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Capítulo 5.4 – Perguntas e Respostas

 
Cabala & Ciência

Pergunta: Existem determinados hábitos ou costumes à volta do estudo da sabedoria da Cabala?

Resposta: A sabedoria da Cabala não exige a prática de quaisquer costumes ou rituais. Os desenhos ou imagens dos mundos, das Sefirot ou da Guematria são simplesmente meios visuais de auxílio. A essência da sabedoria da Cabala é a experiência individual do Criador e do mundo espiritual.

A sabedoria da Cabala não é misticismo. É uma ciência que explora toda a realidade, ao contrário de todas as outras ciências que exploram apenas o nosso mundo.

P.: A ciência moderna aceita esta perspetiva?

R.: Uma ciência que estuda os sentidos, incluindo a teoria da relatividade, sustenta que tudo o que é percebido pelos nossos sentidos só é válido em relação a nós próprios. Mas a nossa imagem do mundo é relativa, porque os conceitos de tempo e espaço não existem como absolutos, pois também eles são relativos. Se estes termos não estivessem já em nós, percebê-los-íamos de maneira diferente.

Podemos dizer que o homem é como a caixa negra de um avião. Trata-se de um sistema fechado. Só percebemos aquilo que chega a esta caixa, aquilo que sentimos e captamos. Chamamos a esta combinação de sensações "o nosso mundo", ou "este mundo", ou simplesmente "o mundo".

Não podemos perceber nada que possa ou não existir fora dos nossos limites, fora desta caixa. Nem sequer conseguimos imaginar que exista algo fora dela (ou seja, fora dos nossos sentidos).

P.: Mas existe conhecimento fiável no que diz respeito à Cabala?

R.: Claro que sim, mas não fica por aí. A Cabala não só nos dá um conhecimento fiável da estrutura de todos os mundos e das suas leis, da história da humanidade e de fenómenos que nem sequer conseguimos imaginar, como também nos permite colocar este conhecimento em uso prático. Está escrito na Torá que "não há erva abaixo que não tenha um anjo acima". Isto significa que tudo o que existe no nosso mundo tem uma raiz espiritual. Se compreendermos estas leis e a maneira como os mundos espirituais são construídos, poderemos influenciar o que acontece no nosso mundo.

Este conhecimento exige uma perceção profunda, mas sem ela não conseguimos definir com precisão aquilo de que precisamos. Sem isto, faltar-nos-ia um certo tipo de informação que procuramos.

P.: Os cientistas sustentam que o mundo existe há muito mais do que apenas alguns milhares de anos. O que diz a Cabala sobre isso?

R.: A Cabala não diz o contrário. Escrevi no meu livro (Entrevista com o Futuro) sobre períodos de aquecimento e arrefecimento globais que duraram trinta milhões de anos cada um, e Baal HaSulam fez o mesmo no seu artigo ‘A Solução’.

P.: Como se relaciona a Cabala com a teoria do "Big Bang"?

R.: No século XVI, o grande cabalista, o sagrado Ari, escreveu em A Árvore da Vida: "Vejam que, antes das emanações serem emanadas e as criaturas serem criadas, a Luz Superior Simples preenchia toda a existência. E não havia vacuidade, como uma atmosfera vazia, um oco ou um buraco, mas tudo estava preenchido com Luz simples e ilimitada." Assim, a teoria do "Big Bang" era conhecida pelos cabalistas muito antes de os astrofísicos terem tomado conhecimento dela.

P.: A ciência virá a compreender o sexto sentido no futuro?

R.: Enquanto está nos seus cinco sentidos, o homem está completamente limitado nos seus sentimentos – nem sequer consegue imaginar que possa existir outro sentido. O homem nunca conseguirá imaginá-lo, quanto mais criá-lo, porque nunca sentirá desejo por algo que não esteja já nele, tal como nunca sentimos necessidade de um sexto dedo na mão.

É por isso que todas as ferramentas que o homem constrói e todos os sistemas de investigação apenas aprimoram os nossos sentidos existentes, mas em circunstância alguma criarão novos. Os nossos órgãos sensoriais fornecem-nos tudo o que precisamos para esse fim, e outros órgãos sensoriais exigiriam outra Criação. Estamos limitados pelos limites físicos da nossa Criação, pelo que nunca conseguiríamos imaginar exatamente aquilo que nos falta.

Independentemente de quão avançada seja a nossa tecnologia, continuaremos incapazes de romper os limites da nossa Criação. Os nossos cinco órgãos sensoriais criam um quadro claro de compreensão, e como as nossas fantasias são, na verdade, fruto da nossa imaginação, baseiam-se nesses cinco sentidos.

Se eu vos pedir, por exemplo, que descrevam algo que não se assemelhe a nada que exista no nosso mundo, como se eu fosse uma criatura de outro mundo, ainda assim iriam compô-lo a partir de elementos que existem no nosso mundo.

Embora o nosso espaço seja apenas uma substância que conseguimos sentir de certa forma, existem outros mundos e outras criaturas que não conseguimos sentir, embora existam na mesma dimensão em que nós estamos. Uso deliberadamente o termo "dimensão", na nossa compreensão limitada, para demonstrar quão incapazes somos de sentir aquilo que os nossos órgãos sensoriais não foram feitos para compreender.

Na verdade, mesmo a palavra "dimensão" é desprovida de sentido. Numa sensação diferente, a dimensão torna-se também algo completamente diferente.

Por exemplo, tentem imaginar o que veríamos em vez do universo ordinário se conseguíssemos ver com olhos de raios X. Isto demonstra que mudança drástica uma única alteração nos nossos sentidos pode produzir na nossa imagem do mundo.

P.: Escreve sempre que é tempo de a sabedoria da Cabala se tornar conhecida por todos. Porque estão agora tão empenhado nisso, e não haverá o perigo de qualquer pessoa que descubra a sabedoria da Cabala a vir a usar mal?

R.: A Cabala é uma ciência, mas não é uma ciência apenas para os especialistas. Qualquer pessoa pode utilizá-la tal como utilizamos os resultados de qualquer outra ciência. A diferença entre a Cabala e a ciência é que todos precisam da Cabala. Se alguém não pratica esta ciência, não recebe da vida o seu bem mais importante, a única coisa que permanecerá para sempre. Todos devem conhecer esta ciência e a Origem do poder desse conhecimento. Devem saber quão capaz é a Cabala de alterar os nossos conceitos sobre a estrutura do mundo, o propósito do homem na Terra, a evolução das criaturas e o papel único do homem nela.

A Cabala proporciona um conhecimento completo e fundamental do mundo. O objetivo dos cabalistas é trazer o maior número possível de pessoas para a Cabala, porque se a humanidade continuar a seguir caminhos errados e experimentais, e a andar às apalpadelas no escuro, caminha para catástrofes horrendas.

Quando uma criança mete o dedo no fogo, chora amargamente de dor. Sente imediatamente que é algo que não deve fazer. Mas, no fim, a queimadura sara. Da mesma forma, não é necessário que queimemos o nosso planeta para compreendermos que não valeu a pena meter o dedo no fogo.

A humanidade foi criada de tal modo que chegaria a conhecer a Cabala como ciência e não através da experimentação. A Cabala revela-nos que existem forças e conexões na natureza e quais as consequências que cada ato produz.

 

Humanidade

P.: Quando poderá a humanidade compreender a singularidade da Cabala?

R.: A humanidade é sempre impelida para a frente pelo desengano. Qualquer progresso tecnológico, médico ou de outra natureza surge quando a humanidade se dececiona com os métodos anteriores. Quando se acumula uma determinada quantidade de angústia, a humanidade é forçada a compreender que os métodos existentes não constituem solução para nenhum problema.

Tomemos um exemplo da nossa própria vida: nas últimas décadas, o número de psicanalistas aumentou várias vezes, mas o número de doentes aumentou ainda mais, tal como o número de suicídios. Esta combinação assemelha-se a uma nova moda que em breve passará, dando lugar a um amargo desengano.

Procuramos preparar-nos para esse tempo, desenvolvendo diversos métodos para aqueles que já estão, ou em breve estarão, conscientes da necessidade da Cabala. Devem dispor de material suficiente que lhes permita transformar-se através dela. Quem marcha pelo caminho correto deve ajudar os que seguem o mesmo percurso e impedir que sigam estradas sem saída. Isto pode ser feito através da difusão de livros, áudios, ficheiros de vídeo e cassetes.

Aqueles que verdadeiramente se interessam devem ser encaminhados para a Cabala. É importante não forçar nem compelir ninguém a estudar Cabala, porque as pessoas têm primeiro de amadurecer para ela.

 

Judaísmo

P.: Que tipo de ligação existe entre a Cabala e o papel dos judeus na realização do objetivo que descreveu?

R.: Existe neste mundo uma divisão em forma de pirâmide: inanimado, vegetativo, animal e falante. A mesma divisão existe também nas nossas almas. Os judeus são considerados o povo eleito porque lhes foi dada a oportunidade de alcançar a espiritualidade antes das outras nações. Não é que os judeus sejam melhores do que os outros; simplesmente são os primeiros da humanidade a ter a obrigação de se corrigir e de alcançar o mundo espiritual. Existe um certo tipo de alma chamada "judaica", da palavra hebraica "Yehudi" – que significa "único" ou "unificado" (com o Criador).

A Cabala sustenta que este é o tipo de alma mais egoísta. Não é por acaso que o povo judeu é descrito como "de dura cerviz" e insubmisso.

O vaso espiritual coletivo (a alma, Adam) partiu-se em pedaços porque era mais fácil corrigir pequenas partes egoístas do que todo o egoísmo de uma só vez. As primeiras partes a corrigir chamam-se "judeus". Depois, as outras partes misturam-se com elas e começam a aproximar-se do Criador. No final, todas as partes se unem num único vaso completamente preenchido de Luz.

É por isso que não existe tal coisa como "nacionalidade judaica". Se a pessoa sente uma necessidade genuína de se aproximar do Criador e de alcançar a espiritualidade através da Cabala, essa pessoa será considerada judia. Isto significa que o nome "judeu" se relaciona com o desejo natural da pessoa, e não com a nacionalidade de nascimento. Assim era no passado, e só mais tarde surgiu a determinação de quem era considerado judeu.

P.: Porque foi a Torá (incluindo a Cabala) dada apenas ao povo judeu?

R.: O nosso mundo está dividido em certos grupos de pessoas chamados "nações" ou "povos". Todos os mundos são construídos segundo um único princípio, nomeadamente o "princípio da pirâmide". Devido à lei do "valor oposto entre Luzes e vasos", a Torá foi dada para corrigir a parte mais dura do mundo – os judeus. Na Torá são considerados "de dura cerviz", o povo mais egoísta de todos. É por isso que a Torá e a sabedoria da Cabala lhes foram dadas, entre todas as nações.

Os judeus devem ser os primeiros entre as nações a corrigir-se, e as outras nações devem seguir os seus passos. É por isso que se diz que o povo judeu deve tornar-se o portador da Luz para as outras nações. O ódio das outras nações em relação aos judeus tem origem numa raiz espiritual que exige que eles se corrijam primeiro.

A correção de todas as outras nações e a sua paz e bem-estar físico e espiritual dependem do sucesso da correção dos judeus. Isto está descrito com grande detalhe na Introdução ao Livro do Zohar (do item 66 até ao fim).

P.: Em que difere a perceção do Criador entre os cabalistas da perceção do Criador entre as pessoas religiosas?

R.: Uma pessoa religiosa acredita que existe uma força superior que governa o homem e determina todas as leis que este deve seguir. A Cabala difere nisso porque acrescenta a possibilidade de o homem sentir o seu Criador.

 

Deus

P.: Onde está Deus na sabedoria da Cabala e qual é a Sua função?

R.: A realidade consiste em dois elementos: o Criador e a Criação, ou, como normalmente lhe chamamos, "a alma". A razão da existência das almas é alcançar a unificação completa com o Criador. O desejo do homem é receber prazer do Criador. Cada propriedade da alma é definida por um termo específico.

A Cabala utiliza termos técnicos ao estudar a lei coletiva do universo. Na Cabala não usamos a palavra "Deus" porque empregamos termos técnicos para estudar a Criação, mas o significado continua a referir-se à Força Suprema, à Luz Superior ou ao Criador. Cada nível que está acima de outro é considerado o "Criador" do nível inferior, porque o cria, o controla, o desenvolve e o influencia.

Basta abrir qualquer livro de Cabala para ver a natureza da relação Criador-criatura. A criatura tem uma sensação clara, concisa e bem definida do Criador e participa das Suas ações. Eventualmente, as criaturas alcançam o mesmo nivel espiritual do Criador e tornam-se Seus parceiros.

 

Outras Religiões

P.: Existem paralelos à sabedoria da Cabala noutras religiões?

R.: Não existe paralelo à sabedoria da Cabala noutras religiões, porque a sabedoria da Cabala não é uma religião, mas uma ciência. Não tem qualquer relação com religiões, crenças ou vidência de qualquer espécie, nem sequer com o judaísmo. Qualquer judeu crente, quando questionado se é proficiente em Cabala, responderia negativamente e não veria necessidade disso.

Não é necessário o estudo da Cabala para cumprir os mandamentos religiosos. Para além disso, o estudo da Cabala aumenta o egoísmo da pessoa, aumenta o desejo de conhecimento e baseia-se na autodescoberta e na compreensão do mundo espiritual, enquanto a religião se baseia na auto-restrição, na coerção e na conformação com a limitação dos desejos.

P.: As outras religiões também têm formas de alcançar os mundos espirituais?

R.: Todas as outras religiões falam de processos psicológicos internos ou de processos que se relacionam com o corpo animal e com a força que o vivifica. Os animais também têm corpos que funcionam segundo certas leis, e os seus corpos não são muito diferentes dos nossos. Os animais também podem, até certo ponto, prever o futuro, e até melhor do que as pessoas. Também conseguem sentir o outro.

Se existe algo nas outras religiões que se relacione com a conquista da espiritualidade, é apenas aquilo que lhes foi transmitido da Torá. A questão principal que todas as religiões colocam é como utilizar a intenção do homem para melhorar as suas propriedades animais e sociais, bem como a vida neste mundo.

P.: O que significa idolatria?

R.: Idolatria significa utilizar desejos egoístas. Só existem duas maneiras de usar o desejo de prazer que o Criador criou: ou para o Criador, ou para si mesmo. Não só é impossível como desnecessário mudar o desejo de deleite. A única coisa que deve ser mudada é a intenção desse desejo.

A direção do desejo deve ser alterada. Isto chama-se "a correção do desejo" e é o nosso objetivo e a única finalidade da nossa presença neste mundo, o mais baixo de todos os mundos (estados de existência). Pode-se trabalhar para o Criador ou para si mesmo; não há meio-termo.