetar quaisquer matizes ou variações de prazer na luz. Tal foi o estado de Malchut no Mundo do Infinito. Quando sentiu as propriedades da luz, fez a Tzimtzum Alef [Primeira Restrição]. Malchut começou a distinguir na luz as nove Sefirot anteriores, começando pelas mais próximas. Ao descobrir a última (Keter) e sentir o contraste entre as suas propriedades (Keter apenas doa e Malchut apenas recebe), fez imediatamente a Tzimtzum.
ZA é composto por Hochma e Bina. Chama-se “rosto pequeno”, o que se refere à quantidade de luz nele contida, em comparação com Malchut, que deseja ser grande e receber toda a luz de Hochma. Keter dá tudo, Malchut recebe tudo e Bina não recebe nada. Estas são as características das quatro fases da Luz Direta e da sua raiz chamada Keter.
Ao estudar Cabala, deve-se lembrar constantemente que na espiritualidade não existem noções como lugar, tempo ou espaço (tais como os entendemos). A noção de lugar só apareceu após a Tzimtzum Bet [Segunda Restrição]. Os Nekudot de SAG abaixo da Parsa permanecem vazios após a Tzimtzum Bet [Segunda Restrição] e formam o lugar para os mundos de ABYA. Assim, por “lugar” entendemos geralmente os Nekudot de SAG; mais precisamente, os vasos que trabalham em conformidade com a lei da Tzimtzum Alef [Primeira Restrição] em relação aos vasos que trabalham segundo a Tzimtzum Bet [Segunda Restrição], os quais formam os mundos a partir de Atzilut. Agora podemos compreender a diferença fundamental entre estes dois modos de trabalhar com os desejos.
Os vasos da Tzimtzum Bet [Segunda Restrição] não são exatamente os vasos da Tzimtzum Alef [Primeira Restrição], que usam apenas metade dos seus desejos. Trata-se de um princípio de trabalho radicalmente diferente. Mais adiante estudaremos as chamadas subidas dos mundos, nas quais o “lugar” pode ou não subir juntamente com os mundos.
Na espiritualidade, entendemos o tempo como uma sequência de ações necessárias para atingir um determinado nível espiritual. Essas ações formam uma cadeia de causa e efeito. Quanto menos corrigido está o homem, mais o Criador Lhe está oculto; o caminho do homem até ao Criador transforma-se de uma sequência de ações espirituais num fluxo inconsciente de tempo.
Falámos do estilhaçamento dos vasos. A luz AB-SAG chegou e começou a expandir-se no Rosh de Keter, no Rosh de Aba ve Ima, nos GE de ZON e, assim que atingiu a Parsa, os vasos começaram a fragmentar-se e a perder o Masach [Tela], pois a luz encontrou desejos de receber para benefício próprio sem Masach [Tela]. A Tzimtzum Alef [Primeira Restrição] entrou em ação, a luz subiu ao Rosh de Nikudim e depois ao Rosh de SAG; os vasos egoístas quebraram-se e caíram nas Klipot.
107) A Luz Superior nunca cessa de brilhar; realiza um novo Zivug sobre a Aviut Gimel que permaneceu no Masach de Rosh de Aba e Ima. Devido a este Zivug, surge um Partzuf composto por 10 Sefirot no nível de Hochma, enquanto o Guf, com o nível de Hesed, se expande para baixo e é chamado o segundo Melech do mundo de Nikudim. Tal como o primeiro, o Melech haDa’at, expande-se pelos BYA, parte-se e morre. A Aviut Gimel desaparece dos Masachim de Guf e de Rosh. Os AHP, que completavam o Partzuf no nível de Hochma, partiram-se e caíram para o nível inferior.
Em seguida, um Zivug sobre Aviut Bet produz as 10 Sefirot do nível de Bina, enquanto o Guf se expande até à Sefira Gevura, e é chamado o terceiro Melech do mundo de Nikudim. Expande-se pelos BYA, parte-se e morre. A Aviut Bet desaparece do Guf e do Rosh, e o Zivug no nível de Bina também cessa no Rosh. Os AHP de Bina de Rosh caem para o nível inferior, para as sete Sefirot inferiores.
O Zivug seguinte realiza-se sobre Aviut Alef; surgem as 10 Sefirot com o nível de ZA, enquanto o Guf se expande até ao terço superior de Tifferet. Este também deixa de existir, a luz abandona-o e a Behina Alef desaparece do Guf e do Rosh. Os AHP de ZA caem para o nível inferior de Zat.
Porque são os Partzufim do mundo de Nikudim chamados Melachim? Porque se encontram em Gadlut (estado maior), o qual surge do Katnut (estado menor) com a Ohr Nefesh, também designada por Ohr Malchut. Apesar dos oito níveis, só existem sete Melachim, pois apenas há sete partes ou níveis inferiores. Do mesmo modo, apenas existem sete Shorashim (raízes) no Rosh para a sua expansão.
108) Após terminar o último Zivug sobre Aviut Alef, todos os AHP de Aba e Ima deixaram de descer; por isso, quando o Melech haDa’at de Aba e Ima se partiu, os AHP de Keter desapareceram. Quando os vasos do Melech haHesed em Aba e Ima se partiram, os AHP de Hochma desapareceram. Quando os vasos do Melech haGevura em Aba e Ima se partiram, os AHP de Bina desapareceram. Quando o Melech Shlish Elion de Tifferet se partiu, os AHP de ZA desapareceram.
Deste modo, todo o nível de Gadlut em Aba e Ima deixou de existir. Apenas restaram os vasos do GE de Katnut com Aviut Shoresh no Masach. Posteriormente, o Masach de Guf perde toda a sua Aviut, integra-se com o Masach de Rosh e junta-se a um Zivug de Haka’a no Rosh. Todos os Reshimot, excepto as últimas Behinot, renovam-se nele. Desta renovação (Zivug) surge um novo nível chamado YESHSUT.
Vamos rever brevemente todo o processo. O mundo de Nikudim encontrava-se em Katnut, onde apenas existiam os vasos de GE em Keter, Aba ve Ima e ZON. Em seguida, Keter e Aba ve Ima realizaram um Zivug sobre Dalet de Hitlabshut e Gimel de Aviut, e a luz expandiu-se até ao Guf. O Guf fragmentou-se e apenas restou Aviut Gimel-Bet. Keter e Aba ve Ima desejam realizar um Zivug sobre esse Aviut e esperam que o Guf consiga receber essa luz em benefício do Criador, dado que se trata de um nível inferior. Devido a este Zivug, surge um Partzuf de um nível espiritual diferente; por isso, já se chama YESHSUT e não Aba ve Ima.
109) Após o desaparecimento do último nivel de Aviut (Dalet), a Behina Gimel produziu 10 Sefirot no nível de Hochma. O Partzuf começa a partir do Chazeh de Aba e Ima, de modo que as Sefirot do seu Rosh se elevam acima do Chazeh e são chamadas YESHSUT; enquanto abaixo do Chazeh, incluindo os dois terços inferiores de Tifferet, se formam as 10 Sefirot de Guf. Este é o quarto Partzuf, chamado Melech do mundo de Nikudim.
Este também se expande pelos BYA, estilhaça e morre. A Aviut da Behina Gimel desaparece tanto no Rosh como no Guf. Os AHP de Rosh caem para o nível inferior (Guf). Em seguida, um Zivug sobre Aviut da Behina Bet produz o nível de Bina. O Guf do novo Partzuf expande-se até aos vasos Netzah e Hod. Este quinto Partzuf chama-se Melech do mundo de Nikudim.
Este também se expande pelos BYA, estilhaça e morre. A Behina Bet desaparece tanto no Rosh como no Guf, enquanto os AHP de Rosh caem para o nível inferior (Guf). O Zivug seguinte sobre Aviut Alef produz o nível de ZA, enquanto o seu Guf se expande até ao vaso de Yesod. Este é o sexto Melech do mundo de Nikudim, que chega aos BYA, estilhaça e morre. A Aviut Alef desaparece tanto no Rosh como no Guf, enquanto os AHP de Rosh caem para o nível inferior (Guf).
Depois disso, realiza-se o último Zivug sobre o Aviut Shoresh que resta no Masach. Este dá origem ao nível de Malchut, que se expande até ao vaso de Malchut. É o sétimo Melech do mundo de Nikudim. Tal como todos os Melachim anteriores, também este parte e morre. O último Aviut de Shoresh desaparece tanto no Rosh como no Guf, e o AHP do Rosh cai para o nível inferior (para o seu Guf). Assim, todo o AHP de YESHSUT desapareceu e todas as sete Sefirot inferiores de Nikudim (ou seja, todos os sete Melachim) se fragmentaram.
Tifferet constitui todo o Guf do Partzuf. Devido ao Tzimtzum Bet [Segunda Restrição], Tifferet divide-se em três partes: o terço superior de Tifferet chama-se Chazeh, o terço médio chama-se Tabur e o terço inferior chama-se Yesod.
110) Aprendemos acerca dos Ta’amim e das Nekudot que surgiram em dois Partzufim: Abba e Ima e o YESHSUT do mundo de Nikudim, e que são chamados AB e SAG.
Quatro níveis, um abaixo do outro, aparecem em Abba e Ima: o Keter chama-se “Histaklut Eynaim de Abba e Ima” (olhar nos olhos um do outro); a Hochma chama-se “Gufa de Abba”; a Bina chama-se “Gufa de Ima”; e o ZA chama-se “Yesodot de Abba e Ima”. Dos níveis acima mencionados surgem quatro corpos: o Melech haDa’at, o Melech haYesod, o Melech Gevura e o Melech do terço superior de Tiferet até ao Chazeh. Os Gufim de todos estes quatro níveis quebraram-se, tanto o Panim como o Achoraim, ou seja, tanto o GE como o AHP.
Contudo, nos Rashim (cabeças) destes quatro níveis de Abba e Ima, todos os Kelim de Panim de cada nível que existiam durante a Katnut de Nikudim, ou seja, o GE e os Nikvey Eynaim (Keter, Hochma e Gar de Bina), permaneceram nos seus lugares. Apenas os Kelim de Achoraim (ou seja, o AHP de Rosh, o Zat de Bina, o ZA e a Malchut) de cada nível, que se tinham juntado ao GE durante a Gadlut, desapareceram por causa do estilhaçamento dos vasos. Caíram para o nível inferior, ou seja, para onde se encontravam durante a Katnut.
111) Do mesmo modo, surgiram quatro níveis, um abaixo do outro, no Partzuf YESHSUT. O primeiro nível (Hochma) chama-se Histaklut Eynaim de YESHSUT; o segundo nível (Bina), seguido do ZA e da Malchut, dão origem a 4 corpos: o Melech dos dois terços inferiores de Tiferet, o Melech Netzach-Hod, o Melech Yesod e o Melech Malchut. Estes quatro Gufim quebraram-se (tanto o Panim como o Achoraim), mas os Kelim de Panim permaneceram nos Rashim de YESHSUT. Os seus Achoraim desapareceram por causa do estilhaçamento dos vasos e caíram para o nível inferior. Depois de os dois Partzufim Abba e Ima e o YESHSUT terem estilhaçado, surgiu ainda mais um Partzuf – o MA do mundo de Nikudim. No entanto, como dele não se expande nenhum Guf (apenas “Tikuney Kelim”), não o caracterizaremos aqui.
Assim, devido a um Zivug sobre os Reshimot Dalet/Gimel, surgiram quatro Melachim no Rosh de Aba ve Ima (Gadlut de Nikudim). Depois houve um Zivug no Rosh de YESHSUT sobre o Aviut Gimel/Bet, o que deu origem a mais quatro Melachim. Todos eles receberam a Ohr Hochma, mas não em benefício do Criador; por isso, perderam o Masach [Tela], estilhaçaram e caíram do seu nível espiritual. Cada um deles conservou o Reshimo da luz e a Ohr Hozer – uma mínima porção da luz do Masach [Tela] com a qual desejavam trabalhar, mas não conseguiram.
Essa mínima porção de luz chama-se “Nitzutz” (centelha). O facto de residir dentro do desejo egoísta torna possível iniciar a correção dos vasos estilhaçados. Se os vasos nunca se tivessem fragmentado, essa centelha altruísta jamais teria descido abaixo da Parsa, e os vasos do AHP aí existentes não teriam possibilidade de correção. Essa será a tarefa do MA Hadash (novo MA) ou do Mundo da Correção, Atzilut, que surgiu do Rosh de AK devido a um Zivug sobre o Aviut de Shoresh. Esse nível chama-se Metzah (testa).
O Masach [Tela] em Galgalta perdeu força, a luz desapareceu e o Masach do Guf subiu para se unir ao Masach do Rosh. Restou o Reshimot Dalet/Gimel da luz de Hochma no Toch e Dalet/Gimel da luz de Hassadim no Sof. Reshimot Dalet/Gimel da luz de Hassadim significa que, embora a Ohr Hochma seja sentida e desejada graças ao Aviut Gimel, a criação apenas deseja unir-se com o Criador. Ou seja, quer ser preenchida com Ohr Hassadim e não com Ohr Hochma (a luz do Propósito da Criação), pois não é capaz de receber a Ohr Hochma em benefício do Criador. O Partzuf AB surge sobre os Reshimot de Toch e o Gadlut de Nikudim surge sobre os Reshimot de Sof. Após a luz abandonar o Partzuf AB, o Partzuf SAG surge acima do Tabur no mundo de AK.
Como resultado de um Zivug sobre o Reshimo Dalet/Gimel abaixo do Tabur, o Gadlut do mundo de Nikudim chama-se o AB inferior ou Aba ve Ima. Quando este desaparece, realiza-se um Zivug sobre o Reshimo Gimel/Bet abaixo do Tabur. Como resultado, surge o segundo Partzuf, chamado SAG inferior ou YESHSUT. As propriedades dos Partzufim tanto acima como abaixo do Tabur são semelhantes no sentido em que a luz de Hochma se expandiu no AB inferior, enquanto a luz de Hassadim com luminescência de Hochma se expandiu no SAG inferior. A correção de ZON e Malchut abaixo do Tabur consistirá em elevá-los ao nível dos Partzufim AB e SAG.
Após o desaparecimento da luz nos Partzufim, quando resta apenas egoísmo puro, este lembra-se do que significa receber a luz. Todos os Reshimot anteriores baseavam-se na receção da luz em benefício do Criador. Agora, quando os vasos de Malchut se estilhaçaram, surge pela primeira vez o “desejo de receber” a luz a todo o custo. Contudo, este não é o ponto final do desenvolvimento do egoísmo; ainda há um caminho muito longo pela frente.
Malchut sente a luz muito antes de esta entrar nela. O mesmo sucede no nosso mundo: sentimos o prazer antes de o recebermos de facto. Assim que o obtemos, ele desaparece imediatamente. Apenas nos parece que sentimos deleite; cada vez temos de realizar certas ações que nos ajudem a sentir prazer, mas no momento em que entramos em contacto com ele, o vaso deixa de existir e o prazer desvanece-se.
No entanto, todos vivemos apenas para alcançar esse contacto. Se pudéssemos ser preenchidos com prazer constante e imperecível, não daríamos um único passo em direção a novo deleite, pois estaríamos saciados com o anterior. Como toxicodependentes, desfrutaríamos da dose injetada, sem fazer nada até sentir a necessidade de nova dose. Apenas o egoísmo (uma vez corrigido) que tenha atingido um estado de oposição absoluta ao Criador poderá tornar-se igual a Ele. Então o prazer recebido não desaparecerá; o desejo por ele permanecerá, enquanto nós, sem jamais cessar de desfrutar, correremos para nova receção em benefício do Criador.
A luz desejava entrar no vaso abaixo do Tabur e o vaso ansiava recebê-la em benefício do Criador, conforme a força do seu Masach [Tela]. O vaso descobriu demasiado tarde que não havia Masach [Tela]. Todos os prazeres já estavam dentro dele e impuseram-lhe a sua vontade. Contudo, a Tzimtzum Bet [Segunda Restrição] expulsou a luz e o vaso ficou vazio dos desejos que não conseguiu satisfazer. Esse estado terrível acompanha o estilhaçamento dos vasos, a morte e a queda. Todos os desejos tornam-se isolados e desprovidos de direção para um único objetivo.
Quando o homem tem um propósito firme, todos os seus desejos (tanto altruístas como egoístas) perseguem o mesmo fim. Se não o tem, possui muitos desejos diferentes que não visam um único alvo. Tal pessoa não pode ter êxito.
Quando os Melachim caem, o mais elevado deles, ao perder o Masach [Tela], cai mais baixo do que os restantes. Todos os oito Melachim eram de níveis diferentes. O vaso de Keter caiu até Malchut. O vaso de Bina (o vaso da doação) não caiu tão baixo.
As Sefirot do Rosh têm os seguintes nomes:
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