O Enfraquecimento do Masach [Tela] para a criação do Partzuf
30) Para compreendermos o desenvolvimento dos níveis espirituais, expresso pelos cinco Partzufim decrescentes do mundo de AK, e todos os níveis dos cinco Partzufim de cada um dos quatro mundos de ABYA, até Malchut do mundo de Assiya, temos de aprender correctamente o que é o enfraquecimento do Masach de Guf. Este ocorre em todos os Partzufim dos mundos de AK, Nikudim e Atzilut (o mundo da Correcção).
Todos os níveis, começando pelo Mundo do Infinito (Olam Ein Sof) até ao nosso mundo, são criados segundo o mesmo esquema. Quanto mais afastado um nível está do Mundo do Infinito, mais fino e fraco se torna o Masach [Tela]. Por causa disso, Malchut recebe cada vez menos luz à medida que os seus níveis descem mais e mais, até que, gradualmente, Malchut desce do seu estado mais elevado – o Olam Ein Sof – e atinge o seu estado mais baixo – o nosso mundo.
31) O facto é que qualquer Partzuf, ou mesmo qualquer nível espiritual, possui dois tipos de luz: a Ohr Makif (Luz Circundante) e a Ohr Pnimi (Luz Interior). Como foi esclarecido, no primeiro Partzuf do mundo de AK, Galgalta, a Luz Circundante é a luz do Mundo do Infinito, que preenche todo o Universo. Após a Tzimtzum Alef [Primeira Restrição] e o surgimento do Masach, realiza-se o Zivug de Haka'a [Acoplamento por Impacto] entre toda a luz do Mundo do Infinito e este Masach.
A Ohr Hozer que surgiu como resultado deste Zivug permitiu que uma parte da Luz Superior entrasse no mundo da Restrição (o Olam HaTzimtzum) e criou assim as dez Sefirot de Rosh e as dez Sefirot de Guf, conforme foi dito no §25.
Contudo, não entrou toda a luz no Partzuf Galgalta. Agora a luz do Mundo do Infinito já não preenche todo o Universo, como acontecia antes da Tzimtzum Alef [Primeira Restrição]. Agora existem Rosh e Sof, ou seja, enquanto as dez Sefirot se expandem para baixo, a luz detém-se no ponto "deste mundo", na Malchut "limitadora", como se diz: "os seus pés estão no Monte das Oliveiras"…
Para além disso, agora existe a noção "de dentro para fora". Tal como a expansão descendente das dez Sefirot Keter, Hochma, Bina, Tifferet, Malchut (KHB-TuM) e da Malchut limitadora, existe igualmente a expansão das dez Sefirot KHB-TuM de dentro para fora.
Aqui as Sefirot chamam-se: Mocha — cérebro (Keter), Atzamot — ossos (Hochma), Gidin — tendões (Bina), Basar — carne (Tifferet) e Or — pele (Malchut; "Or" com a letra "Ayin", e não com "Alef", ou seja, "a luz"). No que respeita ao Mundo do Infinito, onde todo o Universo estava cheio com a luz do Partzuf Galgalta, agora existe apenas um fino raio de luz. A Or-pele (Malchut) limita o Partzuf pelo exterior, impedindo que a luz se "alargue" mais e preencha o espaço vazio.
A quantidade de luz (o seu fino raio) recebida em Galgalta chama-se "Ohr Pnimi" (Luz Interior). A enorme quantidade de luz do Mundo do Infinito, que não entrou em Galgalta, permaneceu no exterior. Agora esta luz chama-se Ohr Makif (Luz Circundante). Não consegue entrar no Partzuf, mas rodeia-o por todos os lados.
Qualquer parte de Malchut é chamada um nível se tiver preenchido cada um dos seus desejos com a luz, utilizando um Masach [Tela]. Cada nível recebido por Malchut divide a luz que chega em duas partes: a Ohr Pnimi, que entra no Partzuf, e a Ohr Makif.
O Masach [Tela] vê toda a luz que lhe chega com a ajuda da Ohr Hozer e, em seguida, determina quanto pode receber com a ajuda do Masach [Tela] em benefício do Criador, e quanto deve deixar fora. O Masach [Tela] divide sempre a luz em duas partes.
A Ohr Pnimi (a parte recebida) é apenas um fino raio de luz que entrou em Malchut, ou seja, no espaço vazio, após a TA [Primeira Restrição] (antes do TA, Malchut estava completamente preenchida). Vemos a força do egoísmo, que permitiu que apenas um fino raio de luz entrasse em Malchut com a ajuda do Masach [Tela]. Para além disso, isso refere-se apenas ao primeiro Partzuf de AK – Galgalta. Os Partzufim restantes são preenchidos com ainda menos luz.
Então, com a ajuda deste raio de luz, são criados Partzufim adicionais. No centro desta esfera escura – Malchut, após a TA [Primeira Restrição], está o nosso mundo. No mundo de Atzilut, nasce um Partzuf muito especial, Adam HaRishon. Ele é composto por duas componentes: as qualidades de Bina e Malchut. Depois, este Partzuf divide-se em numerosos Partzufim separados, chamados “almas”.
Ao adquirir o Masach [Tela], as almas formadas podem gradualmente preencher toda a esfera com a luz. Esse estado é chamado “A Correção Final” das almas com a ajuda do Masach [Tela] – “o Gmar Tikkun”. Depois disso, a expansão adicional de Malchut consiste na realização do Criador, não dentro de si própria, mas acima das suas propriedades.
Isto já se refere àquela parte da Cabala chamada “os segredos da Torá”. O resto da Cabala, tudo o que está abaixo deste nível e se refere a “Ta’amey Torá”, pode e deve ser estudado por todos. Os cabalistas devem abrir “Ta’amey Torá” a todos, mas ocultar “os segredos da Torá”.
Há muitos tipos de Ohr Makif, assim como de Ohr Pnimi. Um deles brilha sobre o homem quando ele ainda não tem um Masach [Tela], nenhum sentimento corrigido – e o homem começa a ansiar pelo espiritual. Isso acontece devido à Ohr Makif que brilha sobre ele. Aqui, a luz é primária e o desejo é secundário.
A Ohr Makif começa a brilhar quando o homem ainda não entende de onde vem essa luminescência, mas a espiritualidade começa a atraí-lo. À medida que começa a aprender, ele desperta sobre si próprio a luminescência de outro tipo, que gradualmente o corrige; com a sua ajuda, o homem começa a ver as suas carências, abrindo cada vez mais o mundo circundante. Gradualmente, a luz cria diante dele a imagem espiritual, que se torna cada vez mais clara, como se emergisse de um nevoeiro.
Estamos rodeados pelo Criador, que está por detrás de todos os objetos à nossa volta e deseja aproximar-nos d’Ele. Para esse fim, Ele usa os objetos da natureza. No nosso mundo, Ele fá-lo com a ajuda de pessoas – família, chefe, conhecidos. Ele envia-nos deliberadamente situações complicadas e sofrimentos, para que, ao tentar escapar deles, nos aproximemos d’Ele.
No entanto, o homem tende a ver a razão de todas as suas desgraças na esposa intratável, no chefe irritado ou nas pessoas que o rodeiam. No entanto, é assim que deve ser, porque o Criador está oculto dele. O homem ainda não alcançou o nível em que pode ver apenas o Criador por detrás de tudo o que lhe acontece. Para além disso, ele deve reagir de acordo com os seus próprios sentimentos, não como se apenas o Criador existisse no mundo. Enquanto no nível material, é impossível ver as forças espirituais nos objetos circundantes.
Descrevemos os Partzufim de forma muito relativa. Embora se diga que Galgalta parece um fino raio de luz, imaginamo-lo na forma de um retângulo para mostrar a correlação entre as partes do Partzuf. O Partzuf com as suas partes é gradualmente criado nas sensações do homem. Estudamos como, a partir de um ponto, uma Sefira é criada no homem, depois um embrião – Partzuf; em seguida, ele cresce à medida que o homem começa a receber a Luz Superior dentro dele.
Diz-se: “os seus pés subirão ao Monte das Oliveiras e lá permanecerão”. O azeite simboliza a Ohr Hochma. Todo o processo de receção e gradação da Ohr Hochma é extremamente complicado. Em hebraico, Har (montanha) também significa “Hirhurim” – dúvidas, sofrimentos e esforços enquanto se escala uma montanha. De baixo, da nossa parte, esta ascensão continua até ao Machsom, onde começa o mundo espiritual. No Gmar Tikkun, a Ohr Hochma preencherá não apenas o Toch, mas também o Sof de Galgalta.
32) Agora vamos esclarecer o que é a Ohr Makif do mundo de AK (ou melhor, de Galgalta), que é infinitamente grande e inesgotável. Não se trata de a luz do Mundo do Infinito ser a Ohr Makif. Significa que, quando ocorreu o Zivug de Haka'a [Acoplamento por Impacto], a enorme luz do Mundo do Infinito embateu no Masach [Tela] de Malchut de Rosh de Galgalta. Embora desejasse entrar em Behina Dalet, como se a Tzimtzum Alef [Primeira Restrição] nunca tivesse acontecido, o Masach [Tela] deteve-a e reflectiu-a, impedindo-a de penetrar em Behina Dalet (ver §14).
Esta Ohr Hozer tornou-se praticamente o vaso de recepção da Luz Superior. Contudo, existe uma diferença tremenda entre a recepção pela Behina Dalet antes da Tzimtzum Alef [Primeira Restrição] e a recepção com a ajuda do Masach [Tela] e da Ohr Hozer [Luz Refletida] depois dele. Como já dissemos, a luz que entrou em Galgalta é apenas um fino raio em comparação com o que era antes da Tzimtzum Alef [Primeira Restrição].
A parte da Luz Superior que não conseguiu entrar no Partzuf transformou-se na Ohr Makif [Luz Circundante] de Galgalta. Existe uma regra: nada desaparece jamais no mundo espiritual; por isso, a luz do Mundo do Infinito destinada a Behina Dalet não se desvaneceu; está destinada a cumprir o seu propósito e a entrar em Malchut. Assim, agora começa a preencher os mundos de AK e ABYA, ainda que segundo um princípio totalmente diferente. Agora a criação recebe apenas aquela parte da luz que consegue receber, não pelo seu próprio benefício, mas pelo benefício do Criador.
Isto acontece devido a um grande número de Zivug de Hakaa [Acoplamentos por Impacto] entre a luz e os Masachim [Telas] dos mundos e dos Partzufim, até que Behina Dalet se corrija com a sua ajuda e alcance o estado de perfeição absoluta concebido pelo Criador no início da criação.
Então, toda a luz do Mundo do Infinito entrará nela; mas agora a criação será parceira do Criador na sua própria criação, "merecendo" a recepção da luz. Por isso, o Zivug de Haka'a [Acoplamento por Impacto] entre a luz e o Masach não conduz ao desaparecimento nem à transformação da luz.
Contudo, por enquanto, antes da Correcção Final (o Gmar Tikkun), a luz do Infinito transforma-se em Ohr Makif (Luz Circundante), o que significa que terá de entrar neste Partzuf no futuro. Por agora, porém, rodeia o Partzuf e brilha sobre ele como que "do exterior".
Esta iluminação exterior expande-se por todos os mundos sob a forma de correcções, capazes de conduzir Malchut a ser completamente preenchida com a luz do Mundo do Infinito.
Como já dissemos, a luz refletida pelo Masach [Tela] reveste-se sobre a Luz Direta (a Ohr Yashar) e serve como o Kli para receber a Ohr Pnimi no Guf. A Ohr Hozer é a Kavanah, graças à qual a luz pode entrar no Guf em benefício do Criador. O Masach [Tela] tem força suficiente apenas para revestir e receber uma pequena porção da luz no Toch, em comparação com a luz com que Malchut estava preenchida na Behina Dalet no mundo de Ein Sof. Os desejos vazios formam o Sof do Partzuf; enquanto a luz que não conseguiu entrar neles e ficou ao redor do Partzuf é chamada “a Ohr Makif”.
No mundo espiritual, todos os processos ocorrem segundo a relação causa-e-efeito. Não há tempo, nada muda ou desaparece ali. Tudo o que foi continua a ser, e tudo o que é novo apenas se reveste sobre ele. O anterior continua a existir e é a causa, enquanto tudo o que é novo torna-se o seu efeito.
O Masach [Tela] que repeliu a Ohr Yashar não a impediu de se expandir em Malchut, mas apenas deu ao processo uma nova forma. Agora, isso acontece de forma parcial com a ajuda de numerosos “Zivugey de Haka’a” nos cinco mundos de AK, Atzilut, Beria, Yetzira e Assiya.
Este processo continua até à Correção Final, quando a Behina Dalet será corrigida em toda a sua perfeição. Então, a luz do Infinito espalhar-se-á nela como fazia antes da TA [Primeira restrição]. Neste processo, o Masach não introduziu nada que interferisse na obtenção da perfeição.
A luz do Mundo do Infinito não descansará até preencher toda a Malchut. Até agora, ela rodeia-a por fora como a Ohr Makif, pronta para entrar nela no instante em que o Masach [Tela] aparecer. A luminescência da Ohr Makif é capaz de corrigir Malchut e permitir-lhe receber a luz dentro de si.
A luz atinge o Masach [Tela], porque tal é a sua natureza; como quis preencher a Behina Alef, assim deseja constantemente preencher o vaso de receção – o 'desejo de receber'. Por exemplo, às vezes o homem tem algum tipo de desejo oculto; o prazer externo atinge-o e desperta esse desejo, excitando-o. Então, o homem começa a sentir que esse prazer quer entrar nele.
No mundo espiritual, cada ação é nova porque a criação faz um Zivug de Haka’a em cada nova porção do 'desejo de receber' que ainda não foi envolvida na correção. Cada nova ação é o efeito da anterior e a causa da subsequente. A luz que emana do Criador é uma e a mesma, luz simples; mas com cada novo desejo, o Kli destaca os vários tipos de prazer nela que correspondem a esse novo desejo.
Tudo depende do Kli. De acordo com as suas propriedades internas, desejos (se quer receber para si próprio ou em benefício do Criador, se quer receber de todo), ele distingue certos tipos de prazer na luz. O vaso (o Kli) deve ser criado de forma a poder selecionar todos aqueles numerosos prazeres na luz que foram incorporados nela desde o início.
Por um lado, a luz que emana do Criador cria os Masachim, Telas, que ajudam no preenchimento gradual de diferentes partes de Malchut com a luz, e continua assim até ao Gmar Tikkun. Por outro lado, devemos dizer que a luz é a causa que desperta o desejo do Kli, pelo que ele deve trabalhar arduamente para criar o seu próprio Masach [Tela].
33) Chegou agora o momento de estudar o impacto entre a Ohr Makif e a Ohr Pnimi, que leva à diminuição da espessura do Masach [Tela] e à subsequente perda do seu nível de Aviut mais elevado. Estes dois tipos de luz possuem propriedades bastante opostas, embora o Masach [Tela], posicionado no Peh [Boca] de Rosh do Partzuf de Malchut, os una inseparavelmente.
Eles encontram-se em constante contradição, originando um embate entre si. O mesmo Zivug de Haka’a que ocorreu sobre este Masach [Tela], por um lado, provocou o preenchimento do Partzuf com a Luz Interior (a Ohr Pnimi); por outro lado, o mesmo Zivug de Haka’a produziu a Luz Circundante (a Ohr Makif). Deste modo, impediu que a luz do Infinito entrasse em Behina Dalet.
O Masach [Tela], posicionado no Peh de Rosh, divide a luz simples que desce do Alto em dois tipos contrários, embora conectados: a Ohr Pnimi, parcialmente recebida dentro do Partzuf com a ajuda da Ohr Hozer, e a Ohr Makif, que o Masach [Tela] impede de entrar no Guf (Behina Dalet) e a deixa fora.
Graças à mesma intenção do homem (receber em benefício do Criador), uma parte da luz é recebida, enquanto a outra é deixada fora. O Partzuf (homem) recebe exatamente tanta luz quanto pode receber com a intenção, não para seu próprio benefício, mas em benefício do Criador.
34) A Ohr Pnimi e a Ohr Makif relacionam-se com o Masach [Tela], ainda que as suas acções sejam contrárias uma à outra. De acordo com a capacidade do Masach [Tela] de permitir que uma parte da Ohr Yashar, que se revestiu sobre a Ohr Hozer, entre no Partzuf, ele impede a Ohr Makif de entrar. A quantidade de Luz Circundante que fica fora do Partzuf supera em muito a Ohr Pnimi.
O Masach [Tela], com o seu Aviut e Kashiut, não permite que a Ohr Makif entre no Partzuf na mesma medida em que resiste à Ohr Yashar. O embate entre a Ohr Makif e o Aviut do Masach [Tela] chama-se Bitush – o impacto entre a Ohr Makif e o Ohr Pnimi. Este impacto ocorre apenas no Guf do Partzuf, pois é aí que se realiza a recepção da luz nos vasos; no entanto, uma parte considerável da luz ficou fora. Nas 10 Sefirot de Rosh, este impacto não ocorre, porque a Ohr Hozer ainda não é considerada um verdadeiro vaso de recepção. Ele apenas forma as Shorshey Kelim (raízes, origens dos vasos).
Portanto, a luz que está neles ainda não é a verdadeira Ohr Pnimi. Pela mesma razão, a Ohr Makif também não pode ser distinguida ali. Como ainda não há diferença entre elas, não pode haver qualquer impacto no Rosh do Partzuf. Apenas após a luz se espalhar para baixo a partir do Peh, através das 10 Sefirot de Guf (onde as luzes se revestem nos vasos, ou seja, as 10 Sefirot da Luz Refletida), então ocorre o impacto entre a Ohr Pnimi e a Ohr Makif.
A quantidade de Ohr Makif que rodeia o Partzuf é incomparavelmente maior do que a Ohr Pnimi dentro dele. Na tentativa de entrar no Partzuf, a Ohr Makif atinge o Masach que a gerou. O que significa que a Ohr Makif atinge o Masach [Tela]? Malchut tem um desejo apaixonado de receber prazer. Ela sente que a luz contém exatamente o prazer que tanto gostaria de receber. Assim, começa a atrair a luz.
Isso demonstra que, para sentir e depois receber prazer, é necessário ter um vaso adequado, um vaso que passou por um desenvolvimento interno complexo. Por que percebemos a Ohr Makif como estando fora de nós? Porque, no Sof de cada Partzuf, há desejos não preenchidos que sentem a luz como prazeres que estão, por enquanto, fora do seu alcance. Ou melhor, esses desejos vazios sentem como se a luz externa os atingisse, “exigindo” ser desfrutada.
Os golpes mútuos da Luz Circundante (prazer), com o desejo de Malchut de receber prazer e a força do Masach [Tela] que resiste a esses desejos, são chamados Bitush Pnimi u Makif, o impacto entre as Luzes Interior e Circundante. Estritamente falando, nem a Ohr Makif nem a Ohr Pnimi colidem. Pelo contrário, ambas atingem o Masach [Tela] entre elas. Isso acontece no Masach posicionado no Tabur do Partzuf, onde a receção da luz termina claramente.
Torna-se claro apenas no Tabur quanta luz (prazer) entrou no Partzuf e quanta permaneceu fora dele. Nas 10 Sefirot de Rosh, não há tal impacto, porque a Ohr Hozer ainda não é o vaso para receber a Ohr Yashar, mas serve apenas como um embrião do Kli. O impacto começa apenas após a Ohr Yashar, revestida na intenção (a Ohr Hozer), se espalhar para o Toch até ao Tabur.
A espiritualidade não pode ser alcançada através do intelecto; o Kli espiritual é um sentido que não compreende o Criador, mas O sente. Se o homem pode sentir o Criador, o reino espiritual, então a compreensão vem gradualmente até ele.
35) Este impacto continua até que a Ohr Makif elimine o Aviut do Masach de Guf no Tabur. Como resultado, o Masach de Guf começa a elevar-se em direcção ao Masach [Tela] posicionado no Peh de Rosh, que é a raiz, a causa do Masach [Tela] de Guf. Depois de se unir ao Masach [Tela] no Peh de Rosh, o Masach do Tabur também se envolve no Zivug de Haka’a, que ocorre constantemente entre o Masach no Peh de Rosh e a luz. Este Zivug resulta na formação de um novo Partzuf e no surgimento de 10 novas Sefirot chamadas AB de AK ou o Partzuf Hochma do mundo de Adam Kadmon. Em relação ao primeiro Partzuf Galgalta-Keter, este novo Partzuf é considerado o seu resultado, o seu "filho".
A Luz Circundante exerce uma grande pressão sobre o Masach [Tela] na tentativa de entrar no Kli que está posicionado no Tabur. No entanto, o Masach não o pode suportar. Por um lado, é incapaz de receber mais luz com a intenção para beneficiar o Criador; por outro lado, não pode permanecer sob tal pressão.
Portanto, a melhor solução é regressar ao seu estado anterior no Peh de Rosh, recusando-se completamente a receber a luz. O Masach começa a subir do Tabur para o Peh. No seu caminho, expulsa toda a luz do Kli e entra em adesão com o Masach no Peh de Rosh, our seja, regressa ao estado anterior em que a luz estava apenas no Rosh do Partzuf, mas ausente do Guf do Partzuf.
O pequeno prazer que o Kli desfrutou ao receber a luz no Toch deu-lhe uma ideia do grande prazer que espera fora. A receção desse prazer enfraqueceu apenas o Masach [Tela]. É muito mais fácil recusar completamente um certo prazer do que recebê-lo em pequenas porções, pois o prazer recebido dentro enfraquece a força de vontade, ou seja, a intenção de receber prazer para beneficiar o Criador.
Como a Ohr Pnimi e a Ohr Makif pressionam ambas o Masach [Tela] com o seu prazer, o Masach [Tela] enfraquece sob esta dupla pressão e é forçado a parar completamente de receber a luz. Liberta-se de toda a Aviut, sobe ao Peh de Rosh e adere completamente com o Masach, que não recebe nada de todo, mas apenas repele a luz.
Mais adiante, o material estudado pode tornar-se mais técnico, mas não se deve desesperar. Estudar a Cabala é um processo interno complicado. Às vezes, a Cabala é percebida em sensações (e é a melhor forma), mas às vezes não é percebida de todo. Isso é natural.
Deve-se continuar com um estudo persistente. Num certo momento, sentir-se-á o material a penetrar dentro. Enquanto isso, mesmo que seja impossível compreender, devemos continuar a estudar para não perder o contacto com o esquema geral, e a cada vez adicionar outro elemento novo a ele.
O esquema geral é assim: a luz, tornando-se gradualmente mais espessa, cria o Kli a partir de si própria e para si própria. O Kli passa por quatro fases do seu desenvolvimento, transformando-se em Malchut, ou seja, a única criação.
Então, o objetivo torna-se a separação completa dela do Criador; a criação deve sentir nem a Ohr Pnimi nem a Ohr Makif, isto é, nem prazeres internos nem externos, que lhe poderiam ditar as suas condições.
Precisa de adquirir liberdade absoluta de vontade e a possibilidade dos seus próprios desejos e ações, dirigidos à correção dos seus desejos egoístas e ao avanço espiritual para o Criador.
O primeiro desejo independente de Malchut foi tornar-se semelhante ao Criador nas suas propriedades. Foi por isso que fez a Primeira Restrição ao seu 'desejo de receber', na Behina Dalet, e deixou-a sem a luz. Depois, cria o sistema de mundos descendentes. Os mundos espirituais não são mais do que as fases de restrição; são cortinas, telas. No total, há cinco deles: os mundos de AK e ABYA (Adam Kadmon, Atzilut, Beria, Yetzira e Assiya).
Ao criar os mundos de cima para baixo até ao ponto mais baixo, a criação encontra-se em vazio e escuridão absolutos; não sente o Criador de todo. A humanidade está num tal estado.
Quando, como resultado do estudo, o homem começa a sentir de forma ténue que a Ohr Makif brilha sobre ele, que o Criador omnipotente Se esconde em algum lugar por detrás de tudo isso, que cada fenómeno tem a sua própria causa e efeito, significa que já está num certo nível espiritual chamado o Olam Hazeh.
Agora estamos a estudar a estrutura descendente de todos os Masachim [Telas] e dos mundos que ocultam o Criador de Malchut. Depois, se Malchut, pelo poder do seu próprio desejo, cria o Masach [Tela], protegendo-a da luz-prazer, torna-se, por assim dizer, igual a este Masach [Tela], este nível, e o Masach [Tela] serve como revelação do Criador.
Se o homem deseja independentemente cumprir todas as 620 leis da revelação do Criador, elas deixam de ser restritivas para ele, e então o Masach [Tela] correspondente é neutralizado em cada nível. O homem adquire as propriedades do Masach [Tela], e não há sentido em ocultar o Criador nesta fase, pois não há perigo de que ele receba a luz para si próprio.
Enquanto ascende espiritualmente, os cabalistas percebem internamente todos estes processos, tendo previamente estudado a descida dos mundos. Por um lado, é necessário estudar a Cabala para adquirir conhecimento; por outro lado, o homem deve sentir tudo o que estuda.
36) Depois de o Partzuf AB de AK nascer e completar o seu desenvolvimento ao formar o Rosh e o Guf, o processo do Bitush Ohr Pnimi be Ohr Makif retomou nele, tal como no primeiro Partzuf de AK. O seu Masach de Guf (o Masach [Tela] do seu corpo espiritual) perdeu gradualmente todo o seu Aviut e uniu as suas propriedades ao Masach de Rosh.
Agora este Masach envolve-se num Zivug entre a Luz Superior e o Masach [Tela] que se encontra no Peh de Rosh. Nele o Zivug de Haka’a foi renovado e deu origem a um novo Partzuf ao nível de Bina, que se chama SAG de AK. É considerado consequência do Partzuf AB de AK, pois surge devido a um Zivug sobre o Masach posicionado no Peh de Rosh. Os Partzufim, a partir de SAG e mais abaixo, surgem segundo o mesmo princípio.
Como foi afirmado, o segundo Partzuf AB do mundo de AK formou-se depois de Galgalta; sentiu o Bitush Pnimi u Makif, expeliu a luz, depois aproximou o Masach [Tela] de Guf e o Masach [Tela] no Peh de Rosh.
Então, o AB sentiu a pressão dessas duas luzes e comportou-se exatamente como Galgalta, ou seja, começou a livrar-se da sua Aviut Gimel. Elevou o Masach de Guf ao Peh de Rosh, onde ocorrem constantemente Zivugim, e tornou-se igual a ele nas suas propriedades.
Isso significa que para de receber prazer para benefício do Criador. Depois, ocorre um novo Zivug de Haka’a neste Masach [Tela], mas numa nova porção de egoísmo, uma que corresponde ao nível de Bina. Foi assim que se formou o terceiro Partzuf SAG de AK.
Quando Malchut do Mundo do Infinito realizou o TA e estabeleceu o Masach [Tela], quatro Behinot encontravam-se entre ela e o Criador. A luz não pode alcançá-la através dessas quatro Behinot, e Malchut compreende que está absolutamente remota do Criador. Este é o estado mais terrível, em que está pronta a livrar-se completamente do deleite infinito, cuja ausência se transforma em sofrimento, dor e amargura.
Agora, graças ao Masach [Tela], começa a ver a luz das quatro Behinot e compreende que o Criador quer que ela receba prazer. Faz um cálculo e recebe uma pequena parte da luz, do Peh até ao Tabur. Assim que Malchut recebe esta pequena porção da luz, começa a sentir a pressão da Ohr Makif no Tabur, que quer entrar nela, sem prestar atenção à TA [Primeira Restrição].
Malchut encontra-se num impasse, pois ainda não pode receber a luz; assim, deve de alguma forma sair desta situação. A saída consiste em regressar ao estado inicial. No entanto, ao fazer o primeiro Masach [Tela], já colocou uma cortina entre si e o Criador, criando assim o primeiro Partzuf e recebendo 20 por cento da luz. O que deve fazer quando os restantes 80 por cento da luz chegam a ela? A saída é tentar trabalhar com uma quantidade menor de egoísmo em benefício do Criador e fazer o Masach [Tela] para isso.
Por exemplo, Ruben pede a Simão que o acorde às 2 da manhã para que possa chegar à lição a tempo. No dia seguinte, dirige-se a Simão: “É tão difícil para mim levantar-me às 2 da manhã, por favor acorda-me às 3 da manhã”. No dia seguinte, arrependendo-se de tudo, pede para o acordarem às quatro da manhã, depois às cinco. Vendo que mesmo isso é difícil para ele, pára completamente de ir às lições…
Se anteriormente Malchut podia assimilar-se ao Criador em 20 por cento, tenta agora fazê-lo num nível menor; ao fazer o Masach [Tela] para 15 por cento da luz (o número serve estritamente como exemplo). Assim, Malchut está separada do Criador por dois Masachim [Telas]. Torna-se então ainda mais remota d’Ele.
Ao criar estes Partzufim, Malchut tenta assimilar-se à Behina Shoresh, Alef, Bet e Gimel da Luz Direta, às propriedades do Criador. No entanto, o núcleo egoísta fez o Tzimtzum. Tornando-se semelhante ao Criador nestas Behinot, isolou-se d’Ele, por assim dizer, através destes Partzufim criando um espaço vazio. Agora, estando espiritualmente vazia, pode independentemente procurar o caminho para se tornar semelhante ao Criador.
Embora dotemos estes Partzufim com as propriedades de seres vivos, devemos no entanto compreender que eles não são de facto vivos. São os Masachim [Telas] enfraquecidos que protegem o deleite espiritual do desejo egoísta de receber prazer.
Apenas a alma do homem, de que falaremos mais tarde, sente o Criador; portanto, apenas a alma é um ser vivo. Todo o resto dos objetos não são mais do que robôs, programados pelo Criador para cumprir esta ou aquela função, que está de alguma forma ligada à correção do homem.
Todos os Partzufim recém-criados, níveis e os seus estados anteriores, existem ao mesmo tempo. Um exemplo pode ser dado por analogia com um filme. O filme desenrolado desaparece do nosso campo de visão, mas existe como se estivesse num estado imóvel. Da mesma forma, cada Partzuf anterior é como uma sequência neste filme.
Toda a estrutura, desde o primeiro momento até ao último, é muito diversa. Um grande número de ações ocorre nela, mas todas juntas, devido à fusão dos estados presente, passado e futuro, formam uma esfera, um sistema fechado. Partzufim inferiores podem influenciar os superiores, porque através deles recebem a luz do Mundo do Infinito.
Por exemplo, o Partzuf AB, que recebe a luz do Galgalta, força-o também a mudar, pois a luz que passa através dele já é semelhante às propriedades de AB, o que também transforma o Galgalta. Disso resulta a diversidade, interconexão e interdependência de todos os processos espirituais.
O último desejo de Malchut, que compreendeu que é absolutamente contrário ao Criador nas suas propriedades, que quer receber apenas para si própria sem dar nada em troca, é chamado a verdadeira “criação”, ou “a alma”. Embora ainda não estejamos lá, esta parte de Malchut é o “material” do qual uma alma humana será criada mais tarde.
O resto não é a criação, mas apenas uma ferramenta auxiliar para a adesão da criação com o Criador. Estas forças assistem o Criador na governação da criação. Há apenas duas entidades existentes: o Criador e a criação. Tudo o resto é o sistema de comunicação delas, com cuja ajuda se encontram uma à outra.
Os Partzufim não realizam as ações. Estando num certo nível e realizando ações correspondentes a este ou aquele Partzuf, os cabalistas veem a luz que podem repelir e consequentemente recebê-la dentro. Todos os livros cabalísticos surgiram da seguinte forma: um cabalista, ascendendo os níveis espirituais, descreve as suas sensações espirituais no papel.
Todo o mundo de AK é semelhante à Malchut de Ein Sof, no nível de Shoresh; Atzilut é semelhante à Malchut no nível de Behina Alef; Beria corresponde à Behina Bet de Malchut; Yetzira à Behina Gimel, e o mundo de Assiya é semelhante à Behina Dalet de Malchut. A luz em Galgalta é a Ohr Nefesh.
37) Assim, clarificamos o surgimento consecutivo dos Partzufim (uns abaixo dos outros), que ocorreu devido ao impacto entre a Luz Interior e a Luz Circundante (Bitush Ohr Pnimi u Makif). Este impacto enfraquece o Masach, de modo que este perde a sua força e regressa ao Peh de Rosh (coincide com ela nas suas qualidades), envolvendo-se assim no Zivug de Haka’a que ocorre constantemente no Masach de Rosh.
Devido a este Zivug, surge um novo Partzuf como descendente do anterior. Assim, AB é resultado do Partzuf Keter, SAG é o resultado de AB, MA – de SAG e assim sucessivamente em todos os níveis subsequentes dos mundos de Nikudim e ABYA. Contudo, também temos de compreender por que razão o Partzuf AB só consegue alcançar o nível de Behina Gimel e não Dalet. SAG alcança apenas Behina Bet. Isto é, cada Partzuf seguinte encontra-se um nível abaixo do anterior. Por que não são todos iguais?
38) Primeiro, temos de compreender por que razão o Partzuf AB é considerado descendente do Partzuf Keter. Depois do seu nascimento devido ao Zivug no Peh de Rosh do Partzuf Galgalta, a sua altura corresponde precisamente às 10 Sefirot de Guf do Partzuf. Então, por que não consegue continuar como parte do Partzuf Galgalta e sim como um Partzuf individual, resultado do primeiro?
Aqui devem compreender qual é a enorme diferença entre o Masach de Guf e o Masach de Rosh. Existem dois tipos de Malchut no Partzuf. O primeiro é Malchut Mizdaveget, ou seja, Malchut que interage com a Luz Superior graças às suas intenções corrigidas (Masach); o segundo é Malchut Mesayemet, que, com a ajuda do seu Masach [Tela], impede a expansão da Luz Superior para as 10 Sefirot de Guf do Partzuf.
A distinção entre eles é tão grande como entre o Criador e a criação. Isto porque Malchut de Rosh, no Zivug de Haka'a [Acoplamento por Impacto] com a Luz Superior, é considerada o Criador em relação ao Guf do Partzuf. O seu Masach [Tela] não repele a luz quando esta embate. Pelo contrário, após o revestimento da Ohr Hozer sobre a Ohr Yashar, surgem as 10 Sefirot de Rosh, permitindo que a luz se expanda para baixo, até que as 10 Sefirot da Luz Superior se revistam no Kli de Ohr Hozer, chamado Guf (corpo do Partzuf).
Por conseguinte, o Masach e Malchut de Rosh são considerados o Criador para as 10 Sefirot de Guf. Contudo, até agora não existe qualquer poder de resistência nesta Malchut nem no seu Masach. Isso acontecerá graças a Malchut e ao Masach do Guf do Partzuf. Expliquemos: depois das 10 Sefirot se expandirem do Peh de Rosh para baixo, elas só conseguem chegar a Malchut destas 10 Sefirot, pois a Luz Superior não pode expandir-se para Malchut de Guf. O Masach aí posicionado impede que a luz a preencha; por isso, o Partzuf termina e surge aí a Behina Sof (Fim do Partzuf).
Uma vez que todo o poder da Restrição se manifesta neste Masach de Malchut de Guf, o impacto entre a Luz Interior e a Luz Circundante ocorre apenas no Masach de Guf (Masach [Tela] do corpo) do Partzuf. Ele restringe e repele a Ohr Makif, impedindo-o de irradiar dentro do Partzuf. O Masach de Rosh não o faz, pois apenas atrai e reveste a luz, mas o poder de resistência ainda não se manifesta nele.
Como já dissemos, há dois Masachim [Telas] em cada Partzuf. O primeiro está no Peh de Rosh, que diz que não receberá prazer para si próprio; daí, repele toda a luz. O segundo é o Masach de Guf, que aparece juntamente com a intenção de receber a luz em benefício do Criador, ou seja, revesti-la na Ohr Hozer.
Este Masach desce com a luz e ascende quando a luz sai do Guf. O primeiro Masach [Tela] está sempre em ação e encontra-se no mundo espiritual. O segundo determina a posição do Kli na linha reta desde o nível zero até ao Gmar Tikkun. Estes dois Masachim [Telas] não se contradizem.
39) Como foi referido acima, os impactos entre a Ohr Pnimi e a Ohr Makif transformaram o Masach de Malchut Mesayemet no Masach de Malchut, que realiza agora um Zivug no Peh de Rosh. O Bitush da Ohr Makif enfraqueceu de tal modo o poder de contenção do Masach que, de toda a Aviut de Guf do Masach de Rosh, apenas ficou um Reshimot fino (equivalente à Aviut do Masach de Rosh). Isto levou à adesão do Masach de Guf com o Masach de Rosh. Como resultado, o Masach de Guf ficou apto a realizar o mesmo Zivug de Haka’a que o Masach de Rosh.
Deste Zivug surgiu um novo Partzuf que possui as suas próprias 10 Sefirot, cujo nível é um nível inferior ao anterior. Ao mesmo tempo, os Reshimot de Aviut que originalmente se encontravam no Masach de Guf foram aí renovados; por isso, reaparece a diferença entre as propriedades dos dois Masachim [Telas]. Esta diferença separa o Masach de Guf do Masach de Rosh.
Quando a sua verdadeira natureza se manifesta, não pode permanecer no Peh do Partzuf superior, pois no mundo espiritual a alteração das propriedades separa um objecto do outro. Por isso, é forçado a descer e a tornar-se um Partzuf individual. Mesmo o Rosh do novo Partzuf encontra-se ao nível do Guf do superior, porque nasceu do seu Masach de Guf.
Esta distinção entre ambos divide-os em dois Partzufim diferentes, e como o novo Partzuf surgiu do Masach de Guf do anterior, relaciona-se com o seu superior como um ramo se relaciona com a sua raiz.
Os Reshimot são a Ohr Makif, que esteve dentro do Partzuf e dele saiu. Por isso, mantém uma ligação especial com o Kli. O Masach [Tela] já realizou um Zivug de Haka’a sobre os seus desejos anteriores, recebeu a luz e assegurou que ela alcançasse apenas o Tabur. Sabe que este caminho é errado e não pode conduzir ao Gmar Tikkun. Agora, quando os seus desejos de receber a luz em benefício do Criador se reactivam, surgem num nível inferior. Isto significa que o novo Partzuf receberá a luz num nível menor.
A primeira e a segunda porções da luz somam-se para igualar a quantidade total da luz que entrou na Malchut do Mundo do Infinito. Agora, a Malchut deve receber toda a luz que esteve dentro dela antes da TA, com a nova intenção de receber, não para si própria, mas para dar contentamento ao Criador, ou seja, com a ajuda do Masach e da Ohr Hozer.
O segundo Partzuf difere nas suas propriedades do primeiro; por isso, não surge do Peh, como o anterior, mas abaixo do Peh, ou seja, é como se fosse uma cabeça mais curto que o Partzuf anterior. Mesmo a sua cabeça é considerada o Guf do Partzuf anterior, pois surge do Masach de Guf do Partzuf precedente. O segundo Partzuf é um resultado completo do primeiro e ramifica-se dele como uma copa de um tronco.
Quando o primeiro Masach no Peh de Rosh afasta a luz, coloca-se numa posição independente em relação ao doador. O segundo Masach no Guf afirma que pode receber até em benefício do anfitrião. Tem cinco desejos; o Partzuf preenche cada um deles em 20 por cento. Os restantes desejos permanecem não preenchidos, porque o Masach não é suficientemente forte.
Ao receber a luz no interior, o segundo Masach [Tela] desce. A Ohr Makif continua a interagir com o Partzuf; pressiona e tenta preencher os desejos remanescentes. O Masach de Guf não consegue resistir e ascende ao nível do Masach de Rosh, e a luz abandona o Partzuf. O Masach unificado realiza um novo Zivug, e, como resultado, surge um novo Partzuf, um nível abaixo do anterior, diferindo na qualidade da luz.
A particularidade é que o Partzuf AB não nasce do Masach de Rosh de Galgalta, mas do Masach de Guf. É estranho, pois um Zivug na Behina Gimel ocorreu no Rosh de Galgalta. Explica-se em “O Estudo das Dez Sefirot”, parte três, resposta 310. Enquanto o Masach de Guf, ou seja, o Masach de Behina Dalet, ascende ao Peh de Rosh, une-se ao Aviut de Rosh, que é um “Aviut ascendente”. Contudo, é um Aviut de Behina Gimel, e não Dalet, pois o Aviut de Behina Dalet é o Masach de Guf, que nunca utilizou o Aviut Gimel.
Aqui podemos determinar duas noções principais:
1) A Essência. Este é o Masach de Guf que ascende ao Rosh, exigindo ser preenchido. Por isso, o Masach de Rosh de Galgalta realiza um Zivug na Behina Gimel. Quando a essência do Masach elevado se torna clara, ele desce novamente ao Guf, não para o Tabur (Behina Dalet), mas para o Chazeh (Behina Gimel). Esta Behina não é chamada “filho ou descendente”, mas “Partzuf AB Pnimi”, ou seja, o Partzuf AB que se espalha pelos Kelim internos vazios de Galgalta e é considerado o Guf de Galgalta, pois surgiu de um Zivug no Rosh de Galgalta.
2) A Inclusão. Após o Masach de Guf descer ao Chazeh, os Reshimot do Aviut “descendente” são activados durante a sua presença na Malchut de Rosh.
Verifica-se que, em relação ao AB Pnimi, este é o Masach HaMesayem (que limita a expansão da luz), nascido de um Zivug no Aviut Gimel no Peh de Rosh de Galgalta. Contudo, em relação à propriedade da “inclusão”, é o Masach HaMizdaveg (que interage com a luz). Então, atrai a luz novamente, realizando um Zivug de Haka’a na Behina Gimel, de modo que o Rosh AB surge do Chazeh até ao Peh de Galgalta. O Peh de AB está ao nível do Chazeh de Galgalta, enquanto o Guf de AB se expande para baixo até ao Tabur de Galgalta. Conclui-se que o AB Pnimi se expande pelos Kelim de Galgalta, e o AB Hitzon (exterior) reveste-se sobre ele, de modo que mesmo o seu Rosh está no lugar do Guf de Galgalta.
O AB Pnimi expande-se do Rosh de Galgalta (Behina Dalet) pelos Kelim vazios da Behina Dalet, mas o AB Hitzon não tem qualquer ligação com a Behina Dalet.
Dois objetos unidos são completamente semelhantes nos seus desejos. Na medida em que o Masach resiste ao egoísmo, o Kli torna-se semelhante ao Criador nas suas propriedades, recebendo a luz no interior com a intenção de o fazer pelo Criador. A comparação das propriedades é uma comparação das intenções, mas não significa que ambos se tornem um único objeto. Permanecem dois objetos, mas as suas propriedades são tão próximas que, neste momento, do nosso ponto de vista, não há diferença.
Quanto mais o Partzuf recebe, mais se torna semelhante ao Criador na sua intenção, e menos na sua acção. Para se tornar igual ao Criador, deve-se desenvolver o egoísmo, para receber mais em Seu nome, mas isso conduzirá a uma diferença ainda maior entre a criação e o Criador na acção. Quando o Masach no Peh de Rosh afasta toda a luz, torna-se, por assim dizer, semelhante ao Criador na acção (também não recebe), mas está isolado Dele na sua intenção.
O método de auto-restrição é errado. Não há necessidade de jejuar ou renunciar aos prazeres; pelo contrário, o Criador aumenta o egoísmo do homem na medida em que ele pode aplicar o Masach [Tela] e trabalhar com ele. Assim, dos dois Masachim [Telas] mencionados, o Masach [Tela] do Guf pode conduzir ao espiritual.
Contudo, se o Masach [Tela] estiver apenas no Peh de Rosh, então o homem é como uma pedra que não precisa de nada, não tem movimento interior. Sempre foi pouco claro como o egoísmo pode conduzir ao espiritual, quando o propósito da Criação implica a recepção do deleite.
O Kli não vê o que está fora dele. Todos os nossos nomes: “Ohr Makif”, “pressiona de fora”, “ainda não entrou” – são noções pertencentes à linguagem do nosso mundo que precisamos de imaginar de alguma forma uma acção espiritual. No entanto, na verdade, não há luz a pressionar de fora, nem há deleite nela. O Kli interno do homem sentirá prazer, se esta luz estiver dentro dele.
Portanto, para ter um apetite suficiente para o prazer, devemos de alguma forma imaginar e sentir esse prazer. A luz é uma reacção interna do Kli a algum tipo de influência emanada pelo Criador, ou seja, a luz corresponde à nossa “resistência”. Tudo depende de como o Kli reagirá a essa influência. Apenas a Ohr Pnimi que entra no Kli é a medida da semelhança com o Criador.
Todos os Partzufim, do Mundo do Infinito até ao nosso mundo, nasceram segundo o mesmo princípio: o Partzuf inferior nasceu do superior.
O homem nunca deve pensar no que lhe acontecerá no momento seguinte. Deve sempre usar o momento presente, tentando constantemente penetrar na sua profundidade. O momento seguinte nascerá deste; mas não se deve esperar que ele chegue nem pensar como será. A entrada no mundo espiritual depende da penetração interior no presente.
40) A diferença entre os Partzufim inferiores e os superiores consiste no facto de cada Partzuf inferior aparecer num nível diferente, inferior ao precedente. Como foi mencionado, este nível é determinado pela Aviut do Masach, que consiste nas cinco Behinot.
Em cada Partzuf subsequente estão ausentes o nível mais elevado da luz e a Behina mais inferior dos Kelim do Partzuf anterior. Quanto menor for o desejo que utilizamos com o Masach [Tela], menor será a qualidade da luz que recebemos no nosso Partzuf.
O impacto entre a Ohr Makif e a Ohr Pnimi no Masach [Tela] que os separa contribui para a perda da última Behina da Aviut deste Masach. Por isso, a Behina Dalet desaparece no Partzuf Galgalta, de modo que não ficam quaisquer Reshimot dela.
Após o Masach de Guf ascender e aderir ao Masach de Peh, realizando um Zivug de Haka’a sobre o Aviut remanescente nos Reshimot do Masach, surge o Partzuf de um nível inferior, ou seja, o Partzuf Hochma. A Behina Dalet dos vasos está ausente nele, assim como a luz de Yechida. Devido à transformação das propriedades, um novo Partzuf AB separa-se do Partzuf Galgalta e torna-se independente, mas é considerado seu descendente.
Se podemos aceitar 20 por cento de cinco porções, isso significa que recebemos a Ohr Yechida e a Behina Dalet. Da próxima vez, nasce um Partzuf com a luz menor de Haya e o Kli Gimel, depois com a Ohr Neshama e o Kli Bet, em seguida com a Ohr Ruach e o Kli Alef, e o último com a Ohr Nefesh e o Kli Shoresh. Então, os desejos recomeçam, e para 20 por cento dos desejos remanescentes, nascem os cinco Partzufim do mundo de Atzilut, e assim por diante, até que todos os desejos da Malchut do Mundo do Infinito sejam utilizados.
Todos os Partzufim dos cinco mundos receberam tanta luz quanto havia na Malchut do Mundo do Infinito, mas gradualmente e com a ajuda do Masach. Independentemente da porção que usemos como exemplo, ela consistirá sempre em cinco partes, ainda que muito pequenas. O Kli é criado a partir dos cinco desejos, sendo necessário realizar um Zivug de Haka’a em cada um deles.
Se o homem ainda não corrigiu os seus Kelim, quanto menos egoísmo tiver, mais próximo estará do Criador. Quando adquire o Masach [Tela], quanto maior for o seu egoísmo, melhor, pois mais próximo estará do Criador. Tudo depende da presença do Masach [Tela].
Para tornar um Kli adequado ao uso, a luz precisa primeiro entrar nele e depois desaparecer, de modo a que o Kli se torne completamente distante do Criador; com a correção posterior, ele poderá fazer uma escolha e fundir-se novamente com o Criador.
A entrada no mundo espiritual é possível apenas se houver um Masach [Tela] para todos os desejos. Contudo, se não houver desejos, também não é necessário um Masach. Assim, sem desejos, o homem não pode entrar no mundo espiritual, pois não tem nada para corrigir.
A ascensão aos níveis espirituais ocorre em três linhas: esquerda, direita e média. Ao receber novas porções de egoísmo, o homem aplica um Masach [Tela] mais forte sobre elas. Um Zivug de Haka’a ocorre entre o Masach [Tela] e a luz; como resultado, o homem recebe uma nova porção de luz e ascende ao próximo nível.
Se o homem tem grandes desejos, mas a força da sua resistência a eles (o Masach [Tela]) é pequena, ele recebe a luz conforme o seu Masach [Tela] e gera um Partzuf pequeno. Depois, quando consegue resistir a uma nova porção de egoísmo, o seu Partzuf expandir-se-á cada vez mais, até que receba um Masach [Tela] para absolutamente todos os seus desejos.
Isso é chamado “Gmar Tikkun”. Quanto “maior” for o homem, mais desejos tiver, mais forte será o Masach [Tela] que adquire; tal homem alcança grandes realizações porque conseguiu dominar os seus desejos mais espessos. Os desejos são dados ao homem do Alto quando ele pode pedir a sua correção.
Os desejos fugazes do nosso mundo, o Ner Dakik, confundem-nos, ocupam os nossos pensamentos e têm tal domínio sobre nós que não sabemos o que fazer com eles, como livrar-nos deles. Toda a nossa vida é dedicada a procurar uma oportunidade para satisfazer esses desejos animais. O egoísmo em si não deve ser destruído; deve-se apenas colocar dois tipos de Masach [Tela] sobre ele: primeiro, parar de receber para seu próprio benefício, e depois começar a receber em benefício do Criador.
Um Zivug de Haka’a ocorre no Rosh, ou seja, calculamos quanto podemos receber com a intenção em benefício do Criador. O cálculo é seguido pela recepção da luz no Guf, do Peh até ao Tabur. O Tabur é a fronteira da recepção com a intenção em benefício do Criador. A luz que o Kli não conseguiu receber, a Ohr Makif, incentiva-o a receber mais; caso contrário, não cumpre o Propósito da Criação. Mas o Kli sabe que não pode receber mais em benefício do Criador; se receber um pouco mais, isso já será para seu próprio benefício.
Não há saída exceto superar este estado de impasse, ou seja, expelir toda a luz recebida. O Kli compreende que, mesmo que possa receber no futuro, não será a mesma quantidade que tem agora, mas menor e com um Masach mais fraco.
O Masach perde força, ascende ao Peh de Rosh juntamente com os Reshimot que recebeu das quatro luzes nos quatro Kelim. O Aviut Dalet foi perdido no Tabur após o Bitush da Ohr Makif no Masach; portanto, o Kli não poderá receber a Ohr Yechida daqui em diante. Contudo, ainda não fez a restrição nos níveis restantes do Aviut; assim, simplesmente não sabe o que poderá ou não receber.
Agora, quando o Masach está no Peh de Rosh, o Kli sente que pode receber mais luz. Então, todos os seus Reshimot despertam, e ele tenta receber na Behina Gimel. O Masach desce ao Chazeh, realiza um Zivug de Haka’a ali, e então nasce um novo Partzuf AB. Contudo, todos os Reshimot de AB provêm do Guf de Galgalta.
Qual é a diferença entre as duas noções: o Masach [Tela] e a Restrição, o Masach e o Tzimtzum? A restrição significa a recusa total de receber. O Masach [Tela] significa a recepção de uma parte e a repulsa do resto. O Rabino Baruch Ashlag dá o seguinte exemplo: cada vez que um bêbado ia a um casamento, bebia até perder os sentidos, caía e ficava no chão; nem a sua esposa o deixava entrar em casa. Envergonhado da sua desgraça, o homem decidiu deixar de ir a casamentos, porque não conseguia controlar-se. E assim fez.
Após algum tempo, decidiu que podia estar presente nas festividades e permitir-se beber meio copo de vinho, uma quantidade que não lhe faria mal. E assim fez. Conclusão: a restrição significa abster-se de ir às celebrações, enquanto o Masach [Tela] significa que se vai, mas decide receber uma pequena quantidade.
Existem dois tipos de Reshimot. O primeiro é o Reshimo de Itlabshut, ou seja, as memórias dos prazeres com os quais fomos preenchidos. O segundo é o Reshimo de Aviut, a recordação dos desejos com os quais o fizemos e quão forte e resistente foi o Masach [Tela] que usamos.
O “desejo de receber” no Kli é criado pelo Criador. O Kli recebeu o “desejo de dar” Dele. Como pode usar esses desejos absolutamente opostos agora? Primeiro, o Kli mede o tamanho do seu “desejo de dar”, ou seja, opõe-se ao seu genuíno e natural “desejo de receber”.
Suponhamos que temos 20 por cento do “desejo de doar”. Isso é chamado a dureza do Masach [Tela]. Podemos resistir ao nosso desejo de receber prazer em 20 por cento. Isso significa que nesses 20 por cento podemos receber a luz, pois neles recebemos, não para nós próprios, mas em benefício do Criador. É semelhante a uma mãe que sente prazer quando o seu filho está feliz. O Criador alegra-se quando recebemos prazer. Os desejos remanescentes, não incluídos nesses 20 por cento, permanecem vazios; não trabalhamos com eles.
O que é a Cabala? Primeiro, pegamos nos nossos desejos internos, dividimo-los em pequenas células ou vetores e construímos vários gráficos. Esta é a psicologia interna do homem; não como criatura deste mundo, mas como uma entidade trazida à existência pelo Criador com todas as forças que o Criador lhe deu.
Depois, estudamos como, com a ajuda dessas forças, o homem alcança o Criador. Esta é uma breve explicação do que é a Cabala. Não se deve vê-la como um ensinamento místico sobre forças secretas e sobrenaturais que existem fora do Universo. A ideia principal da Cabala sugere que, no processo de acumulação de forças antiegoístas, pode-se usar uma certa porção de egoísmo e trabalhar com ela numa direção diferente.
Primeiro, o Masach [Tela] que estava no Peh de Rosh não queria receber nada, depois calculou quanto poderia receber em benefício do Criador. É um esforço maior do que não receber nada para si próprio. Como resultado, o Masach [Tela] que está no Peh de Rosh divide-se em dois Masachim [Telas]. O primeiro diz que não queremos receber nada para nosso próprio benefício. É uma reflexão completa da luz, a sua rejeição, a observância do TA [Primeira Restrição]. O segundo Masach [Tela], que ainda está inactivo, também permanece ali. Após cumprir as condições da TA [Primeira Restrição], começamos a tentar receber um pouco de luz em benefício do Criador.
41) Depois da formação do Partzuf AB, ocorre o impacto entre a Ohr Makif e a Ohr Pnimi no Masach de Guf de AB (com Aviut Gimel). Este impacto provoca a perda da última Behina do Reshimo de Masach. O Masach eleva-se até ao Peh de Rosh e aí realiza um Zivug de Haka’a apenas sobre a Aviut de Behina Bet. Este Zivug forma as 10 Sefirot ao nível de Bina, isto é, o Partzuf SAG do mundo de Adam Kadmon, que não possui nem os Kelim de ZA e Malchut, nem as luzes de Yechida e Haya.
Quando o Partzuf SAG se expande em Rosh e Guf, ocorre um Bitush de Ohr Makif no seu Masach de Guf e dá-se a perda da última Behina de Aviut do Masach, a Behina Bet. O Masach com os Reshimot de Aviut da Behina Alef e superior eleva-se até ao Peh de Rosh e realiza aí um Zivug sobre a Behina Alef, o qual forma as 10 Sefirot ao nível de Tifferet (ou ZA). Neste Partzuf estão ausentes os Kelim de Bina, ZA e Malchut, bem como as luzes Yechida, Haya e Neshama.
A Behina Dalet em SAG tem desejos, ou restringe-os, assim como os desejos da Behina Gimel? Há algum desejo na Behina Dalet em AB, ou também os restringe? Todos possuem esses desejos; falamos apenas do “desejo de receber”, sem o qual não há criação. No entanto, havia o perigo de que as almas pudessem “roubar”, receber para si próprias; por isso, ocorreu a correção, tornando-as incapazes de ver qualquer coisa.
Agora, compreendamos o ditado: “Toda a terra está plena da Sua Glória”, ou seja, todos devem sentir a Sua existência. Mas por que não a sentimos realmente? Porque, do ponto de vista do Criador, “Toda a terra está plena da Sua Glória”; mas, para evitar que a criação receba para si própria, ocorreu a Restrição. Ao não ver deleite nisso, o homem não aspira à espiritualidade.
A Introdução ao “Estudo das Dez Sefirot” diz que, se a punição e a recompensa fossem reveladas, de modo que quem comesse algo proibido engasgasse imediatamente, quem ousaria comer o alimento proibido? Pelo contrário, se o homem sentisse grande prazer ao colocar os Tzitzit, nunca os tiraria. Portanto, se sentíssemos o deleite espiritual, imediatamente o desejaríamos para nós próprios.
Há apenas uma lei inerente ao egoísmo: “Trabalhar menos e receber mais”, ele não conhece nada para além disso. Então, o que pode alguém fazer se não pode ver nem receber nada? O Criador diz-nos: “Eu dou tudo livremente e vós devem dar livremente”.
Devemos alcançar o mesmo nível em que possamos dar sem esperar qualquer recompensa. Por isso, houve o Tikkun (correção) – não podemos nem ver nem “roubar”. Está escrito na Guemara (Tratado “Sanhedrin”): “Adam HaRishon foi um ladrão” (ele roubou do Criador).
No início, havia o domínio do Criador, ou seja, tudo o que Adam HaRishon fazia era em benefício da doação; nada para o seu próprio benefício. Contudo, ao ver a luz imensa, ele não conseguiu recebê-la com a intenção de doar e usou-a para o seu próprio benefício. Isso é chamado de usar a luz do domínio do Criador para o seu próprio; por isso, ele é chamado “ladrão”.
Para evitar que isso volte a acontecer, a correção ocorreu nas almas; é por isso que elas não podem ver nada. O homem não deve pedir por realização ou alturas espirituais, apenas pelos Kelim para poder ver.
Para nomear um Partzuf, não é necessário dizer que um Zivug ocorre numa certa Behina; basta dar o seu valor numérico, a Guematria, para saber como é qualitativamente. Yud-Hey-Vav-Hey é a base de qualquer Kli. A Malchut do Mundo do Infinito e todo o Universo consistem desta única estrutura.
A quantidade de matéria nesta estrutura, ou seja, o uso de um desejo com a intenção correta, é igual à luz recebida pelo Partzuf. O valor numérico fala sobre a quantidade e a qualidade dessa luz no Partzuf.
O Partzuf Galgalta corresponde à totalidade da Malchut do Mundo do Infinito e possui o maior Masach [Tela] do Universo. Se ele recebeu o máximo que podia em benefício do Criador, como pode haver lugar para outro Partzuf? O que pode AB adicionar ao que Galgalta ainda não recebeu?
Verifica-se que AB também corresponde à Malchut do Mundo do Infinito, e pode receber a luz que Galgalta não conseguiu. O Masach [Tela] no próximo Partzuf é mais fraco; ele interage com a luz de uma qualidade diferente, muito menos poderosa que a de Galgalta; assim, AB pode receber uma porção adicional de luz.
Cada Partzuf subsequente recebe luz de qualidade inferior. Cada novo Partzuf é um estado absolutamente novo. AB extrai os seus desejos do Sof de Galgalta, ou seja, trabalha com os desejos que o Partzuf anterior não conseguiu lidar. Galgalta quis receber a Ohr Yechida, enquanto AB apenas a Ohr Haya.
Quando a Malchut no Mundo do Infinito afasta toda a luz, isso é chamado Dalet de Aviut e Dalet de Hitlabshut. Isso mostra que os Reshimot de todo o Mundo do Infinito estão nela. Galgalta começa a trabalhar com esses Reshimot, faz um Zivug de Haka’a em Dalet/Dalet e recebe a luz correspondente. Quando ocorre o Bitush Pnim u Makif, o Dalet de Hitlabshut e o Gimel de Aviut permanecem. O Dalet de Aviut desaparece porque o Partzuf decide não mais trabalhar com ele e anula-o.
Há uma relação inversa entre o Kli e a luz. Quanto menor o Kli, mais próximo ele está, nas suas propriedades, da luz. Suponhamos que temos cinco desejos egoístas, do mais puro ao mais espesso. O nosso desejo mais puro é o mais próximo do Criador, o mais espesso é o mais distante. A Malchut tem cinco desejos: Shoresh, Alef, Bet, Gimel e Dalet.
Para ser mais preciso, estas são as cinco fases de desenvolvimento de um mesmo “desejo de receber”. O Shoresh é o desejo mais puro e elevado; portanto, é o mais próximo do Criador.
Quando a Malchut coloca o Masach [Tela] sobre o seu desejo egoísta, a lei que afirma que o desejo mais puro é o mais próximo do Criador permanece inalterada. Para além disso, a intenção em benefício do Criador é colocada sobre ele, e exatamente essa intenção permite-lhe receber mais luz do que um desejo tão pequeno deveria. A Malchut com o Masach “atrai” a luz, mas Keter recebe-a, e não a Malchut, ou seja, a parte mais pura e elevada do Kli recebe-a.
Os elementos principais do Universo são:
- A luz que emana diretamente do Criador;
- O “desejo de receber” deleite, egoísta, criado por Ele;
- O Masach [Tela] que surgiu como reação à luz recebida.
A Cabala estuda esses elementos nos seus vários estados. A correspondência harmoniosa entre o Masach [Tela], a luz e o desejo constitui a alma, que dita as suas leis aos anjos, aos Levushim e aos objetos materiais.
Cada Partzuf preenche a Malchut do Mundo do Infinito; assim, os Partzufim cobrem o seu ponto mais interno da luz. Nós somos o ponto médio. Portanto, em relação a nós, todos os mundos, todos os Partzufim, são Masachim [Telas] restritivos.
Por um lado, dizemos que todos os mundos foram criados em ordem descendente, ou seja, para a existência do homem. Os Mundos são as medidas de ocultação do Criador. Galgalta oculta o Criador do Partzuf inferior em 20 por cento. AB vê apenas 80% do Criador. No entanto, esses 80% são o Criador para ele, sendo, na verdade, 100% para AB.
Assim, prossegue até aos cinco mundos que consistem em cinco Partzufim, onde cada Partzuf, por sua vez, consiste em cinco Sefirot, ocultando completamente a luz do Criador de nós por trás de 125 Masachim [Telas]. A luz não chega ao nosso mundo. Estamos atrás do Masach [Tela] e não podemos nem ver nem sentir o Criador.
Por outro lado, à medida que o homem ascende e alcança o nível de algum Partzuf, ele coloca um Masach [Tela] igual a esse Partzuf e, ao fazê-lo, elimina a ocultação do Criador nesse nível. Ao subir ao próximo nível, o homem neutraliza a sua ocultação com a ajuda do seu Masach [Tela], alcança o Criador nesse nível, e assim por diante. Quando anula todos os filtros, compreenderá completamente todos os níveis que o separam do Criador.
Os mundos são criados para nos ensinar como agir em cada situação. Portanto, a ocultação do Criador é descendente, enquanto a revelação ocorre na direção oposta. Os degraus que a alma sobe, por assim dizer, desaparecem em seguida.
O Partzuf inferior conhece o anterior e compreende que não pode receber tanta luz quanto aquele que o precede. Contudo, para fornecer luz ao Partzuf inferior, cada um superior deve enviar o seu pedido de luz (chamado MAN) ao Partzuf acima dele.
Uma vez que cada novo Partzuf é um desejo absolutamente novo, que após a TA nunca foi preenchido com luz, cada novo Partzuf conduz a uma nova realização, superando o anterior tanto qualitativa quanto quantitativamente.
A luz recebida por cada Partzuf subsequente chega a ele através do anterior. Todos os Partzufim pelos quais passa recebem a sua parte da luz, e essa porção de luz é incomensuravelmente maior do que a quantidade de luz que será recebida pelo anterior nessa cadeia. Apenas Galgalta recebe a luz diretamente do Mundo do Infinito.
Todas as nossas ações baseiam-se nos nossos desejos. O intelecto desempenha apenas um papel auxiliar nisso. O intelecto percebe conscientemente apenas o que entra pelos sentidos; calcula e analisa-os. Quanto mais amplos e profundos forem os sentidos, maior o intelecto necessária para o seu processamento.
Se usamos uma pessoa que estuda Cabala e se dedica a algum tipo de trabalho interno, quanto mais subtil for esse trabalho, mais flexível e precisa deve ser o seu intelecto para diferenciar e analisar os seus sentidos e tirar conclusões adequadas. No entanto, o intelecto permanece sempre apenas uma ferramenta auxiliar do desejo. O intelecto é necessária apenas para alcançar o objeto desejado. Todos nós queremos prazer, e o intelecto ajuda-nos a consegui-lo. Se o homem deseja desfrutar da pesquisa científica, o seu intelecto ajuda-o nisso. O homem pensa que vive apenas pelo seu intelecto; por isso, acredita estar acima de todas as outras criaturas.
42) Agora compreenderemos o significado da descida consecutiva dos níveis durante o desenvolvimento dos Partzufim uns após os outros, devido ao Bitush Ohr Makif e Ohr Pnimi que governa em cada Partzuf e contribui para a perda da sua última Behina do Reshimo de Aviut.
Os Reshimot que permanecem após o enfraquecimento do Masach [Tela] são de dois tipos: o Reshimo de Aviut e o Reshimo de Hitlabshut. Por isso, após o enfraquecimento do Masach do Partzuf Galgalta, permaneceu o Reshimo de Aviut da Behina Gimel, enquanto o Reshimo de Hitlabshut da Behina Dalet não se alterou.
O Reshimo de Hitlabshut é uma parte muito subtil do Reshimo que não possui Aviut suficiente para um Zivug de Haka’a com a luz. Tal como Galgalta, qualquer Partzuf, com o enfraquecimento do seu Masach, perde apenas o último Reshimo de Aviut, mas não o Reshimo de Hitlabshut.
Estudámos que existe uma relação inversa entre a luz e o vaso, e há duas regras aqui:
1) “Lefum tza’ara – agra”, ou seja, a recompensa é dada de acordo com o mérito (sofrimento); ou seja, a quantidade de luz revelada ao homem depende do esforço que ele realizou.
2) A luz deseja entrar no Kli mais puro. O Kli é considerado puro se recusar receber o que o Kli espesso deseja receber.
Por exemplo, é mais fácil trabalhar com a intenção de doar durante a oração, quando o homem está coberto com um Tallit e coroado com Tefillin; ele não quer receber nada, apenas cumprir o mandamento. Mas durante o estudo, é mais difícil ter a intenção de doar, muito mais difícil durante a refeição familiar, e ainda mais difícil de aplicar durante o trabalho.
Contudo, segundo a primeira regra, quanto maiores forem os obstáculos que alguém consegue superar, mais poderosa é a luz que pode receber. Por isso, se o homem consegue fazer negócios com a intenção em benefício do Criador, sem dúvida é digno de um alto nível. Dizemos sobre tal pessoa que “o seu conhecimento é profundo e a sua oração é forte!”
A segunda regra deriva da primeira: o nível mais elevado corresponde aos Kelim mais leves, embora neles seja mais fácil ter a intenção em benefício do Criador. Por outro lado, a altura do nível é determinada pela sua propriedade mais corrigida, e a luz passa por ela e desce ao nível inferior.
Portanto, o Reshimo de Aviut é uma carência, o “desejo de receber”. Mas não se deve esquecer que, na espiritualidade, o “desejo de receber” significa sempre o desejo com um Masach. Assim, o Reshimo de Aviut significa que há nele uma memória de quanto pode receber para doar, ou seja, a força anterior de resistência desapareceu. O seu Kli mais leve, o Kli de Keter, não pode desaparecer sob a influência da luz circundante, porque não tem Aviut. Assim, resta nele o Reshimo da luz que ali esteve outrora, chamado Reshimo de Hitlabshut.
Há sempre algum Reshimo que permanece da presença da luz. Duas noções devem ser esclarecidas:
1) A luz vem da direção do doador.
2) O Aviut e o Masach vêm da direção do receptor.
Tudo o que vem do doador deixa uma memória, e tudo o que vem do receptor encontra resistência e desaparece.
O Rabino Baruch Ashlag dá o seguinte exemplo: “Certa vez, encontrei-me num lugar onde idosos descansavam. Olhei à volta e vi que todos estavam a dormitar, sem prestar atenção a nada. Diz-se sobre isso: ‘o dia está desprovido de paixão’. Aproximei-me de um deles e comecei a falar com ele. Primeiro, perguntei-lhe de onde era, depois como ganhava a vida, e assim o fiz falar, e ele começou a contar-me sobre os seus negócios passados.
Pouco a pouco, ele ficava cada vez mais animado e entusiasmado, recordando as suas conquistas e os vários acontecimentos por que passou, ou seja, na linguagem da Cabala, os Reshimot dos deleites passados despertaram nele. No final, perguntei-lhe: ‘Gostaria de reviver tudo isso outra vez, viajando de cidade em cidade, fazendo negócios e fechando acordos como fazia antes?’ Naquele instante, os seus olhos ficaram opacos, pois ele recordou o presente e a força passada, que já não possuía.”
Assim, vemos que o Reshimo do deleite de um homem permanece nele, enquanto a força desapareceu completamente. Podemos concluir que ele já não tem Aviut, ou seja, não pode receber para doar, mas o Reshimo de Hitlabshut – a reminiscência do prazer revestido no Kli-desejo – permaneceu, mas, sem Masach [Tela], ele é incapaz de voltar aos deleites passados.
43) O desaparecimento do Reshimo de Hitlabshut em cada último nível que permanece no Masach leva à formação de dois níveis: Zachar e Nekeva ("essência masculina" e "essência feminina") no Rosh de cada Partzuf, a partir de AB de AK, mas também em SAG, MA, BON e em todos os Partzufim do mundo de Atzilut.
No Masach [Tela] do Partzuf AB existe o Reshimo de Aviut da Behina Gimel. Este eleva as 10 Sefirot da Luz Reflectida apenas até ao nível de Hochma, mas o Reshimo de Hitlabshut da Behina Dalet que aí permanece não é apropriado para o Zivug com a Luz Superior, devido à sua Zakut (ausência de "desejo de receber", mas desejo de ser como o Criador). Ao absorver o Reshimo de Aviut e formar com ele um Reshimo comum, adquire agora força suficiente para realizar um Zivug de Haka’a com a Luz Superior.
Então ocorre um Zivug de Haka’a com a Ohr Elion, e como resultado surge o Partzuf cujo nível é próximo ao de Keter, pois nele se encontra presente o Reshimo de Hitlabshut da Behina Dalet. Esta adesão chama-se inclusão de Nekeva em Zachar; visto que o Reshimo de Aviut da Behina Gimel se chama "Nekeva". Isto deve-se ao facto de ser determinado pela propriedade de Aviut (a sensação do "desejo de receber"). Porém, o Reshimo de Hitlabshut da Behina Dalet chama-se Zachar, porque corresponde a um estado superior e não possui Aviut.
O Reshimo de Zachar não pode realizar um Zivug por si só. É o Zivug de Nekeva que determina o nível do Partzuf que surge, a qualidade e a quantidade de luz que realmente entrará no Partzuf.
Devido à memória do seu estado anterior, ou seja, do Partzuf anterior, o Zivug de Zachar dá ao Partzuf emergente uma espécie de luminescência adicional, auxiliar.
Essa interação de Zachar e Nekeva começa a partir do Partzuf AB. Portanto, a partir dele, todos os Partzufim têm duas cabeças (Rashim) e dois Zivugim.
Há uma regra: em relação ao nível inferior, o superior é chamado perfeição (Shlemut). Zachar é chamado perfeição porque é o Reshimo da luz e não há carência nele.
44) Existe também a inclusão de Zachar em Nekeva. Isto significa que o Reshimo de Hitlabshut une-se ao Reshimo de Aviut. Neste caso, o Zivug ocorre apenas ao nível de Nekeva, ou seja, sobre a Behina Gimel (Hochma), que se chama HaVaYaH (Yud-Hey-Vav-Hey, o Nome Inefável do Criador) de AB.
Existem os chamados "Zivugim superiores" e "Zivugim inferiores". O Zivug superior corresponde à inclusão de Nekeva em Zachar. Devido a este Zivug, surge o Partzuf cujo nível é próximo ao de Keter. O Zivug inferior corresponde à inclusão de Zachar em Nekeva. Este Zivug conduz à criação de um Partzuf cujo nível é apenas Hochma. A Aviut que corresponde ao nível de Zachar não lhe pertence, como foi mencionado acima; foi adquirida devido à "inclusão", à interacção com Nekeva.
Por isso, esta Aviut é suficiente apenas para criar as 10 Sefirot de baixo para cima (chamadas Rosh), mas não para se expandir de cima para baixo, o que forma o Guf – os vasos verdadeiros. O Guf do Partzuf forma-se com a ajuda do nível de Nekeva, que possui a sua própria Aviut. Por isso, denominamos o Partzuf segundo o nível de Nekeva; neste caso concreto, AB. A parte principal do Partzuf é o Guf; é aí que ocorre a recepção da luz nos vasos.
45) Tal como surgem os dois níveis de Zachar e Nekeva no Rosh do Partzuf AB, os mesmos níveis surgem no Partzuf SAG. A única diferença é que, no primeiro caso, o nível de Zachar é aproximadamente Hochma, visto que surge como resultado de um Zivug sobre a inclusão da Aviut Bet (Bina) no Reshimo Gimel de Hitlabshut (Hochma). O nível de Nekeva em SAG é uma Bina pura com Aviut Bet.
No caso de SAG, o Partzuf também é chamado segundo o nível de Nekeva (Bina), pois o nível de Zachar possui apenas o Rosh sem o Guf. O Zachar do Partzuf MA do mundo de AK encontra-se num nível próximo de Bina e chama-se YESHSUT, pois resulta da interacção entre o Reshimo Bet de Hitlabshut e o Reshimo Alef de Aviut. A Nekeva deste Partzuf encontra-se ao nível de ZA, pois possui apenas Alef de Aviut. Os restantes Partzufim do mundo de AK são construídos de forma semelhante.
O VAK de Bina chama-se YESHSUT, e o GAR de Bina chama-se o Aba ve Ima superior.