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Capítulo 4.2 – O Início do Caminho de um Cabalista

Quando cheguei pela primeira vez a Rabino Baruch Ashlag, ele enviou-me para estudar com Hillel, o seu discípulo mais antigo. Antes disso, tentei estudar com muitos outros professores, mas nunca recebi explicações que me satisfizessem. No entanto, fiquei muito satisfeito por estudar com Hillel, porque as suas explicações faziam sentido, eram claras e racionais. A princípio, tudo me parecia muito claro: pensava que bastava memorizar os seis volumes do 'Estudo das Dez Sefirot' e que isso seria suficiente para participar na direcção superior de mim mesmo e de todo o mundo.

Depois chegou o momento em que Rabino Ashlag me chamou para participar nas suas aulas. A partir desse instante, tudo o que eu pensava compreender tornou-se completamente incompreensível. Surgiram novas perguntas que ficaram sem resposta. Não só o estudo com Rabino Ashlag não me ajudou a compreender o texto, como me levou a reconhecer que, desde o início, eu não compreendia nada.

Demorei muito tempo a perceber que Rabino Ashlag primeiro fornecia aos seus estudantes o conhecimento teórico e só depois os instruía sobre como participar na direcção superior. Como a passagem para a participação activa na direcção superior não é um processo racional, e cada pessoa deve alcança-lo sozinha, essa situação criava uma atmosfera de completo mal-entendido.

O rabino não ensinava os seus estudantes com o objectivo de acumularem conhecimento teórico dos nomes dos conceitos espirituais, nem para filosofarem sem compreender a natureza das coisas. Em vez disso, queria levar os seus estudantes a um estado em que sentissem esses conceitos. Trata-se de um método totalmente diferente do estudo teórico. Nesse método, o objectivo não é a quantidade de conhecimento que o estudante adquire, mas a sua qualidade — ou seja, até que ponto as coisas que o estudante ouve o ajudam a aproximar-se, por si próprio, daquilo sobre o que lê.

O rabino não ensinava principiantes. Em vez disso, enviava-os para outros estudantes e acompanhava o seu progresso. Os estudantes que se mostravam dispostos e diligentes eram chamados a estudar com ele.

O desejo humano de compreender, gerir e controlar é um desejo muito positivo, porque faz com que desejos adicionais se somem aos desejos originais. No entanto, a única chave que devemos realmente adquirir para entrarmos na espiritualidade é o Masach [Tela] e a Luz Refletida.

Baal HaSulam escreveu o 'Estudo das Dez Sefirot' deliberadamente de modo que, quanto mais se lê, mais perguntas surgem. É necessário que se possa esforçar-se em algo mantendo uma certa intenção. O esforço vem de baixo, do homem, mas a intenção é dada do alto, pelo Criador.

Contudo, a intenção não chega antes de se sentir que todos os esforços foram esgotados e não há mais para onde se virar, que se está completamente encurralado. Só então se pede sinceramente ao Criador que ajude, e então a sua oração é atendida.

A coisa mais importante no trabalho espiritual é manter a determinação e a paciência. As nossas orações são definidas pelo estado em que nos encontramos e dependem da presença ou ausência das centelhas. Antes de alcançarmos a espiritualidade, pensamos que quanto menos nos esforçarmos, melhor. Mas depois de alcançarmos a espiritualidade, lamentamos ter feito tão pouco para a alcançar.

O caminho para alcançar a espiritualidade passa por fazermos um acto de restrição. Mas o que significa restringir? Os que seguem uma dieta rigorosa, por exemplo, são pessoas interessadas em perder peso. Compreendem que o prazer que irão obter ao perder peso é maior do que o prazer que obterão da comida. Há casos em que a comida se torna efectivamente um inimigo para elas, a ponto de verdadeiro ódio. Para quem faz dieta, manter uma alimentação estrita é uma forma de restringir o desejo.

O factor mais importante na restrição de algo é o reconhecimento do mal. É por isso que nos é dada a Torá. Ela contém em si esse poder maravilhoso que nos permite compreender os inimigos e os obstáculos no nosso caminho para alcançar a espiritualidade.

Todos nós temos de superar muitas dificuldades na vida, a ponto de sentirmos que não há propósito no nosso trabalho, enquanto não compreendermos onde está a verdade. Enquanto não fizermos essa restrição, nem sequer podemos começar a saber onde está a verdade. No entanto, uma vez alcançada a espiritualidade, estamos em boas mãos e já não precisamos da explicação, porque podemos ver tudo por nós próprios.

Antes de recebermos a intenção correcta do Alto, devemos esforçar-nos em acções físicas, mesmo que seja para nós próprios, na esperança de mudar a nossa situação. Mas o esforço não é necessário em si mesmo, porque o objectivo da Criação é o prazer, e o esforço significa dor ou a ausência de algo. Se pudéssemos passar para a intenção de doar ao Criador, ou receber prazer espiritual sem qualquer esforço, isso seria maravilhoso. Não há necessidade de procurar dificuldades no nosso mundo.

Contudo, se o esforço for prazeroso, deixa de ser esforço. É como uma mãe que alimenta o seu bebé e sente prazer nisso. Se o esforço para pensar no Criador, que antes era laborioso e falso, se torna subitamente agradável, vital e importante, a partir do momento em que se torna um prazer, já não é necessário esforço. O esforço só é necessário para atravessar essa barreira espiritual.

Quando começamos a praticar a espiritualidade, o nosso trabalho muda e recebemos um tipo diferente de recompensa, embora as pessoas à nossa volta não o notem. Se, por exemplo, uma música espiritual fosse executada pelos melhores músicos, eles fariam com que soasse como qualquer outra música. As pessoas que não praticam a espiritualidade poderiam considerar uma composição espiritual menos elevada do que realmente é, colocando-a ao nível de uma música agradável, mas comum.