Hevruta - Após a Lição 30. "Sobre o Amor aos Amigos"
Hevruta - Seguimento da Lição 30."Sobre o Amor aos Amigos"
Vamos estudar o seguinte artigo de Rabash: "Sobre o Amor aos Amigos"
É o segundo artigo de Rabash - e irá ajudar-nos a compreender como estudar estes artigos.
Vamos lê-lo todo primeiro, depois vamos dividi-lo para ver o que Rabash quer que compreendamos.
Link: https://kabbalah.academy/en/library/sources/articles/837/
Rabash começa com alguns pontos que quer explorar – questões que devemos colocar a nós próprios:
1) A necessidade do amor aos amigos [ou seja, qual é a necessidade – porque precisamos do amor aos amigos – compreendemos a ideia de amigos, mas porque é que temos necessariamente de os amar, talvez sejam eles que precisam de nos amar?]
2) Qual é a razão de eu ter escolhido especificamente estes amigos, e por que motivo é que os amigos me escolheram a mim? [Será que escolhi realmente alguém, quero dizer, vim para estudar, as pessoas já cá estavam, isto é uma escolha?]
3) Deverá cada um dos amigos revelar o seu amor pela sociedade, ou será suficiente sentir amor no coração e praticar o amor aos amigos em ocultação, e assim não precisa de mostrar abertamente o que sente no seu coração?
Sabe-se que ser humilde é algo grandioso. Mas também podemos dizer o oposto – que se deve revelar o amor no coração pelos amigos, pois ao revelá-lo desperta o coração dos amigos em relação aos amigos, para que eles também sintam que cada um está a praticar o amor aos amigos. O benefício disso é que, desta forma, cada um ganha força para praticar o amor aos amigos com mais vigor, pois a força de amor de cada um integra-se na dos outros.
Pergunta:
O que significa praticar o amor aos amigos? Que força de amor é esta de que falamos?
De Rav Laitman
Força é força – ou seja, intensidade – mas numa pessoa, também se expressa no desejo, porque toda a nossa matéria é desejo. Portanto, existe o desejo e a força do desejo, pela qual podemos medi-lo.
O Criador caracteriza-se pela força do prazer, ou seja, doação e amor. Mas, em relação a nós, estas qualidades manifestam-se como a força da Sua pressão sobre nós, ou seja, a causa da qual procede qualquer efeito. Portanto, medimos a Sua influência, o Seu amor por nós, pela força dessa influência, a força do amor, com que este campo nos afeta.
Existe uma diferença entre o campo espiritual, no qual se encontram todo o tipo de qualidades, e a força da influência desse campo sobre algum objeto estranho que nele se encontra.
Se este objeto adotou a qualidade do campo espiritual, então estão em equilíbrio, ninguém está a pressionar nada. Mas se este objeto ainda for de alguma forma estranho, isto é, não corresponder às qualidades do campo, então o campo atua sobre ele e provoca movimento para levar este objeto ao equilíbrio consigo mesmo.
É isto que acontece no nosso mundo, e exatamente a mesma lei opera no mundo espiritual.
A partir disto, O que entendemos ser esta força de amor?
De Rav Laitman:
O nosso trabalho deve concentrar-se na oração para tornarmos o nosso pedido o mais correto e preciso possível, na máxima medida em que estamos preparados para receber, a partir do nosso estado. A cada momento precisamos tentar localizar o pedido certo de acordo com a sua direção, intensidade e natureza. Isto é o mais importante.
Se nos examinarmos, veremos que não estamos a pedir ao Criador. E mesmo quando pedimos, pedimos para nós próprios, lamentando a nossa condição pessoal. E isto é certamente a manifestação do maior ego.
Pessoas comuns neste mundo que não estão envolvidas com o estudo da Cabala estão em melhor situação do que nós. Afinal, não exigem que o Criador mude, melhore ou corrija o que Ele lhes fez, não discordam d’Ele. Simplesmente aceitam tudo como é, pois estão separadas do Criador. Pelo menos não chegam até Ele com exigências e reivindicações, perguntando onde está a sua recompensa merecida. Um pedido destes é totalmente oposto à oração correta.
É possível organizar tal mudança em nós para que apenas peçamos corretamente trabalhando em grupo. A pessoa sozinha não pode manter-se neste processo. Se estiver sozinha, cairá novamente no seu ego; começará a atribuir tudo a si e a pedir para si. Não tem meios para se formatar e organizar o seu apelo ao Criador corretamente. Isto só é possível através da oração em comum.
Vale a pena vermos todos estes conceitos com muita clareza. Se não obtemos quaisquer mudanças no caminho, isto é um sinal de que não estamos a pedi-las. Todo o progresso espiritual realiza-se apenas após a descoberta prévia de uma deficiência, de um pedido.
Agora vamos voltar a Rabash
Acontece que, onde uma pessoa tem uma medida de força para praticar o amor aos amigos, se o grupo é composto por dez membros, então a pessoa está integrada com dez forças que compreendem a necessidade de praticar o amor aos amigos. No entanto, se cada um deles não demonstra à sociedade que está a praticar o amor aos amigos, vai-lhe faltar a força do grupo.
Isto acontece porque é muito difícil julgar favoravelmente o próximo. Cada um pensa que é justo e que somente ele se dedica ao amor aos amigos. Nesse estado, a pessoa tem muito pouca força para praticar o amor aos amigos. Portanto, especificamente este trabalho, deve ser público e não ocultado.
Pergunta: Porque é que é difícil julgar favoravelmente o outro? O que me impede de o fazer?
Rabash:
Mas é necessário que a pessoa se lembre constantemente do propósito da sociedade. Caso contrário, o corpo tende a ofuscar o objetivo, pois o corpo procura sempre o seu próprio benefício. É preciso lembrar que a sociedade foi formada exclusivamente com o propósito de alcançar o amor aos outros, e que este deve ser o ponto de partida para o amor ao Criador.
Isso é alcançado especificamente ao afirmar que a pessoa precisa de uma sociedade para ser capaz de doar aos amigos sem qualquer recompensa. Ou seja, a pessoa não precisa de uma sociedade para receber assistência e presentes que satisfaçam os vasos de recepção do corpo físico. Tal sociedade seria baseada no amor-próprio e incentivaria apenas o desenvolvimento dos vasos de recepção, já que assim, a pessoa veria uma oportunidade de obter mais posses, tendo a ajuda dos amigos para obter bens materiais.
Ao invés, devemos lembrar-nos que a sociedade foi estabelecida com base no amor aos outros, para que cada membro receba do grupo o amor aos outros e o ódio por si mesmo. E ao ver que os amigos estão a esforçar-se para anular o próprio ego e amar os outros, isso fará com que todos se integrem nas intenções dos amigos.
Assim, se por exemplo a sociedade for composta por dez membros, cada um terá dez forças para praticar a anulação do eu, o ódio ao ego e o amor aos outros. Caso contrário, a pessoa fica apenas com uma única força de amor aos outros, pois não vê que os amigos o estejam a praticar, pois eles estão a praticar o amor aos outros em segredo. Além disso, os amigos fazem com que perca a força do desejo de percorrer o caminho do amor aos outros. Nesse estado, a pessoa aprende com as ações deles e cai sob o domínio do amor-próprio.
Rabash diz: "Em vez disso, devemos lembrar que a sociedade foi estabelecida com base no amor ao próximo" Achas que vamos esquecer o objetivo do grupo? E se houver a possibilidade de esquecermos, como podemos então lembrar-nos?
De Rav Laitman:
Pergunta de um estudante: Durante o workshop com o meu grupo, como posso lembrar-me da necessidade do trabalho interior? Sinto-me como um computador com dois processadores e um deles esquece-se do objetivo, do trabalho, o tempo todo. O outro lembra-me disso constantemente e recorda todo o processo pelo qual passei.
Resposta: Não conseguimos lembrar-nos constantemente do objetivo, do trabalho, e iremos desconectar-nos dele todo o tempo. Esse esquecimento é necessário para existir, mas não temos que estar de acordo com ele. E então será útil para a nossa correção, como se diz: “Tudo se encontra no exterior.” Ou seja, não concordas em estar desconectado.
Somos desconectados para que voltemos a conectar-nos ao próximo nível. Além disso, não consigo manter-me num nível tão elevado sozinho, a não ser através do meio ambiente.
Qualquer circuito elétrico funciona segundo este princípio; cada elemento transmite a sua energia para fora e recebe nova energia em si, depois volta a transmitir para fora, e volta a receber dentro. É como uma bobina e um cabo que trocam constantemente energia a circular entre si; é assim que funcionam reciprocamente.
Não consigo manter-me num bom estado; preciso de um trabalho mútuo com o grupo. É assim que alternamos no trabalho. Além disso, cada amigo passa pelos seus próprios estados. E então, dentro deste sistema, o Criador organiza a velocidade com que os estados se alternam em cada um de nós e em todos juntos.
Temos de sentir que não existimos em isolamento; antes, pertencemos a um sistema com dois processadores, que trabalham alternadamente, ora um ora outro. O que precisamos é de unir a nossa energia para que te possas recarregar e ser alimentado com a energia do nosso trabalho mútuo. No grupo, todos os estados que viveste desaparecem, todos os níveis anteriores, toda a tua história. Tudo isto acontece apenas dentro do grupo, dentro do Kli coletivo, até atingirmos na sua totalidade a forma do Infinito. Só então, numa ação chamada o fim da correção, descobriremos tudo o que passámos.
Tudo isto se encontra dentro do grupo. O primeiro estado espiritual começa em relação ao grupo, na minha capacidade ou incapacidade de estar ligado a ele. É assim que ocorre a minha primeira e mais pequena descoberta da inclinação ao mal, e assim até à última inclinação ao mal, o grande ego no topo da escada de níveis. Portanto, todos os resultados do trabalho são absorvidos pelo grupo. O grupo é a Malchut do Infinito.
O avanço espiritual é medido única e exclusivamente em contraste com a inclinação ao mal que está em constante crescimento: à medida que aumenta e com que força cresce, é a partir disso que a rejeição da ligação aumenta em nós. A rejeição e a escuridão tornam-se cada vez maiores, mais fortes, mas interpretamo-las, compreendemo-las, sentimo-las e recebemos um empurrão para trabalhar com elas no sentido de nos conectarmos com o grupo diante dessa escuridão. Interessa-nos esta rejeição; caso contrário, não aceitaríamos os nossos “sinais de trabalho”. O nosso progresso mede-se assim.
Por enquanto, julgamos apenas pelos nossos sentimentos, sem medição objetiva, mas depois mediremos os nossos próprios estados.
Rabash termina com:
4) Cada um deve conhecer as necessidades do amigo, especificamente de cada amigo, para saber como pode satisfazê-las, ou é suficiente praticar o amor aos amigos em geral?
Sobre isto podemos discutir se houver tempo ou pode ficar para a nossa própria reflexão até à próxima vez.