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Capítulo 7.6 – Perguntas & Respostas

 
Torá & Mitzvot

Pergunta: Qual é a ligação entre as Mitzvot e o propósito da nossa existência?
Resposta: As Mitzvot são regras, ou seja, características de níveis espirituais. Por essa razão, o número de Mitzvot que foram dadas a Israel – 613 – e às nações do mundo – 7 – indica a soma total dos níveis espirituais que se expandem desde o nosso mundo até ao mundo de Ein Sof, desde a desconexão completa do Criador até à adesão completa às Suas propriedades.
Diz-se que 'uma Mitzva sem intenção é como um corpo sem alma'. Isto refere-se ao vaso espiritual altruísta, à sensação da Luz espiritual, ou seja, do Criador. Por isso, é bom que as pessoas cumpram as Mitzvot, mas certamente não se trata de um acto espiritual. A única forma de operar no mundo espiritual é através de intenções espirituais corrigidas, mesmo sem realizar qualquer actividade física.
No entanto, o propósito do homem é combinar o cumprimento mecânico das Mitzvot com o cumprimento espiritual, de modo que todos os 620 níveis espirituais sejam incluídos no cumprimento mecânico. Assim, o ser humano reúne em si todos os mundos, desde o nosso mundo até ao mundo de Ein Sof. É por isso que esse nível espiritual se chama 'o fim da correcção'.
A importância da Cabala reside no facto de ela mostrar como criar em nós a intenção correcta quando cumprimos as Mitzvot. A Cabala acrescenta a intenção espiritual ao acto mecânico, mas de modo algum anula o cumprimento físico das Mitzvot. O propósito da Criação não é voar para o mundo espiritual, mas sentir os mundos espirituais através do nosso mundo e experienciá-los simultaneamente. Fazemo-lo acrescentando a dimensão espiritual às operações mecânicas que realizamos.

P.: O que significa cumprir plenamente as Mitzvot?
R.: O cumprimento completo de uma Mitzva significa cumpri-la na sua raiz. Ou seja, é a ascensão ao nível de onde a Mitzva, a propriedade espiritual, proveio, utilizando as propriedades já corrigidas. A ascensão ao nível espiritual significa que o vaso da alma tem de ser esvaziado do seu preenchimento anterior para poder receber um novo. O início de um novo nível espiritual ocorre através de um processo chamado 'concepção' (Ibur).
A purificação da alma do seu passado espiritual chama-se 'despojamento da corporeidade', mas isto não se refere ao passado corpóreo. O esvaziamento do passado é necessário porque o Keter do inferior se torna Malchut do superior quando se passa da ausência à existência (durante a ascensão espiritual) e vice-versa.

P.: Porque temos de cumprir todas as 620 Mitzvot, se cada uma delas é uma lei num certo nível espiritual na escada entre o Criador e nós?
R.: Cada nível espiritual contém em si todos os outros níveis. Cada um dos 620 níveis entre o homem e o Criador é composto por 620 partes, e todas elas têm de ser corrigidas em cada nível, conforme o seu nível espiritual. A diferença entre os níveis reside apenas na intensidade do seu poder altruísta.

P.: Porque existem Mitzvot que foram dadas centenas de anos depois da entrega da Torá?
R.: Moisés, o grande cabalista, falou ao seu povo sobre a estrutura dos mundos espirituais. Sabemos que aquilo que ele lhes transmitiu se tornou o livro da Torá.
Este livro oferece duas opções: a primeira é quando sentimos apenas o nosso mundo e estudamos a Torá, e especialmente a sabedoria da Cabala. Nesse estado, atraimos inconscientemente Luz dos mundos espirituais, que nos vai corrigindo gradualmente.
A segunda é quando já percebemos o mundo espiritual através dos sentimentos. Então, a sabedoria da Cabala torna-se um guia que nos mostra com precisão o que devemos fazer a seguir e como. Ensina-nos o funcionamento de cada sistema nos Mundos Superiores.
O crescente espessamento (Aviut) das almas que descem ao nosso mundo ao longo dos 6000 anos exige que cada geração tenha a sua própria Torá, adequada à alma dessa geração. A Torá é o meio para corrigir o nosso egoísmo, como está escrito: 'Criei a inclinação ao mal, criei para ele a Torá como tempero.' Por essa razão, os cabalistas apresentaram novas Mitzvot em cada geração, sob a forma de costumes e leis. Eles estabeleceram que os costumes de Israel são leis.
Por outro lado, quando não há necessidade de cumprir algo no nosso mundo, assistimos a acontecimentos que afectam a nossa capacidade de os realizar. Tais acontecimentos incluem a destruição do Primeiro e do Segundo Templos, os exílios e outras catástrofes. Como resultado, as pessoas deixaram de poder cumprir muitas das Mitzvot ligadas ao Templo ou à santidade da Terra.

P.: Podemos falar sobre a construção do Terceiro Templo e o que isso significa?
R.: Em cada geração descem a este mundo diferentes tipos de almas. As primeiras almas a descer foram as mais refinadas, as mais puras e, consequentemente, as mais simples. Estas almas tinham um desejo de receber tão pequena que não sentiam qualquer desejo de evoluir no mundo físico. Por isso, foram necessários muitos anos para que algo de significativo acontecesse.
Contudo, ao longo dos anos, estas almas acumularam dificuldades e sofrimento, o que aumentou o seu desejo de receber; tornaram-se mais espessas. O aumento do desejo de receber obriga as pessoas a procurarem respostas para as perguntas e necessidades que nelas despertam. Esta busca gera o desenvolvimento da ciência, da medicina, da cultura e da tecnologia.
A nossa geração e as gerações que se seguirão pertencem a um período geralmente designado como 'a última geração'. É a geração que precede a correcção colectiva das almas. Nesta geração, o egoísmo cresce com tal intensidade que desperta a necessidade de tudo o que existe no plano corpóreo, bem como a necessidade de compreender e dominar o mundo espiritual.
É por essa razão que assistimos a uma crescente importância e interesse por certas ciências místicas. As livrarias estão repletas de livros, filmes e revistas sobre extraterrestres e outros fenómenos semelhantes. Porém, estes são apenas pontos intermédios no caminho para a pergunta última: 'Qual é o sentido da minha vida?' Embora esta pergunta já tenha sido feita no passado, a intensidade que hoje a acompanha é muito maior.
O Templo representa o estado corrigido da alma, pois corresponde ao estado do Templo. Está escrito que o Templo só será construído quando as relações entre as pessoas tiverem sido corrigidas (altruístas).
Mas porque é que o Criador o fez desta forma? Porque deve o homem anular o seu ego e pensar apenas nos outros, nunca em si próprio? O Criador precisa disso? Ele não precisa de nada; somos nós que precisamos! Ao fazê-lo, criamos um objectivo fora de nós e desligado de nós próprios. Estas são as únicas condições que permitem a construção de um Templo.

P.: O que significa, em termos de Cabala, a bênção ao alimento?
R.: O Talmude fala de um grande grupo de Tana’im, cabalistas que enterraram o seu professor falecido. Depois do funeral, sentaram-se junto ao rio e fizeram uma refeição de pão e sal. De repente, aperceberam-se de que não conseguiam recitar a bênção para o alimento sem o seu professor. Infelizmente, não tinham conseguido aprender esta bênção com ele.
Então, o que é a bênção para o alimento? A bênção para o alimento é a recepção de prazer com a intenção de trazer contentamento ao Criador. É quando existe respeito mútuo entre o convidado (o homem) e o Anfitrião (o Criador). Aquele que recebe deve fazê-lo com a intenção de dar prazer ao Criador. Ao fazê-lo, eleva-se a um nível espiritual. Se a intenção não for tida em consideração e se alguém desfrutar sem pensar no Anfitrião, permanece no nível do nosso mundo. Este acto espiritual (receber para dar prazer ao Criador) chama-se 'a bênção ao alimento'.

P.: Então, é correcto dizer que o mais importante é a intenção com que se faz a bênção para o alimento?
R.: Sim, mas não apenas no que respeita à bênção para o alimento. Está escrito na Torá que 'uma Mitzva sem intenção é como um corpo sem alma'. Isto significa que todo o acto, toda a Mitzva que não tenha uma ligação recíproca com o Criador, um dar mútuo, equivale a um corpo sem alma, a um corpo morto, ou seja, sem conteúdo espiritual. No entanto, cumprir as Mitzvot mesmo neste nível ainda é importante, porque se trata de um período de preparação, em que se podem cumprir as Mitzvot neste nível até se alcançar o mundo espiritual.

P.: O que é mais importante: o sentimento ou os erros que possamos cometer quando oramos?
R.: O sentimento é mais importante; os erros não importam. Se pegarmos apenas em algumas linhas do livro de orações e as sentirmos profundamente, isso será muito melhor do que qualquer oração mecânica.

P.: As coisas acontecem-nos apenas pela Vontade do Criador, ou existem outras forças?
R.: A Torá afirma claramente que 'Não há Nada Além d’Ele'. Isto significa que existe apenas uma força suprema, ou seja, o Criador. Tudo o que percebemos como luta entre forças opostas na natureza provém de uma única governação: o Criador que conduz a Criação. O Criador é o único governante; Ele é um, único e unificado.
Para além disso, a ideia de que existem outras forças contradiz a essência do Judaísmo. O conceito de que não é o Criador quem governa as forças do mal destina-se a justificar a nossa existência. A Torá afirma claramente os pesados castigos que recairão sobre o povo escolhido pelo Criador se não seguirem o caminho da Torá.
Catástrofes aconteceram mais do que uma vez ao longo da nossa história, e cada vez o Criador nos avisou com antecedência. O Talmude fala dos sinais precursores da destruição do Primeiro e do Segundo Templos antes de elas ocorrerem efectivamente. Está escrito na Torá e no Zohar que, para alcançarmos a perfeição de forma boa, devemos estudar Cabala.


Feriados

P.: Qual é o significado de Yom Kippur (Dia da Expiação)?

R.: Yom Kippur é o dia em que se completa a construção do vaso espiritual. A realidade consiste em Luz e vaso. A Luz é o Criador, o prazer; o vaso é a criatura, a alma, ou Malchut. A Luz está em completo repouso e nunca se altera. O único propósito da Luz é deleitar as Suas criaturas e conduzir a humanidade à bem-aventurança eterna.

Todo o processo de formação do vaso espiritual, desde o seu estado actual mais inferior até ao mais elevado, eterno e completo, é expresso neste mundo nos 'Dez Dias de Penitência' entre o Ano Novo e o Dia da Expiação. Durante estes dez dias, a alma, que originalmente consiste apenas num desejo de receber, começa a adquirir gradualmente o atributo da Luz, desde o primeiro dia de Rosh Hashanah (o primeiro dia do ano) até ao Dia da Expiação. O desejo de receber transforma-se de dez maneiras, dez Sefirot, que constituem a base da correcção da alma.
No final desses dez dias, a alma completa a sua correcção e fica pronta para receber a Luz. No décimo dia, o Dia da Expiação, é proibido manifestar qualquer desejo de receber, o que é enfatizado pelas proibições de comer, beber e pelas demais limitações deste dia de jejum. Esse dia completa a correcção final.

Depois do Dia da Expiação inicia-se a preparação para a recepção da Luz pelo vaso agora totalmente corrigido. A recepção da Luz realiza-se nos sete dias de Sucot, através do cumprimento das Mitzvot do Lulav (ramo de palmeira), do Etrog (cidra) e das outras Mitzvot necessárias para fazer descer a Luz para dentro do vaso.

Finalmente, a festa de Simchat Torá (Alegria da Torá) conclui todo o processo e a Luz do Criador preenche por completo o vaso preparado. A Torá simboliza a Luz, e a Simcha (alegria) simboliza a recepção da Luz com o intenção de a oferecer ao Criador.

Esta correcção não tem de ocorrer nestas datas exactas; na espiritualidade pode acontecer a qualquer momento. Apenas assinalamos este processo no nosso mundo em épocas específicas do ano.

P.: Quem é o sujeito da Torá?

R.: Toda a Torá, sem excepção, fala do indivíduo. Cada pessoa é considerada um mundo inteiro. Nesse mundo existem rios, lagos, montanhas e florestas. Existem pessoas, nações, homens e mulheres, crianças, escravos, estrelas, lua e sol. Tudo aquilo em que podemos pensar existe dentro desta criatura. É a única coisa que o Criador criou; fora dela só existe o Criador. Tudo o que acontece a esta criatura ocorre dentro dela. Tudo o que percebemos com os nossos cinco sentidos – visão, som, olfacto, paladar e tacto – provém do Criador que nos envolve.

Assim, a Torá fala de cada um de nós; é um guia pessoal para a percepção do Criador. Por isso, tudo o que lemos na Torá deve ser imediatamente relacionado connosco, com o nosso estado interior. Devemos relacionar as personagens com as nossas próprias propriedades; os acontecimentos no nosso mundo são, na realidade, relações entre atributos hereditários, intelectuais e emocionais. Estes foram originalmente criados pelo Criador e nós adquirimo-los d’Ele e de mais ninguém, porque não existe mais ninguém! Existem apenas diferentes revestimentos que aparecem como pessoas diferentes, através das quais o Criador actua sobre cada um de nós.

 

Perguntas & Respostas Diversas

P.: O que é Eretz Israel (a Terra de Israel)?

R.: Eretz Israel é um desejo interior pela espiritualidade. Se alguém se encontra também na terra física de Israel, o seu corpo físico une-se à sua alma. Este é o estado do fim da correcção. Se alguém não está em Eretz Israel no sentido espiritual, mas apenas fisicamente, sente-se desconfortável neste país e é expulso dele. Essa pessoa enfrentará constantemente inimigos externos até decidir corrigir-se interiormente. Mas quando isso acontece, esses inimigos externos tornam-se imediatamente amigos.

Devemos actuar simultaneamente no plano interior (espiritual) e no plano exterior (corpóreo). Se algo nos é querido, não o abandonamos facilmente; e se ainda não apreciamos a terra espiritual de Israel, é porque ainda não a adquirimos e, portanto, somos incapazes de apreciar a Eretz Israel corpórea.

Existe uma ligação estreita entre a raiz e o ramo no nosso mundo. Se conhecêssemos o significado espiritual de Eretz Israel, com o que ela se relaciona e com o que se identifica, nem sequer consideraríamos entregá-la, tal como um pai ou uma mãe não renunciaria ao seu filho.

P.: A guerra e a paz – estão nas mãos do Criador?

R.: Isto depende muito mais dos nossos desejos do que dos desejos dos políticos. Não me refiro aos cabalistas, mas aos desejos das pessoas em geral. Os seus desejos podem mudar tudo no Mundo Superior, e a política mudará em conformidade.

P.: A humanidade caminha para a unidade?

R.: Claro que a humanidade caminha, em última análise, para a unidade! No final, a humanidade compreenderá que sem unidade será impossível levar uma vida pacífica e segura.

P.: Os escritores, poetas e compositores podem chamar suas às suas obras?

R.: Sim, claro que podem.

P.: Um cabalista está obrigado a respeitar figuras que outros povos consideram sagradas?

R.: Mesmo as leis da Torá literal, e não apenas a Cabala, afirmam que se deve respeitar toda a gente.