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Cinco Níveis de Masach

17) As três definições básicas estão agora claras para nós:

1) A Ohr' é uma emanação direta da luz do Criador, enquanto o 'Kli' é um "desejo de receber" criado pela própria luz. A luz contém inicialmente um "desejo de receber" não expresso, mas à medida que este desejo se desenvolve, o vaso ('Malchut') separa-se dela. Malchut é chamada "O Seu Nome" ('Shemo') ("Ele e o Seu Nome são um"). O valor numérico da palavra "Shemo" é idêntico ao da palavra "Ratzon" (desejo).

2) As 10 'Sefirot' ou os 4 mundos de 'ABYA' correspondem às 4 'Behinot' (fases). Elas têm de estar presentes em todo ser criado. O "desejo de receber", ou o 'Kli', "desce" do nível do Criador através destes 4 mundos e alcança o seu pleno desenvolvimento no nosso mundo.

3) A Primeira Restrição e o 'Masach' da 'Behina Dalet' fazem surgir um novo vaso em vez da Behina Dalet. Este vaso é uma intenção de doar ao Criador e chama-se 'Ohr Hozer'. A quantidade de luz recebida depende da intensidade do desejo.

18) Vamos agora esclarecer as cinco 'Behinot' do Masach [Tela] segundo as quais o tamanho do 'Kli' se altera durante o Zivug de Haka’a [Acoplamento por Impacto] com a Luz Superior.

Depois da Primeira Restrição, a 'Behina Dalet' deixa de ser um vaso de recepção. A Luz Refletida ('Ohr Hozer'), que se eleva acima do Masach [Tela] devido ao Zivug de Haka’a [Acoplamento por Impacto], assume agora esse papel. No entanto, a 'Behina Dalet', com o seu poderoso "desejo de receber", tem de acompanhar a 'Ohr Hozer'. Sem ela, a 'Ohr Hozer' é absolutamente incapaz de ser um vaso de recepção.

Recordemos a situação entre o anfitrião e o seu convidado. A força de recusa do convidado em comer tornou-se um vaso de recepção, assumindo o papel da fome, que perdeu essa função por causa da vergonha. Durante essa recusa, o receber transforma-se efetivamente num acto de dar. Contudo, não podemos dizer que o convidado não precise dos vasos de recepção habituais. Sem eles, não conseguirá agradar ao anfitrião ao comer as suas iguarias.

Através da recusa, a fome (o "desejo de receber") adquire uma nova forma — um "desejo de receber" pelo benefício de doar ao anfitrião, ao Criador. A vergonha tornou-se agora um mérito. Verifica-se que os vasos de recepção habituais continuam a funcionar como antes, mas adquirem uma nova intenção, ou seja, a de receber pelo Criador. A espessura da 'Behina Dalet', o estado de oposição ao Criador, impede-a agora de ser um vaso de recepção.

No entanto, graças ao Masach [Tela] colocado na 'Behina Dalet', que embate e reflete a luz, esta toma uma nova forma chamada 'Ohr Hozer' — a Luz Refletida — enquanto o receber se transforma em doar, como no exemplo do anfitrião e do convidado. Apesar disso, a essência da forma permanece a mesma, porque o convidado não comeria sem apetite. Contudo, todo o poder do desejo de receber prazer da 'Behina Dalet' está incluído na 'Ohr Hozer', tornando-o um vaso adequado.

Existem sempre duas forças presentes no Masach [Tela]. A primeira é o 'Kashiut', a força de resistência a receber luz; a segunda é o 'Aviut', a força do "desejo de receber" da 'Behina Dalet'. Devido ao Zivug de Haka’a [Acoplamento por Impacto] do 'Kashiut' com a luz, o 'Aviut' muda totalmente as suas propriedades, transformando a receção em doação. Estas duas forças atuam em todas as cinco partes do Masach [Tela]: 'Keter', 'Hochma', 'Bina', 'Tifferet' e 'Malchut'.

Cinco partes estão no Masach [Tela] através do qual ele recebe a luz (cinco Zivugey de Haka’a). A Ohr Hozer não é um verdadeiro vaso; ele apenas pode auxiliar na receção da luz. O desejo de receber prazer, Behina Dalet, que era um vaso antes da Primeira Restrição, mantém esse papel; apenas a sua intenção muda. Quanto maior o egoísmo de um homem, mais luz ele pode receber, desde que haja um masach correspondente ao seu egoísmo. Em vez de se ressentir dos seus desejos indignos, o homem deve apenas pedir ao Criador um Masach [Tela] que corrija esses desejos, tornando-os altruístas.

Muitas vezes, não sabemos o que motiva as nossas ações nem quais são os nossos verdadeiros desejos. Por vezes, sentimos necessidade de algo, mas não sabemos o que é. O homem está num estado constante de sonho até que a Cabala o desperte e lhe abra os olhos. Inicialmente, nem sequer possuímos um verdadeiro desejo de receber prazer. A Cabala trabalha com os desejos espirituais, que são muito mais poderosos do que os do nosso mundo.

Graças à nova intenção do Kli, o “desejo de receber” adquire uma nova forma: um “desejo de doar”, ou, mais precisamente, um “desejo de receber” pelo benefício do Criador. O homem começa agora a receber para agradar ao Criador. Ao descobrir a diferença entre as suas próprias propriedades e as do Criador, Behina Dalet sente vergonha. O Masach [Tela] estabelecido por Malchut reflete a luz e, assim, altera a intenção. A essência do “desejo de receber” permanece, mas agora é receber pelo benefício do Criador.

A Cabala é uma ciência lógica. Cada fenómeno leva a uma consequência, que, por sua vez, se torna a causa do próximo, formando uma cadeia de ligações de causa e efeito. O nosso problema, no entanto, reside no facto de ainda não estarmos verdadeiramente conectados com o que estudamos. Ao ler sobre os mundos espirituais, os Partzufim e as Sefirot, ainda não os podemos sentir.

Existem dois níveis nos estudos da Cabala. O primeiro é para iniciantes, quando não há sensação do material estudado. Após um estudo mais aprofundado, porém, o cabalista recebe uma sensação dos fenómenos e termos descritos no livro.

Deve-se notar que a luz é, na verdade, imóvel; ela não entra nem sai de lugar algum. No entanto, dependendo das suas propriedades internas, o vaso sente a luz de forma diferente, distinguindo nela diferentes “sabores” ou prazeres. Se o vaso desfruta da receção direta da luz, esse prazer é chamado Ohr Hochma. Se a criação recebe prazer da semelhança das suas propriedades com as do Criador, esse tipo de deleite é chamado Ohr Hassadim. A receção alternada de Ohr Hochma ou Ohr Hassadim cria “movimento”.

Quando o homem inicia o seu caminho espiritual, ele percebe inicialmente quão maligna é a sua natureza. Esse pensamento leva-o ao início da correção. Como resultado, ele ascende, começando a sentir influências cada vez mais subtis das forças superiores.

A luz que desce do Criador após a Primeira Restrição representa uma linha estreita de luz que vem do Infinito até ao ponto médio do universo. Todos os mundos espirituais (AK e ABYA) estão revestidos nesta linha. A partir do ponto de influência do Criador, estamos no centro de todos os mundos.

A providência pessoal do Criador é implementada com a ajuda do raio de luz. Este raio desce até uma certa alma, revestindo-a em todos os mundos, começando por Adam Kadmon (AK), continuando por Atzilut, Beria, Yetzira e, por fim, Assiya, o mundo mais externo.

A pessoa comum diferencia-se de um cabalista pelo facto de não ter um Masach [Tela], pelo que não pode sentir, refletir a luz ou criar o seu próprio vaso espiritual. Esse vaso é Toch, a parte interna do Partzuf onde a criação recebe a luz do Criador. Estritamente falando, o que chamamos de Criador é a Sua luz, uma vez que não podemos alcançar a Essência do Criador.

O Criador influencia todas as pessoas como se elas nunca tivessem saído do mundo do Infinito (Ein Sof), ou seja, estão num estado inconsciente. Essa influência é chamada “Derech Igulim”, através de círculos e esferas, ou seja, através da luz geral que envolve toda a criação. A propagação da luz na forma de um círculo significa a ausência de uma força limitadora, o Masach [Tela].

A tarefa do homem é agarrar com as suas próprias mãos um controlo parcial do seu destino, tornando-se assim parceiro do Criador. Então, o Criador não o tratará mais como trata todas as outras criaturas, mas de forma individual, com a ajuda do raio de luz (Derech Kav). Nesse caso, o próprio homem assume o controlo em vez do Criador.

19) Como afirmado, as três primeiras 'Behinot' ainda não são consideradas vasos. Apenas a 'Behina Dalet' é um vaso verdadeiro. Uma vez que estas três primeiras 'Behinot' são as causas, as fases que precedem a criação da 'Behina Dalet', esta adotou as suas propriedades ao completar o seu desenvolvimento. Elas ficaram de algum modo impressas nela, criando dentro da 'Behina Dalet' os seus próprios quatro níveis de "desejo de receber". Tudo começa com a 'Behina Alef', o "desejo de receber" mais puro e mais fraco. A seguir vem a 'Behina Bet', que é um pouco mais espessa e tem um 'Aviut' maior do que a 'Behina Alef', ou seja, é um nível superior de "desejo de receber".

A 'Behina Gimel' tem um 'Aviut' ainda maior do que o da 'Behina Bet'. Finalmente chega a vez da 'Behina Dalet', que possui o maior 'Aviut', ou seja, o maior "desejo de receber". O seu desejo alcançou o nível mais elevado, mais perfeito e definitivo. Convém salientar que a raiz ('Shoresh') destas quatro 'Behinot' é o 'Keter' (conhecido como o mais elevado de todos e o mais próximo do Criador), que também deixou a sua marca na 'Behina Dalet'. Assim mencionámos todos os cinco níveis de "desejo de receber" incluídos na 'Behina Dalet', que de outro modo se chamam 'Keter', 'Hochma', 'Bina', 'Tifferet' e 'Malchut'.

As três Behinot que precedem Malchut são chamadas “a luz”; apenas Malchut é o Kli, pois deseja receber para si própria. Como resultado, torna-se uma parte separada e independente. As Behinot anteriores não estão separadas do Criador; por isso, são definidas como luz.

Quando a última fase, ou Malchut, está completamente preenchida com a luz, começa a sentir as propriedades de todas as Behinot anteriores: primeiro a adjacente Tifferet, depois Hochma, que criou Bina, depois a fonte (Shoresh) e, finalmente, o Pensamento global – Keter.

Isso significa que todas as propriedades anteriores de todas as Behinot estão incluídas em Malchut e a influenciam. É então Dalet de Dalet (ou seja, a última parte – Dalet de todo o Dalet) e todas as propriedades anteriores que adquiriu da luz. Ao apreender a luz que a preenche, Behina Dalet alcança a grandeza do Criador. Descobre em si mesma o desejo de se tornar semelhante ao “desejo de doar”; ao modo como o Criador o faz.

O que é “doar”? O Criador é a origem da luz. O Kli não pode doar nada; pode apenas ter a intenção de o fazer. O Criador criou o “desejo de receber”, o resto sendo apenas diferentes níveis disso. Apenas uma intenção pode mudar de “para si próprio” para “pelo benefício do Criador”.

Qual é a diferença entre Aviut Keter e Aviut Bina? Não são ambos chamados “desejo de doar”? Keter é o “desejo de dar”, Hochma recebe, e Bina, ao receber a luz, devolve-a ao Criador. Isso pode ser entendido a partir do exemplo da Mishna: “O homem estuda a Torá pelo benefício do Criador” significa que ele recusa receber algo que corresponde a Aviut Keter. “Os segredos da Torá são-lhe revelados” significa que ele não pediu isso, mas recebeu-os do Alto – de Behinat Hochma.

Ao receber, o homem tem de se superar e dizer: “Eu recuso, porque tudo o que quero é doar”. Veja que diferença faz: o homem deseja doar após receber a luz ou antes de a receber!

20) Os cinco níveis de "desejo de receber" incluídos na 'Behina Dalet' recebem os nomes das 10 'Sefirot' da Luz Superior porque a 'Behina Dalet' era um vaso que recebia esta luz antes da Tzimtzum Alef [Primeira Restrição] ("Ele e o Seu Nome são Um"). Todos os mundos, todo o Universo, estavam incluídos na 'Behina Dalet' da Luz Direta ('Malchut' do mundo do Infinito).

Cada 'Behina' contida em 'Malchut' adotou as propriedades da 'Behina' correspondente nas 10 'Sefirot' da Luz Superior. A 'Behina Shoresh' da 'Behina Dalet' adotou as propriedades de 'Keter', "revestindo-se" nele, uma das 10 'Sefirot' da Luz Superior. A 'Behina Alef' da 'Behina Dalet' "revestiu-se" na luz de 'Hochma' das 10 'Sefirot', e assim sucessivamente. Mesmo depois da Tzimtzum Alef [Primeira Restrição], quando a 'Behina Dalet' deixou de ser um vaso de recepção, os seus cinco níveis de "desejo de receber" continuam a ter os nomes das cinco 'Sefirot': 'Keter', 'Hochma', 'Bina', 'Tifferet' e 'Malchut'.

Nós somos Behina Dalet de Dalet, enquanto as quatro Sefirot anteriores são os mundos. Ao interagir com os mundos, podemos receber as suas propriedades para corrigir a Behina Dalet. Todos os mundos estão dentro de nós, assim como todo o trabalho espiritual. A nossa tarefa é sentir a luz do Criador como Malchut fez no mundo do Infinito e, assim, ser corrigidos.

O que significa que Behina Dalet alcança as propriedades das Behinot anteriores? Significa que ela começa a sentir que, para além do “desejo de receber”, existe também o “desejo de doar”, que lhe faltava. Malchut ainda deseja receber prazer; no entanto, agora está imbuída do “desejo de doar”; ou seja, agora esforça-se por receber deleite ao doar.

As propriedades e desejos dentro do Kli mudam gradualmente de um anseio por uma simples receção da luz para um “desejo de doar” tudo. Essas mudanças são causadas pela luz; o comportamento do Kli depende exclusivamente dessa influência.

Estudamos as 10 Sefirot, os 10 aspetos da relação entre o Criador e a criação. Primeiro, Malchut reflete completamente a luz e, depois, calcula quanto pode receber dentro de si. Se trabalhasse com todos os seus cinco desejos, poderia receber a luz em todas as suas cinco partes. Se Malchut não tiver força anti egoísta suficiente para receber toda a luz pelo benefício do Criador, recebe apenas a porção das cinco partes da luz para a qual tem um Masach [Tela].

A capacidade de resistir aos desejos de receber prazer é chamada força de vontade. A força de resistência no Masach [Tela] é chamada rigidez (Kashiut). A intensidade do desejo de receber prazer, a paixão pelo preenchimento, é chamada espessura (Aviut). Dentro do Masach [Tela], duas propriedades de Malchut colidem: a “receção” e a força anti egoísta do Masach [Tela] de “doação”. Se o nosso “desejo de receber” egoísta tem uma Aviut de 100%, e uma força de resistência ou rigidez de apenas 20%, então só podemos receber pelo benefício do Criador esses 20%. Apenas a Kashiut determina que quantidade de egoísmo podemos usar.

Após a TA, Malchut quer mudar apenas o método de aplicar o seu desejo. Malchut compreende o seu “egoísmo”, percebe que o “desejo de receber” é a sua natureza. No entanto, essa propriedade não é negativa; tudo depende exclusivamente do método do seu uso. A sensação das propriedades do Criador, do “desejo de doar” e das Behinot anteriores surge dentro do desejo egoísta (Behina Dalet). Agora, Malchut apenas tem de se tornar semelhante a elas, ou seja, deve tornar o seu desejo de receber prazer semelhante ao delas.

Para esse fim, afasta toda a luz do seu egoísmo ao realizar Tzimtzum (Restrição) sobre si própria. Em seguida, calcula até que ponto pode assimilar as propriedades do Criador – Behinot 0, 1, 2 e 3.

O Masach [Tela] sabe exatamente quanta luz pode deixar entrar de acordo com o seu egoísmo. A Kashiut do Masach [Tela], a sua força de vontade, a força de resistir à tentação de receber prazer, deve corresponder precisamente à sua Aviut, o “desejo de receber”.

As memórias deixadas do estado anterior de estar preenchido com a luz, que ajudam Malchut a calcular as suas ações futuras, são chamadas “um registo” ou “uma memória” (os Reshimot). A realização espiritual é chamada investir.

21) Já aprendemos que a matéria do Masach [Tela] se chama 'kashiut'. É semelhante a um corpo sólido que não deixa nada entrar nele. Do mesmo modo, o Masach [Tela] impede que a Luz Superior entre em 'Malchut', ou seja, na 'Behina Dalet'. O Masach [Tela] detém e reflete toda a luz que estava destinada a preencher 'Malchut'. As cinco 'Behinot' de 'Aviut' na 'Behina Dalet' estão incluídas no Masach [Tela] segundo o seu 'kashiut'. Por isso, o Masach [Tela] realiza cinco Zivugey de Haka’a [Acoplamentos por Embate] com a luz, de acordo com as suas cinco 'Behinot' de 'Aviut'.

A luz refletida pelo Masach [Tela], composta por todas as cinco 'Behinot' de 'Aviut', eleva-se de novo, envolve a luz que vem e chega à sua origem, a 'Behina Shoresh'. No entanto, se apenas 4 das 5 partes do 'Aviut' estiverem presentes no Masach [Tela], então a sua Luz Refletida apenas "verá" quatro porções de prazer.

Na ausência das 'Behinot Alef' e 'Gimel', a 5.ª e a 4.ª partes de rigidez no Masach [Tela], este só consegue refletir a 'Ohr Hozer' até ao nível de 'Bina'. Se no Masach [Tela] existir apenas a 'Behina Alef', então a seu 'Ohr Hozer' é muito pequena e só consegue envolver a Luz Direta até ao nível de 'Tifferet', na ausência de 'Keter', 'Hochma' e 'Bina'. Se no Masach [Tela] existir apenas a 'Behina Shoresh' de 'Kashiut', então o seu poder de resistência é bastante fraco e a 'Ohr Hozer' consegue envolver a luz que chega a 'Malchut', enquanto as nove primeiras 'Sefirot' estão ausentes.

O Masach [Tela] é caracterizado por duas propriedades. Uma delas é a kashiut (força); não deixa a luz entrar em Malchut. Qualquer medida de luz que chega ao Masach [Tela] é repelida e refletida.

A segunda propriedade do Masach é a sua grossura, egoísmo, Aviut (espessura). É o que pode ser adicionado à força do Masach [Tela] de Behina Dalet e ser usado para a receção pelo benefício do Criador.

Uma vez que há cinco desejos para cinco tipos de prazer em Malchut, ele reflete todos eles, evitando assim a receção egoísta de prazer.

O Masach [Tela] é como uma cortina que podemos fechar quando a luz do sol nos incomoda. No mundo material, sabemos de que material é feita uma cortina. No mundo espiritual, o material do Masach [Tela] é chamado “Kashiut”, que é a sua força, dureza ou rigidez. Atribui-se como “muito duro, resistente” a uma pessoa que não aceita as opiniões dos outros, mas adere veementemente à sua própria.

A conclusão: O Criador (o “desejo de doar” deleite aos seres criados) preparou o “desejo de receber” e deseja preenchê-lo. No entanto, a criação é firme na sua decisão de não receber nada para si própria. Este é o propósito do Masach [Tela].

Aqui precisamos de fazer uma nota importante: não há restrição do desejo! Se o homem vê prazer diante de si, quer recebê-lo integralmente de imediato. No entanto, só pode receber aplicando a intenção pelo benefício da doação; mas isso não significa que o “desejo de receber” o prazer inteiro esteja ausente nele. Agora podemos formular uma lei: o homem faz uma restrição sobre o prazer que não pode recusar e recebe o prazer que pode renunciar.

Por exemplo, o homem diz ao seu corpo em Yom Kippur: “Deves saber que hoje não deves receber comida, por isso não sintas fome!” No entanto, o seu corpo não obedece… Porquê que está concebido assim? O Criador criou o “desejo de receber”; portanto, é invariável. Se este desejo desaparece, então o homem já não está vivo.

Algumas pessoas falam sobre a eliminação de desejos. Eis o que o Rabino Israel de Ruzhin disse a este respeito: “Aquele que eliminou um desejo, receberá dois em vez disso”. É impossível e desnecessário eliminar o “desejo de receber”; deve-se orar por uma oportunidade de usá-lo com a intenção pelo benefício do Criador.

A diferença entre os seres criados depende do tamanho do “desejo de receber”. Alguém com grandes aspirações é chamado grande; alguém com um pequeno “desejo de receber” é chamado pequeno.

O nosso nível espiritual é determinado pela forma como a nossa Luz Refletida pode envolver completamente a Luz Direta inteira que vem até nós, todos os prazeres antecipados por nós, para que possamos recebê-los pelo benefício do Criador. Podemos estar no nível de Malchut, ZA, Bina, ou talvez até Hochma ou Keter.

Malchut do mundo do Infinito divide-se em muitas partes, mas todas diferem umas das outras apenas pelas propriedades do Masach [Tela]. No mundo de Assiya, Malchut é semelhante ao Criador em talvez 20%, 40% no mundo de Yetzira; 60% no mundo de Beria; 80% no mundo de Atzilut, e no mundo de Adam Kadmon (AK) Malchut é 100% igual ao Criador.

Os níveis diferem apenas pela força do seu Masach [Tela]. Não há Masach [Tela] no nosso mundo. Por isso, não podemos sentir o Criador e existimos num espaço absolutamente vazio. Assim que o homem adquire o Masach [Tela], começa já a sentir o mundo espiritual no nível mais baixo do mundo de Assiya. Ascendemos com a ajuda do aumento da força do Masach [Tela].

O que é a transição de um nível espiritual para outro? Significa adquirir as propriedades de um novo nível superior. Se num certo nível, o homem pode aumentar a magnitude do seu Masach [Tela]; isso pode elevá-lo ao nível seguinte. Quanto mais alto o nível, mais diferente é a sensação, alcançar o universo.

Dissemos que, quando há cinco Behinot de Aviut no Masach [Tela], a Ohr Hozer atinge o nível mais alto (a luz de Keter, Ohr Yechida). Então o Kli recebe todas as luzes: Keter, Hochma, Bina, Tifferet e Malchut de todas as Behinot anteriores.

Na ausência da Behina mais espessa (Dalet) no Masach [Tela], isto é, a intenção pelo benefício do Criador nos desejos mais intensos, a luz mais alta (Keter, Yechida) também está ausente no Kli, enquanto o Masach [Tela] atinge o nível da luz de Hochma (Ohr Haya). Na ausência de Aviut Dalet e Gimel no Masach [Tela], as luzes de Keter e Hochma (Ohr Yechida e Haya) estão ausentes no Kli; ele trabalha com Aviut Bet e a luz de Bina (Ohr Neshama).

Se a Aviut do Masach [Tela] for Alef, então as luzes de Tifferet e Malchut (Ohr Ruach e Nefesh) estão presentes. Finalmente, o Masach [Tela] com a Aviut Shoresh eleva a Ohr Hozer apenas até ao nível da luz de Malchut (Ohr Nefesh), e apenas esta luz está presente no Kli. Para facilitar, dizemos geralmente que o masach é colocado antes de Malchut, embora tenhamos de entender que o masach se expande sobre toda a Malchut, sobre todos os desejos do Kli.

Porquê que a luz mais alta está ausente na ausência de Aviut Dalet? Acontece porque há uma relação inversa entre a Ohr e o Kli, a luz e o vaso. Se o masach [Tela] tiver um Aviut máximo, eleva a Ohr Hozer ao nível mais alto, ou seja, à luz de Keter. Significa que com o Masach [Tela] “mais forte”, a Ohr Hozer pode envolver todos os prazeres que estão diante do Masach [Tela] e deixá-los entrar no Partzuf.

22) Os cinco níveis ('Behinot') das 10 'Sefirot' da Luz Refletida surgem devido a cinco tipos de 'Zivugey de Haka’a' [Acoplamentos por Embate] da Luz Superior com os cinco níveis de 'Aviut' do Masach [Tela]. Esta luz não é percebida nem alcançada espiritualmente por ninguém se não existir um vaso para a receber.

Estas cinco fases surgem das cinco 'Behinot' de 'Aviut' da 'Behina Dalet', que antes da Tzimtzum Alef [Primeira Restrição] eram os cinco vasos de recepção da 'Behina Dalet'; elas envolviam as 10 'Sefirot': 'Keter', 'Hochma', 'Bina', 'Tifferet' e 'Malchut'. Depois da Tzimtzum Alef [Primeira Restrição], estas mesmas cinco 'Behinot' aderem com as cinco 'Behinot' do Masach [Tela] e, com a ajuda da Luz Refletida, voltam a tornar-se vasos de recepção em substituição das cinco 'Behinot' da 'Behina Dalet', que desempenhavam esse papel antes da Tzimtzum Alef [Primeira Restrição].

Agora podemos compreender que, se o Masach [Tela] possui todas estas cinco 'Behinot' de 'Aviut', então tem cinco vasos para envolver as 10 'Sefirot', ou seja, para receber a Luz Superior. Se o 'Aviut' da 'Behina Dalet' estiver ausente no Masach [Tela], este possui apenas quatro vasos e só pode receber as quatro luzes correspondentes a 'Hochma', 'Bina', 'Tifferet' e 'Malchut', mas não consegue receber a luz de 'Keter'.

Se o 'Aviut' da 'Behina Gimel' estiver ausente no Masach [Tela], este possui apenas três vasos e só pode receber as três luzes correspondentes a 'Bina', 'Tifferet' e 'Malchut'. As luzes correspondentes a 'Keter' e 'Hochma', bem como os vasos correspondentes às 'Behinot Gimel' e 'Dalet', estão ausentes nele.

Se o Masach [Tela] tiver apenas dois níveis de 'Aviut' — 'Shoresh' e 'Behina Alef' —, possui apenas os dois vasos correspondentes às luzes de 'Tifferet' e 'Malchut'. Verifica-se então que tal 'Partzuf' carece das três luzes de 'Keter', 'Hochma' e 'Bina', bem como dos três vasos correspondentes às 'Behinot Bet', 'Gimel' e 'Dalet'. Se o Masach [Tela] tiver apenas 'Aviut Shoresh', então possui apenas um vaso com apenas a luz de 'Malchut' ('Nefesh').

As restantes luzes — 'Keter', 'Hochma', 'Tifferet' e 'Malchut' — estão ausentes nele. Por conseguinte, o tamanho de cada 'Partzuf' depende unicamente do 'Aviut' [espessura] do Masach [Tela]. O Masach [Tela] com o 'Aviut' da 'Behina Dalet' cria um 'Partzuf' composto por cinco níveis, incluindo 'Keter'. O Masach [Tela] com 'Aviut' da 'Behina Gimel' cria um 'Partzuf' composto por quatro níveis até 'Hochma', e assim sucessivamente.

Há cinco níveis do desejo de receber prazer no Masach [Tela], ou seja, 5 níveis de força anti egoísta de resistência ao prazer. Duas das suas forças, espessura (Aviut) e força (Kashiut), devem estar equilibradas. Então Malchut tem liberdade de escolha e pode tomar as suas próprias decisões, uma vez que é independente dos seus próprios desejos e prazeres.

A Ohr Yashar é igual à Ohr Hozer, o que significa que a criação deseja doar ao Criador o mesmo prazer que Ele preparou para ela. A Ohr Hozer (intenção) reveste, por assim dizer, sobre o deleite do Criador; isso demonstra que o Kli não o quer para si, mas devolve o deleite a Ele.

Na ausência de mais um desejo (a ausência do “desejo de doar” é o que se entende e não um “desejo de receber” egoísta, uma vez que este último nunca desaparece), Gimel, o Masach [Tela] pode envolver apenas três luzes na sua Luz Refletida. Portanto, não será capaz de “ver” as luzes de Yechida e Haya. É por isso que não podemos sentir a luz do Criador no nosso mundo. Inicialmente não possuímos o Masach [Tela] e a luz refletida por ele sem a qual é impossível ver ou sentir a luz do Criador.

A quantidade de Luz Refletida depende da força do Masach [Tela]: quanto mais forte o Masach [Tela], mais alto o nível da Luz Refletida, mais longe o Kli vê e mais pode receber pelo benefício do Criador. À medida que o Masach [Tela] enfraquece, o Kli vê menos e, consequentemente, pode receber menos pelo benefício do Criador.

Não há mudanças no Masach [Tela]. Todas as mudanças são apenas no Aviut. O Masach [Tela] é a força de resistência ao egoísmo; está presente em cada propriedade. A diferença está na Aviut, no número de desejos egoísticos providos com o Masach [Tela]. Estudamos apenas quatro níveis de Aviut, uma vez que Keter não tem Aviut (o “desejo de receber”); ele apenas quer doar.

O desejo de dar prazer aos seres criados – Keter – invocou o “desejo de receber” nas Sefirot inferiores; portanto, Keter é a raiz de Aviut. Quando o objeto espiritual inferior é incapaz de receber com a intenção pelo benefício do Criador, usa a Aviut Shoresh, ou seja, pode realizar apenas atos de doação com a intenção pelo benefício do Criador.

Há a luz – prazer, o Kli – o “desejo de receber” e o Masach [Tela] – a força de resistir ao prazer, que o Kli cria para se tornar como o Criador. Não há mais nada em todo o universo! Devemos recordar-nos constantemente disto e tentar interpretar a Cabala com a ajuda destes três componentes.

Não podemos sentir quaisquer prazeres espirituais porque nos falta mesmo um Masach [Tela] mínimo. A força de vontade do Masach [Tela] determina com que prazer o cabalista trabalha. Após a TA [Primeira Restrição], o Kli inclui não apenas o “desejo de receber”, mas também o “desejo de receber” com o Masach [Tela], isto é, não para benefício próprio, mas para o Criador.

Quando não há masach [Tela] para um certo desejo, significa que um cabalista não pode trabalhar com ele, isto é, não é apto para ser preenchido com a luz; por isso dizemos que está ausente. Não desaparece; simplesmente não se trabalha com ele. O nível espiritual (Koma) de um Partzuf depende da intensidade do desejo adaptado ao Masach [Tela].

A oposição ao desejo mais intenso – Dalet, dá origem ao Partzuf do nível mais alto – Keter. A oposição ao desejo do nível Gimel dá origem ao Partzuf de Hochma, que é um degrau abaixo de Keter. A força de oposição ao desejo Bet cria o Partzuf do nível de Bina, um degrau mais baixo que o anterior, isto é, pode assemelhar-se ao Criador ainda menos do que com o Masach [Tela] Gimel.

Se o Masach [Tela] pode resistir ao desejo – Alef, significa que o nível espiritual do cabalista é Tifferet. Se pode resistir ao desejo mais pequeno – Shoresh, então dá origem ao Partzuf mais pequeno, Malchut.

Os desejos egoístas devem ser usados apenas na medida da força de vontade para os resistir. Não se pode trabalhar com desejos não corrigidos sem o Masach [Tela]; devem ser neutralizados e restringidos. Os desejos não aparecem nem desaparecem; são criados pelo Criador. Apenas o seu uso depende do homem.

Tudo depende da força de resistência do Masach [Tela], a intenção, que transforma um receptor num doador. É nisso que consiste o “jogo” entre o Criador e a criação: transformar um desejo egoísta num altruísta, ou seja, dirigi-lo para o Criador.

Todos os desejos estão em Malchut ou no mundo do Infinito; usamo-los de acordo com o Masach [Tela], que surge nele em cada caso. Há Masachim [Telas] com a ajuda das quais Malchut constrói mundos e aqueles que formam vários Partzufim. Certos tipos de Masachim [Telas] promovem o aparecimento de almas. São todos partes de Malchut ou do mundo do Infinito.

Renunciar a um certo prazer é mais fácil do que recebê-lo de alguém que o dá. Pode-se sempre receber pelo benefício do Criador menos do que se pode renunciar ou não “trabalhar” com ele.

Se um Kli decide receber egoisticamente, ou seja, tem um desejo sem Masach [Tela], a luz aproxima-se primeiro do Kli (o Kli atrai a luz), mas assim que a luz deseja entrar nele, a lei da TA entra em ação e a luz recua.

Quando Malchut ou o mundo do Infinito realizou a TA [Primeira Restrição], o Criador aceitou esta lei. Por isso, não podemos usar abertamente o nosso egoísmo. Estamos sob a influência desta lei; portanto, não podemos sentir quaisquer prazeres espirituais até conseguirmos criar um Masach [Tela] para eles.

Além disso, o que são os prazeres deste mundo? Constituem a micro-dose de luz (o Ner Dakik) de toda a Malchut do mundo do Infinito, que nos foi permitido sentir e que pode existir fora da TA. Transcender este mundo é possível apenas através da aquisição do masach [Tela].

Se há masach [Tela] para um prazer maior, então também está disponível para um menor. Para deixar de receber deleite para si mesmo, deve-se adicionar uma intenção a esse prazer (a Ohr Hozer) e recebê-lo pelo benefício do Doador.

O movimento no mundo espiritual ocorre apenas devido ao fortalecimento ou enfraquecimento do masach [Tela]. Toda a criação, Malchut do mundo do Infinito, adquire gradualmente o Masach [Tela] para todos os seus desejos. Quando todos os desejos de Malchut estiverem adaptados ao Masach [Tela], alcançará o estado de “a Correção Final” (o Gmar Tikkun). Este é o significado de todas as ações da criação.

A criação do Masach [Tela], a sua interação com a luz, a Ohr Hozer envolvendo a luz, é chamado “um mandamento”, uma Mitzvah. A luz recebida é chamada “a Torá”. No total, há 620 níveis, degraus, medidas da interação do Masach [Tela] com a luz para receber todas as centelhas de luz em todos os desejos de Malchut. Quando Malchut está completamente preenchida com a luz do Criador, significa que recebeu toda a Torá e alcançou a perfeição.

23) É necessário compreender por que razão, na ausência do vaso de 'Malchut', falta a luz de 'Keter', e por que razão falta a luz de 'Hochma' quando também está ausente o vaso de 'Tifferet'. À primeira vista, tudo deveria ser ao contrário. Se o 'Aviut' da 'Behina Dalet' estiver ausente no Masach [Tela], então deveria faltar a luz de 'Malchut' ('Nefesh'). Se estiverem ausentes dois vasos — 'Behina Gimel' e 'Behina Dalet' —, deveriam faltar igualmente as luzes de 'Tifferet' e 'Malchut'.

Supostamente, se não houver força de resistência para o maior desejo (Malchut), então a luz de Malchut deveria, presumivelmente, estar ausente, isto é, a luz que preenche este desejo. Então, por que afirmamos que a maior luz (Keter) está ausente neste caso? Não é esta a luz que preenche Behina Keter?

Isso pode ser explicado pela relação inversa entre a luz e o vaso, ou seja, primeiro o desejo menor (Keter) é preenchido com a luz menor de Malchut (Nefesh), até agora não relacionado com o Kli formado e ocupando temporariamente o seu lugar. No entanto, à medida que o desejo cresce gradualmente, ou melhor, ao adquirir o Masach [Tela] para mais desejos, luzes maiores preenchem o Kli Keter. Enquanto isso, Hochma, Bina, Tifferet e Malchut são preenchidos com várias luzes até que Malchut é finalmente preenchida com a luz de Nefesh e Keter, mais a luz de Yechida.

24) Na verdade, existe uma relação inversa entre as luzes e os vasos. Primeiro surgem e começam a crescer no 'Partzuf' os vasos superiores, desde 'Keter' até 'Hochma' e assim sucessivamente até 'Malchut'.

Por isso chamamos aos vasos segundo a ordem do seu crescimento: 'Keter', 'Hochma', 'Bina', 'Tifferet' e 'Malchut' ('KHB-TuM'), de cima para baixo. As luzes entram no 'Partzuf' numa ordem oposta, primeiro as inferiores: a luz mais inferior — 'Nefesh' (o seu lugar é dentro de 'Malchut') —, depois 'Ruach' (a luz de 'Zeir Anpin') e assim sucessivamente até 'Yechida'.

Por conseguinte, nomeamos as luzes pela seguinte ordem: 'Nefesh', 'Ruach', 'Neshama', 'Haya' e 'Yechida' ('NaRaNHaY'), de baixo para cima, segundo a ordem da sua entrada no 'Partzuf'. Quando o 'Partzuf' tem apenas um vaso (o que só pode ser 'Keter'), a primeira luz a entrar nele não é a 'Yechida', que deve estar dentro dele, mas sim a 'Nefesh', a luz mais inferior.

Quando surgem no 'Partzuf' dois vasos superiores — 'Keter' e 'Hochma' —, então também entra nele a luz 'Ruach'. A luz 'Nefesh' sai do vaso 'Keter' e desce para o vaso 'Hochma', enquanto a luz 'Ruach' entra no vaso 'Keter'. Quando surge o terceiro vaso 'Bina' no 'Partzuf', a luz 'Nefesh' sai do vaso 'Hochma' e desce para o vaso 'Bina', enquanto a luz 'Ruach' desce para o vaso 'Hochma' e a luz 'Neshama' entra no vaso 'Keter'.

Quando surge o quarto vaso 'Tifferet' no 'Partzuf', entra nele a luz 'Haya'; a luz 'Nefesh' sai do vaso 'Bina' e desce para o vaso 'Tifferet'. Enquanto a luz 'Ruach' desce para o vaso 'Bina', a luz 'Neshama' entra no vaso 'Hochma' e a luz 'Haya' entra no vaso 'Keter'.

Quando surge 'Malchut'  o quinto vaso no 'Partzuf', entra nele a luz 'Yechida'. Todas as luzes estão agora nos seus lugares, pois a luz 'Nefesh' sai do vaso 'Tifferet' e desce para o vaso 'Malchut', enquanto a luz 'Ruach' desce para o vaso 'Tifferet', a luz 'Neshama' entra no vaso 'Bina', a luz 'Haya' entra no vaso 'Hochma' e a luz 'Yechida' entra no vaso 'Keter'.

Quando o 'Partzuf' composto por cinco partes do "desejo de receber" (os 'Kelim Keter', 'Hochma', 'Bina', 'Tifferet' e 'Malchut') se enche de luz, a 'Nefesh' está em 'Malchut', a 'Ruach' está em 'Tifferet', a 'Neshama' está em 'Bina', a 'Haya' está em 'Hochma' e a 'Yechida' está em 'Keter'. É assim que se apresenta um 'Partzuf' completamente preenchido.

Contudo, a formação, isto é, a correção dos Kelim, a sua aquisição do Masach [Tela], ocorre do mais altruísta (Keter) ao mais egoísta (Malchut), de cima para baixo. O seu preenchimento com as luzes começa pela mais fraca (Nefesh) até ao prazer mais intenso (Yechida).

Gradualmente, todas as luzes entram primeiro em Keter, uma após a outra. O preenchimento do Partzuf ocorre sempre na seguinte ordem: Keter – Hochma – Bina – Tifferet – Malchut. As luzes entram na seguinte ordem: Nefesh – Ruach – Neshama – Haya – Yechida. A regra estabelece: o Kli começa a crescer a partir da Sefira mais alta, enquanto as luzes entram a partir da mais baixa. É semelhante a dois cilindros que se encaixam um no outro.

De acordo com a ordem de entrada no Partzuf, de Nefesh a Yechida, as luzes são abreviadas como NaRaNHaY, da menor à maior; enquanto os Kelim são abreviados segundo a sua ordem descendente KaHaB-TuM.

Vemos o mesmo fenómeno na nossa vida: se queremos resistir a algum prazer enquanto permanecemos de alguma forma ligados a ele, começamos sempre pelo menor, passando gradualmente para prazeres cada vez mais intensos, até estarmos seguro de que mesmo os maiores prazeres que podemos receber não são para nosso próprio benefício.

Quando dizemos que nasce um novo Kli, significa que há um Masach [Tela] para o prazer correspondente, a força de resistir a esse deleite, a intenção de receber pelo benefício do Criador. Consequentemente, o Partzuf é preenchido com a luz que corresponde à força oposta.

O Masach [Tela] surge como resultado de estudos focados e trabalho em grupo com a intenção adequada. Quando um cabalista adquire um Masach [Tela] para o desejo menor, trabalha apenas com ele. Os restantes desejos são simplesmente postos de lado e restringidos. Devido aos esforços do homem, o Masach [Tela] torna-se mais forte, ou seja, surge uma força adicional de resistência a um desejo maior, e o homem começa a trabalhar com dois desejos e recebe duas luzes.

Isso continua até que haja um Masach [Tela] para todos os cinco desejos, quando todas as luzes podem ser recebidas pelo benefício do Criador. Cada vez que o homem consegue trabalhar com novos desejos, os anteriores aproximam-se da perfeição, pois, junto com a luz que estava neles, entra uma nova luz mais poderosa, trazendo maior prazer.

Se a pessoa que estuda consistentemente num grupo de pessoas com ideias semelhantes e ouve as explicações do Professor pode, depois, concentrar-se nas mesmas questões espirituais, estando em vários estados e circunstâncias do nosso mundo, então, na próxima vez que vier estudar, sentirá mais do que na vez anterior. Receberá uma luz superior, pois agora trabalha com Kelim mais puros e não pensa em prazeres animais. É isso que significa a relação inversa entre as Ohrot e os Kelim (as luzes e os vasos).

A terra de Israel diferencia-se de todos os outros lugares pelo seu mais alto nível de egoísmo. É o lugar mais difícil para o trabalho espiritual. No entanto, ao mesmo tempo, é único e o mais favorável.

As semanas que passei no estrangeiro pareceram estar num vácuo. Há um avanço espiritual mínimo no mundo exterior. Tenho grupos de alunos no estrangeiro, mas é impossível avançar fora de Israel. Os cabalistas devem viver apenas aqui.

Esta terra tem um potencial espiritual especial. O Baal HaSulam escreveu que Jerusalém é o lugar da destruição do Templo. A força mais poderosa está presente ali, mas também as forças impuras mais poderosas, as Klipot.

O Kli Keter, a Aviut de Shoresh, está desenhado para o menor ou o maior prazer? – Está destinado ao maior deleite – a Ohr Yechida, que entra em Keter por último, quando o Masach se torna forte o suficiente para se opor ao desejo mais intenso de Malchut. Ou seja, ao trabalhar com os desejos mais baixos, criando para eles a intenção de receber prazer pelo benefício do Criador, o cabalista recebe o maior deleite – a Ohr Yechida, que entra no Kli Keter mais puro.

Se, ao preencher os seus desejos animais mais espessos, o homem consegue pensar no Criador e no Propósito da Criação, então, enquanto aprende, estuda textos cabalísticos e também ora, certamente estabelecerá um melhor contacto com o Criador.

Há cinco desejos de receber prazer no Kli. O seu “tamanho” ou “volume” depende apenas do asach [Tela]. O nível de desejo que ele pode resistir determina a luz que entrará no Kli, ou seja, o nível do Kli. Primeiro, trabalha-se com o Kli de Aviut de Shoresh e gradualmente cria-se o Masach [Tela] para Aviut Alef.

Quando este processo termina, será possível receber o mesmo Masach [Tela] para Aviut Alef e trabalhar com ele. A seguir, pouco a pouco, cria-se um Masach [Tela] para Aviut Bet, Gimel e Dalet. O Kli com a Aviut inicial Shoresh deve ter rudimentos do Masach [Tela] para todas as cinco Behinot, para construir o Masach [Tela] para todos esses tipos de Aviut.

O Kli constrói-se gradualmente, indo dos desejos mais pequenos aos maiores. Isso acontece nesta ordem para evitar a receção egoísta de prazer. Os desejos são medidos de acordo com a intensidade do prazer sentido. É assim que a humanidade progride, de desejos pequenos para maiores.

Ao começar a trabalhar com o desejo menor (Keter), o homem transforma-o num altruísta com a ajuda do Masach [Tela]. Depois, recebe a luz Nefesh, sentindo grande prazer, porque o Criador é parcialmente revelado nela, ou seja, de acordo com o tamanho da correção do Kli, ele torna-se igual ao Criador.

A Ohr Nefesh é um deleite de estar unido com o Criador na parte menor, a quinta parte, onde se consegue sentir eternidade, sabedoria, conhecimento absoluto, deleite requintado e perfeição.

Tal estado do Kli significa transcender os limites do nosso mundo, da nossa natureza. Até agora, o Kli é incapaz de ver além desse estado. No entanto, à medida que se desenvolve, começa a sentir estados cada vez mais perfeitos, recebendo prazeres cada vez maiores.

A receção da Ohr Nefesh pelo homem significa a receção de todas as cinco partes dessa luz: Nefesh de Nefesh, Ruach de Nefesh, Neshama de Nefesh, Haya de Nefesh e Yechida de Nefesh (“de” significa “de”). Qualquer Kli, qualquer receção, também consiste em cinco partes. É semelhante à forma como recebemos informação neste mundo através dos nossos cinco sentidos: visão, audição, olfato, paladar e tato.

Todas estas cinco luzes devem manifestar-se no Kli Keter, onde a luz Nefesh entra primeiro. O mesmo acontece com o resto das luzes. Todos os adornos religiosos externos apenas sugerem ações espirituais. Grandes cabalistas em cada geração introduziram certas regras na vida das massas religiosas para as ligar à Torá e assim educá-las.

Por exemplo, há a tradição de vestir duas vestes, que simboliza os dois tipos de “Levushim” (roupas) que revestem a alma no mundo de Atzilut. Todos esses rituais religiosos têm um significado cabalístico. A lei espiritual principal é a equivalência das propriedades do homem, os seus desejos, com os do Criador.

A luz do Criador é homogénea por natureza. Um certo Kli, dependendo dos seus parâmetros internos, distingue na luz homogénea vários “sabores”, ou seja, diferentes tipos de prazer: a Ohr Yashar, a Ohr Hozer, a Ohr Elion, a Ohr Pnimi, a Ohr Makif, etc. É a mesma luz; tudo depende de como o Kli a percebe. Antes de entrar no Kli, é chamada a Luz Superior simples (a Ohr Elion Mufshat), uma vez que nenhuma diversidade de propriedades pode ser distinguida nela.

Isto assemelha-se ao exemplo do Baal HaSulam sobre o mana celestial, que não tem sabor, enquanto cada um sente o sabor que corresponde às suas propriedades. Se a Luz Superior simples brilha no Rosh [cabeça] do Partzuf, é chamada “a Ohr Yashar” (a Luz Direta). A luz refletida pelo Masach [Tela] (a Ohr Hozer) envolve a Ohr Yashar, e quando ambos entram no Kli, esta luz recebe outro nome – a Ohr Pnimi (a Luz Interna) ou ta’amim “o sabor”.

Uma vez que o Partzuf recebe apenas uma certa porção da luz que chega, a parte não recolhida dela permanece fora do Kli. Esta parte da luz é chamada “a Ohr Makif” (a Luz Circundante). O Partzuf receberá gradualmente esta luz em pequenas porções. O estado em que toda a Luz Circundante poderá entrar no Partzuf é chamado Gmar Tikkun (a Correção Final).

A luz que sai do Kli é chamada “Nekudot” – pontos, porque Malchut é chamada um ponto, um ponto negro, devido às suas propriedades egoístas, que são incapazes de receber a luz após a TA [Primeira Restrição]. Ao preencher o Partzuf com a Luz Interna, a Luz Circundante pressiona o Masach [Tela] no Tabur, para que o Kli possa receber a luz deixada fora.

No entanto, o Partzuf não tem o Masach adequado para esta luz. Portanto, se a receber (já lhe falta a intenção pelo benefício do Criador), tal receção será egoísta. Como a restrição sobre receber a luz é uma consequência do desejo egoísta de Malchut (o ponto negro), a luz que sai de Malchut é chamada “Nekudot”.

Quando a Luz Interna sai do Partzuf e brilha sobre ele de longe, provoca uma sensação especial, uma impressão dentro do Kli, chamada recordações (Reshimot). Estas recordações constituem a informação vital sem a qual o Partzuf não pode saber o que fazer a seguir.

25) Até que se complete a formação de todos os cinco 'Kelim' no 'Partzuf', as suas cinco luzes não se encontram nos seus lugares; mais ainda, estão dispostas numa ordem inversa. Na ausência do 'Kli Malchut', falta no 'Partzuf' a luz 'Yechida'. Na ausência dos dois vasos 'Malchut' e 'Tifferet', não existem as luzes 'Yechida' e 'Haya'. Por um lado, nascem os vasos puros, de 'Keter' até 'Malchut'; por outro lado, as luzes mais fracas (a começar pela 'Nefesh') são as primeiras a entrar neles. 

Uma vez que qualquer receção de luz ocorre nos vasos mais puros, cada nova luz tem de entrar no 'Kli Keter'. À medida que a nova luz entra no 'Kli Keter', a luz que lá estava desce para o 'Kli Hochma'. Quando existe um 'Masach' para o vaso 'Hochma', a 'Ohr Ruach' entra no 'Kli Keter' e a 'Ohr Nefesh' desce para 'Hochma'.

À medida que o Masach [Tela] se fortalece, formam-se os vasos seguintes: 'Bina', 'Tifferet' e 'Malchut', e as luzes 'Neshama', 'Haya' e 'Yechida' conseguem, uma a uma, passar por 'Keter' e preencher todos os vasos. Todas as luzes entram nos seus lugares próprios: 'Nefesh' em 'Malchut', 'Ruach' em 'Tifferet', 'Neshama' em 'Bina', 'Haya' em 'Hochma' e 'Yechida' em 'Keter'.

Recordem esta regra sobre a relação inversa entre as luzes e os vasos, e podem sempre distinguir, sem confusão, se num determinado contexto se fala das luzes ou dos vasos. Aprendemos assim sobre as cinco 'Behinot' (níveis) do Masach [Tela] e sobre a forma como os níveis do 'Kli' surgem uns sob os outros em correspondência com elas.

Cada nova luz é milhares de milhões de vezes mais intensa do que a anterior. Portanto, cada nível subsequente é percebido como um mundo totalmente diferente. No nosso mundo, onde não temos Masach [Tela] algum, não podemos ver a luz que está diante de nós. Só se pode ver com a ajuda da Luz Refletida (a Ohr Hozer) e apenas na medida em que Malchut a reflete.

No entanto, ao estudar a Cabala, estimulamos a Ohr Makif até que ele crie em nós o Kli Keter primário, onde receberemos instantaneamente a Ohr Nefesh. Este estado significa o nosso nascimento espiritual, cruzando a barreira (o Machsom) entre o nosso mundo e o espiritual. Significa que estamos no nível mais baixo do mundo de Assiya.

Ao continuar a trabalhar na nossa correção, adquirimos o próximo Masach [Tela] do Aviut Alef e recebemos a luz Ruach. A seguir, adquirimos os Masachim [Telas], para os Kelim Bet, Gimel e Dalet e, consequentemente, recebemos as luzes Neshama, Haya e Yechida. Agora, todas as luzes estão nos seus lugares corretos.

Como podemos estabelecer um Masach [Tela]? Se eu pudesse conhecer e sentir as minhas propriedades egoístas hoje, fugiria das correções! Não há nada que o meu egoísmo odeie mais do que o Masach [Tela]. No entanto, não posso escapar do espiritual pelo motivo de estar inconsciente do meu próprio egoísmo ou não compreender as minhas propriedades. Tal estado inicial “inconsciente” é deliberadamente criado para que não rejeitemos a espiritualidade, mas para que aspiremos a ela por curiosidade e desejo de melhorar o nosso futuro.

Portanto, o princípio consiste em cruzar a barreira apesar da nossa própria natureza. Isso acontece inconscientemente; o homem não sabe para onde se dirige ou quando isso pode acontecer. Após cruzar o Machsom, o homem começa a ver que, até aquele momento, estava num estado de sonho.

Dois processos precedem o cruzamento do Machsom, o primeiro sendo a compreensão do próprio mal. O homem começa a entender quão prejudicial é o seu egoísmo para ele. O segundo processo consiste na realização de que a espiritualidade é muito atrativa, e não há nada mais valioso, magnífico ou eterno do que isso.

Estes dois pontos opostos (realização do mal e atração do espiritual) convergem na pessoa comum para criar um nível zero. À medida que avançam espiritualmente, começam a afastar-se um do outro. Ao mesmo tempo, a espiritualidade eleva-se aos olhos do homem, enquanto o seu egoísmo é percebido como mal.

Esta diferença entre eles, a própria avaliação do espiritual e a crítica do egoísmo, aumenta tanto que provoca um clamor interno, um pedido por uma solução para o problema. Se este clamor atingir a intensidade necessária, o Masach [Tela] é dado a alguém do Alto.

O estudo do egoísmo, a sua correção e uso adequado, constitui toda a jornada do homem desde o estado inicial até ao fim último (o Gmar Tikkun). Nos mundos espirituais, o homem continua a estudar o seu egoísmo em cada nível. Quanto mais alto ascendemos, mais egoísmo nos é adicionado, para que, ao trabalhar com ele, possamos transformá-lo em altruísmo.

Tudo o que dizemos é visto do ponto de vista da criação. Não podemos dizer nada sobre o Criador, uma vez que não sabemos realmente quem Ele é. A nível pessoal, apenas sabemos como Ele é percebido nas nossas sensações. Apenas os filósofos têm tempo para especular sobre algo que nunca pode ser alcançado. Assim, esta ciência degenerou completamente.

A Cabala opera apenas com o que os cabalistas sentiram e desenharam distintamente sobre si próprios e nos transmitiram numa linguagem cabalística especial. Todos podem reproduzir esse processo internamente como numa experiência científica rigorosa.

O instrumento de tal experiência é o Masach [Tela] que o homem deve criar no ponto médio do seu próprio egoísmo; este “eu” desenvolve-se com a ajuda do método chamado Cabala.

Há dois tipos de Masach [Tela]. O primeiro está posicionado à frente do Kli, no Peh de Partzuf, isto é, em Malchut de Rosh. Ele reflete toda a luz, como se estivesse a guardar a implementação da TA [Primeira Restrição]. O segundo Masach [Tela] recebe a luz; trabalha com a Aviut que está posicionada em Malchut de Guf. Absorve todo o egoísmo que pode ser transformado em receção pelo benefício do Criador.

Geralmente, o Masach [Tela] está sempre em Malchut, o ponto mais baixo do Partzuf. Reflexão e receção são duas das suas ações. A primeira forma o Rosh, enquanto a segunda forma o Guf do Partzuf. Para mais detalhes, veja a Parte 3 (“Histaklut Pnimit”), capítulo 14, p. 5 de “O Estudo das Dez Sefirot”.