Luz Circundante
Dia após dia, chegamos à conclusão que, enquanto o ego continuar a governar, o fim do mundo aproxima-se, e precisamos escolher a vida e o amor. Mas, sem assistência, não conseguiremos transcender os nossos egos, pois foi assim que nascemos. Para isso, precisamos de uma força externa que não existe no nosso mundo. Para esse propósito, foi-nos dada a metodologia de correção — a Cabala.
Na sabedoria da Cabala, existe uma força especial que pode criar uma nova qualidade dentro de nós. As fontes autênticas da Cabala descrevem a natureza do Criador, o mundo superior e os processos que nele ocorrem. Quando aprendemos dessas fontes sobre os estados que são opostos ao nosso mundo, sobre ações de amor e doação, atraímos a força desses estados para nós.
Essa projeção dos estados superiores sobre o nosso estado atual é chamada de “a ação da luz reformante,” ou “luz circundante.” Eventualmente, a luz circundante faz-nos ansiar pela qualidade do Criador.
Baal HaSulam explica isso da seguinte forma:
“Pelo desejo e pelo grande anseio de entender o que estão a aprender, despertam sobre si mesmos as luzes que circundam as suas almas ... e que trazem a pessoa para muito mais perto de alcançar a perfeição.”
(Introdução ao Estudo das Dez Sefirot, Item 155)
Um Pedido para Alcançar a Plenitude
Pergunta: Como pode a ação da luz circundante, a “Luz que Reforma,” ser explicada em palavras simples?
A natureza, a Força Superior, a força de amor e doação, existe na conexão entre todas as partes da Criação — que Ele próprio criou — e essas partes existem em harmonia e numa conexão totalmente recíproca.
Somos infelizes porque nos desligamos deste sistema integral. Se quisermos ser felizes, devemos voltar a este sistema, que é chamado de “perfeição.”
Como podemos voltar? Quando queremos e fazemos esforços para voltar ao sistema, evocamos uma força dentro dele que nos afeta. Assim, despertamos sobre nós a “luz circundante,” a “Luz que Reforma,” uma força que nos conduz de volta ao sistema geral.
Essa força atua em consonância com o poder da nossa vontade — na medida em que despertamos, pedimos e até exigimos isso ao sistema.
Da Máquina a Vapor da Evolução à Espiritualidade
Quem pode explicar como um bebé se transforma num adulto? Por que motivo os bebés mudam de um dia para o outro? A ciência consegue descrever o que acontece dentro da matéria, mas não percebe a causa que existe fora dela, que a impulsiona a desenvolver-se.
Abandonei a ciência há décadas porque era precisamente isso que eu queria saber — de onde vem a força da vida? Onde pode ser encontrada? Nos átomos? Nas moléculas? Nos sistemas dentro das células? Descobri que a ciência não investiga isso. Mas, se não sabemos a resposta para a questão mais importante, ou sequer tentamos descobri-la, então qual é o propósito da ciência?
De acordo com a Cabala, a mesma força que atua e desenvolve todas as partes da Criação atua também sobre o bebé. É a luz da vida, a Força Superior, que opera na criação e transforma a matéria inanimada em plantas, animais e humanos. Sem ela, a matéria permaneceria inerte e imutável.
A luz da vida não pode ser percebida nem medida por nenhum instrumento. Apenas vemos os efeitos da sua atuação, como um bebé que cresce de dia para dia e de momento a momento. No nosso mundo, essa luz gera a evolução. Mas o comboio da evolução avança ao seu próprio ritmo, enquanto a Força Superior opera na matéria e a conduz ao seu objetivo predeterminado.
Quando entramos no mundo espiritual, podemos investigar cada etapa da evolução, até mesmo a era dos dinossauros, caso isso de repente nos interesse, já que todas as formas anteriores são conhecidas de antemão e devem revestir-se das suas formas de acordo com as diferentes combinações das forças de receção e doação.
A sabedoria da Cabala descreve os estados futuros do nosso desenvolvimento. Quando a estudamos com o desejo de nos desenvolver, atraímos a luz da vida de forma consciente, para agir sobre nós. Nesse caso, o efeito da luz sobre nós é definido como a ação da luz circundante. Hoje, essa possibilidade está aberta a todos.
O Livro do Zohar — Portal para o Mundo Oculto
O Livro do Zohar é um rio
que emana do Jardim do Éden
e flui pelo coração de cada um.
Sem O Livro do Zohar
não conseguiríamos focar-nos no mundo interior e espiritual.
Veríamos sempre a imagem superficial,
a imagem do mundo corpóreo,
o mundo das consequências.
O livro mais proeminente na sabedoria da Cabala é O Livro do Zohar. Foi escrito por um grupo de dez grandes cabalistas, um grupo sem paralelo na história.
Eles criaram uma ponte de linguagem, informação, sentimentos, forças e luzes entre a forma como entendemos e sentimos o mundo revelado e a nossa compreensão do mundo oculto.
Quando estudamos O Livro do Zohar e tentamos vivenciar o estado que os cabalistas procuram transmitir-nos, somos como bebés de olhos arregalados que abrem a boca e absorvem apaixonadamente as palavras das suas mães. Não as compreendemos, mas olhamos para elas e expressamos a nossa alegria com movimentos.
De dentro de nós, de uma camada desconhecida no nosso subconsciente, vai começar a aparecer um novo espaço, um novo mundo ao qual nos vamos habituar gradualmente. Assim, aquilo que estava oculto vai começar a revelar-se.
Na verdade, O Zohar não é “estudado”; ele é revelado através do nosso anseio, da nossa disposição para sentir o mundo oculto.
Por isso, sempre que os cabalistas escrevem sobre O Livro do Zohar, não utilizam a expressão O Livro do Zohar, mas apenas “O Livro”.
Com isso, mostram-nos que não há outro livro no mundo!
Conhecimento de Mim Mesmo
A singularidade d’ O Livro do Zohar
está na sua capacidade
de levar qualquer pessoa que o deseje,
quem quer que seja e onde quer que esteja,
e admiti-la no mundo espiritual.
Pergunta: Assisti a uma aula que deu aos seus alunos sobre O Livro do Zohar e outros escritos da Cabala. Não entendi muito, mas senti que havia algo especial ali. Vale a pena assistir a essas aulas mesmo sem compreender?
Sem dúvida. Assistir a essas aulas desperta o efeito da luz circundante na pessoa, mesmo sem a compreensão cognitiva do material que está a ser estudado. Sobre isso, dizemos: “O coração entende.”
De um modo geral, ao estudar O Livro do Zohar, deparámo-nos com muitas coisas que não nos são claras. Gradualmente, familiarizamo-nos com elas, mas, na verdade, isso nem é assim tão importante.
Podemos comparar este processo ao de uma criança pequena que vê muitas coisas novas e desconhecidas ao seu redor. Embora não saiba para que servem, dessa forma, sem entender como, ela começa a conhecer o mundo de uma maneira instintiva, pura e inocente.
Não é necessário temer não compreender o material ou não saber como uma coisa se relaciona com outra. Precisamos apenas de ouvir, tocar em tudo, arder por dentro e querer entender. Esta é a única maneira de conhecer o mundo: o nosso mundo e o mundo espiritual.
O Livro do Zohar e todos os escritos da Cabala dirigem-se às forças internas dentro de nós. Eles ajudam-nos a conhecê-las gradualmente. À medida que evoluímos, temos mais oportunidades de trabalhar com essas forças, de as reorganizar e de as usar adequadamente.
Luz de Hassadim (Misericórdia) no Meio de um Mar de Luz de Hochma (Sabedoria)
Estamos num estado fixo chamado Ein Sof (Infinito). O Criador deseja preencher-nos de forma ilimitada, para que possamos compreender e sentir “do fim do mundo ao seu fim.” O problema é que somos obtusos. Falta-nos o sentido com o qual podemos perceber toda a realidade.
Temos um corpo que é uma espécie de sentido inclusivo. Nele, há cinco sentidos específicos através dos quais percebemos apenas este mundo.
Mas existe outro sentido que, no momento, não sentimos. Ele é chamado de “alma.” Também nela há cinco sentidos específicos, chamados Keter, Hochma, Bina, Tifferet e Malchut. Quando revelamos a nossa alma, percebemos o mundo espiritual através dela.
Falta-nos apenas uma coisa para revelar a nossa alma, para sentir que mesmo agora nos encontramos no mundo de Ein Sof, que tudo brilha ao nosso redor e não há limites: a luz de Hassadim (misericórdia). A luz de Hassadim é amor, doação e elevação acima do ego.
Em termos cabalísticos, estamos atualmente num mar de luz de Hochma (sabedoria), mas só podemos revelá-la na medida em que nos abrimos com a luz de Hassadim.
Se houver pressão da luz de Hochma e não houver luz de Hassadim por parte da alma para se abrir e brilhar, surge a escuridão.
O ponto no coração dentro de nós é como uma gota do “sémen da alma.” Estudar Cabala traz a luz circundante até ele e, gradualmente, constroi nele a luz de Hassadim. Assim, a alma evolui e enche-se com a luz de Hochma.
A sabedoria da Cabala trata da receção de toda a abundância destinada a nós (em hebraico, Cabala significa “receber”). Ela explica como receber e transferir um prazer imenso e eterno através de nós mesmos.
Eterno — porque, ao transferirmos o preenchimento para todas as almas através de nós, não nos esgotamos. É como uma mãe que ama todos os seus filhos e desfruta das dádivas que transfere para todos eles.
O Objetivo da Criação é Desfrutar
Pergunta: Ainda não entendo o que vou ganhar ao amar os outros.
Amar os outros não é o objetivo; é o meio. O objetivo da Criação é desfrutar! Mas, para realmente desfrutar, são necessários “grandes vasos”, receptáculos, grandes desejos de prazer, para que possam ser preenchidos com abundância.
Nascemos com um vaso muito pequeno, minúsculo. Comemos um pouco, paramos e não queremos mais. Corremos para outro prazer físico, desfrutamos dele e pronto. Vamos assistir a algo e acaba... Não conseguimos receber um prazer maior do que o que recebemos agora.
Quando ouvimos dizer que o objetivo da Criação é desfrutar, o que podemos imaginar? Ser servido com um bife de 500 quilos? Receber um prazer tão grande que vamos explodir? O nosso vaso não consegue contê-lo. O que podemos fazer?
Aqueles que já passaram por este processo explicam que é impossível obter mais prazer da forma como o nosso vaso atual o obtém. Mas, se o expandirmos, poderemos receber mais.
Como expandimos o vaso? Obtendo vasos externos. Recebemos e transferimos prazer infinito através de nós para esses vasos externos.
Assim, o amor aos outros, tal como o percebemos atualmente, é um conceito muito confuso. Não existem “outros” aqui. Há apenas os nossos vasos, que nos aparecem como externos, para que os possamos adicionar a nós, elevando-nos assim ao nível do Criador.