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O Ego Humano

Quando olho para os outros,
o meu ego desperta inveja, ódio
e desejo de controlar.
Não lhes desejo o bem,
ou pelo menos, não melhor do que para mim.
Quero que tenham algum sucesso,
um sucesso relativo,
mas quero que todos vejamque sou mais bem-sucedido.


Hora de se Libertar

A nossa natureza, através da qual percebemos o mundo e nos sentimos vivos e a operar nele, é um programa que retrata para nós uma certa realidade.
Este programa chama-se “Ego” — o desejo de receber e de desfrutar sozinhos e apenas para nós próprios, ainda que seja à custa dos outros.
Este software aprisiona-nos interiormente, imerge-nos  dentro dele, atrai toda a nossa atenção e, na verdade, obriga-nos a focar-nos exclusivamente em nós mesmos.
Agimos de acordo com este programa e nem sequer conseguimos conceber a existência de outra realidade.


Ego – Natureza Humana – O Desejo de Receber
 


Opostos
Não devemos destruir nada dentro de nós.
Mesmo os atributos mais negativos devem permanecer.
Não criamos nada novo,
apenas corrigimos o modo como usamos
o que já existe dentro de nós.

 


Pergunta: Em primeiro lugar, porque fomos criados com ego, se eventualmente teremos de o corrigir?
Conhecemos o mundo comparando opostos — quente vs. frio, preto vs. branco. Reconhecemos um em relação ao outro. Se tudo fosse branco, não perceberíamos nada. Da mesma forma, se tudo fosse preto, também não perceberíamos nada.
O contraste é sempre necessário, a disparidade entre cores, sensações e lugares. Percebemos as diferenças entre as coisas, mas não cada coisa separadamente.
O Criador é amor e doação. Porém, não seremos capazes de sentir o que é a doação se não formos opostos a ela. É por isso que precisamos do ego — "ajuda a seu favor". Ser oposto  ao Criador ajuda-nos a conhecê-Lo e a senti-Lo.

O Criador — o desejo de amar e dar
A criatura — o desejo de receber
No momento presente somos opostos ao Criador,
e estamos a escondê-Lo de nós mesmos.
Correção — à medida que adquirimos a qualidade de amor e doação,
Entramos em equivalência com o Criador e começamos a senti-Lo.


Pergunta: As pessoas à minha volta só querem magoar-me! O que devemos fazer quando tentamos amar e o outro não?
O amor mútuo a que aspiramos é impossível dentro do ego. Nós amamos outra pessoa porque ela é boa para nós, mas, na verdade, queremos apenas explorá-la.
O amor dentro do ego é como amar peixe — amamos peixe porque gostamos de o comer. Da mesma forma, enquanto nos sentimos bem com alguém, gostamos de estar com essa pessoa e dizemos “eu amo-te”. Mas no momento em que deixamos de gostar da sua companhia, afastamos a pessoa.

Mas existe outro tipo de amor, um que ainda não conhecemos. Ele existe acima das nossas considerações egoístas, acima da nossa natureza. Quando nos é revelada a imagem de que somos partes de um único sistema inclusivo e interdependente, rendemo-nos ao seu poder, e o verdadeiro amor aos outros, desperta em nós.
E para além deste amor, há um amor ainda mais elevado. Para além da dependência mútua, a própria qualidade do amor começa a atrair-nos, pois compreendemos que amar e doar são as coisas mais sublimes da realidade.
O amor permite-nos transcender a nossa percepção habitual e começar a sentir outra realidade.
Quando a nossa aspiração natural de absorver tudo em nós mesmos se transforma na aspiração de amar e de dar, a realidade pequena e limitada que agora percebemos cede o seu lugar, e aparece diante de nós a realidade completa — a realidade espiritual.
Aquele que começa a sentir a realidade espiritual compreende que as pessoas se maltratam umas às outras porque estão naturalmente controladas pelo ego, e não porque sejam más. Descobre que elas foram deliberadamente criadas dessa forma para, eventualmente, alcançarem uma consciência independente da nulidade do ego. Só então poderão emergir dele para uma realidade de amor.
 


Uma Rede Social no Espiritual


Pergunta: Parece-me que as pessoas preferem comunicar por e-mails e SMS em vez de falarem umas com as outras. Por que é assim?
Hoje em dia, o ego evoluiu de tal maneira que preferimos um relacionamento mais virtual com os outros.
Não é que os queiramos ou não. Mas sentimo-nos melhor, mais confortáveis, mais completos ao nos conectarmos com os outros através de mensagens de texto, de um ecrã de computador ou algo semelhante.
Porquê? Porque desta forma não tocamos nos corpos dos outros, nas suas formas externas.
Para entender por que isso acontece, precisamos conhecer a raiz deste fenómeno. O desejo de receber em nós, evoluiu, e deseja transcender o nível animal dos nossos corpos. O nível animal já não tem mais nada a oferecer-nos; não nos proporciona um verdadeiro contacto com os outros. No entanto, procuramos um contacto mais profundo, e por enquanto, recorremos às relações virtuais.
Na próxima fase, as relações virtuais já não serão suficientes, e vamos desejar uma ligação ainda mais profunda. No meio dessa ligação virtual, sentiremos a necessidade de estar interna e espiritualmente conectados uns com os outros.
Quanto mais nos afastamos no nível físico, mais sentimos a necessidade de conexão. Isto explica a revolução da internet e porque todos se sentem tão atraídos por ela.
De onde vem esta atração, que por vezes se transforma numa verdadeira obsessão? Ela vem do nosso desejo de satisfazer a necessidade de conexão com os outros. Embora as redes sociais e os fóruns de hoje, de uma forma geral, estejam cheios de futilidades e, certamente, não haja um verdadeiro preenchimento nesta conexão, não obstante há aqui um tipo de conexão que nos vicia.
 


O Criador criou uma única alma
e dividiu-a em inúmeras partículas
para que, entre elas, aprendessem
o que significa amar,
e juntas pudessem alcançá-Lo.