Lição 1: A Dezena como um Requisito para Adesão
Rabash, Artigo Nº 28, 1986 - Não há Congregação com Menos de Dez
Excertos Adicionais em preparação para a Lição 1
1. RABASH. Artigo 1 (1984),"O Propósito da Sociedade - 2"
Precisamos de uma sociedade que forme uma grande força para que possamos trabalhar juntos na anulação do desejo de receber, chamado de "mal", pois impede a conquista do objetivo para o qual o homem foi criado.
Por essa razão, a sociedade deve ser constituída por indivíduos que concordem unanimemente que precisam de alcançar esse objetivo. E então, todos esses indivíduos tornam-se uma grande força, onde a pessoa pode lutar contra si própria, pois cada pessoa está incluída em todas as outras. Assim, cada pessoa está imbuída de um grande desejo de alcançar o objetivo.
Para que se integrem uns nos outros, cada pessoa deve anular-se perante os outros. Isto faz-se quando cada um vê os méritos dos amigos e não os seus defeitos. Mas aquele que pensa que é um pouco superior aos amigos já não consegue unir-se com eles.
2. Maor VaShemesh, Porção Ekev
É sabido que em cada dezena está a Shechina, e isto constitui um nível completo. Num nível completo existem cabeça, mãos, pernas e calcanhares. Portanto, quando cada pessoa se considera um zero perante a sociedade, então considera-se a si própria como um calcanhar em comparação com a sociedade, enquanto os outros são a cabeça, o corpo e os órgãos superiores. Quando cada um pensa acerca de si próprio desta maneira, abrem-se para eles as portas da abundância e toda a riqueza do mundo, e o mais importante é aquele justo que melhor consegue perceber uma anulação mais “nula” do que todos os outros. Através dele flui toda a abundância.
3. RABASH, Artigo 30 (1988), "O Que Procurar na Assembleia de Amigos"
Mas os amigos quando estão juntos, devem falar principalmente sobre a grandeza do Criador, porque, conforme a grandeza do Criador que a pessoa assume, nessa medida ela naturalmente anula-se perante o Criador. É como vemos na natureza: o pequeno anula-se perante o grande, e isso não tem nada a ver com a espiritualidade. Pelo contrário, este comportamento aplica-se até mesmo entre pessoas seculares.
Ou seja, o Criador fez a natureza assim. Assim, as discussões dos amigos sobre a grandeza do Criador despertam um desejo e um anseio de se anular perante o Criador, porque ele começa a sentir saudade e desejo de se unir ao Criador. E também devemos lembrar que, na medida em que os amigos conseguem apreciar a importância e a grandeza do Criador, ainda assim devemos ir acima da razão, ou seja, que o Criador é mais elevado do que qualquer grandeza do Criador que se possa imaginar.
Devemos dizer que acreditamos acima da razão que Ele orienta o mundo com uma orientação benevolente, e se a pessoa acredita que o Criador quer apenas o melhor para o homem, isso faz com que a pessoa ame o Criador até ser recompensada com “E vais amar o Senhor teu Deus com todo o teu coração e com toda a tua alma”. E é isto que a pessoa deve receber dos amigos.
4. RABASH, Artigo Nº 251, “Acerca do Minyan [Dezena na sinagoga]”
Os nossos sábios disseram: “Vocês são chamados de ‘homem’, e não as nações do mundo”, pois o único objetivo delas é receber para si próprias. Este é o significado de “Quando o Criador vem à sinagoga e não encontra dez homens ali”, ou seja, que haja alguém ali que ore pela qualidade de “dezena”, que é a Shechina, para que ela se eleve do seu exílio; pois através do trabalho no desejo de doar, eleva-se a Shechina do pó. Mas quando cada um cuida apenas das suas necessidades pessoais, o Criador fica aborrecido.
Ele traz provas através do versículo, conforme foi dito: “Porque vim eu e não há nenhum homem” que cuide das necessidades referentes à qualidade de “homem”, e cuide apenas de satisfazer as necessidades referentes à qualidade de animal? Ao invés, cada um deve sempre responder a si próprio acerca de onde emprega o seu tempo e por quem se esforça, pois ele deve preocupar-se unicamente com as necessidades do colectivo.
5. RABASH, Artigo Nº 28 (1986), “Não há uma congregação com menos de dez”
“Em cada dez está a Shechina.”
É sabido que Malchut se chama “décima”. Também é sabido que o Kli [Vaso] receptor se chama “a Sefira Malchut”, que é a décima Sefira, a qual recebe a abundância superior. Ela chama-se “O desejo de receber”, e todas as criaturas provém unicamente dela. Por esta razão, não há uma congregação com menos de dez, pois todos os ramos corpóreos expandem-se das raízes superiores. Portanto, segundo a regra “não há luz que não contenha dez Sefirot”, na corporeidade, algo não é considerado uma congregação digna de importância a menos que haja dez homens ali, à semelhança dos níveis superiores.
6. RABASH, Artigo Nº 21 (1986), "Relativamente a ‘Acima da Razão’"
Pode ser obtido pela adesão aos amigos, novas qualidades através das quais eles se vão qualificar para alcançar a Dvekut [Adesão] com o Criador. E tudo isto pode ser dito enquanto ele vê os méritos dos amigos. Nessa altura, é pertinente dizer que ele deve aprender com as suas ações. Mas quando ele vê que está mais qualificado do que eles, não há nada que ele possa receber dos amigos.
É por isso que disseram que, quando a inclinação ao mal vem e lhe mostra a inferioridade dos amigos, ele deve ir acima da razão. Mas certamente seria melhor e mais bem-sucedido se ele pudesse ver dentro da razão que os amigos estão num nível mais elevado do que o seu. Com isso podemos compreender a oração que o Rabino Elimelech escreveu para nós: "Que os nossos corações vejam as virtudes dos nossos amigos, e não os seus defeitos."
7. Maor VaShemesh, VaYechi
A essência da assembleia é que todos estejam em perfeita unidade e que todos procurem um único propósito: encontrar o Criador. Em cada dezena reside a Shechina [Divindade]. É evidente que, se houver mais de dez, a revelação da Shechina será ainda maior. Assim, cada um deve reunir-se com o seu amigo e aproximar-se dele para ouvir uma palavra sobre o trabalho do Criador e sobre como encontrar o Criador. Deve anular-se perante o seu amigo, e o amigo deve fazer o mesmo em relação a ele, e assim todos devem proceder. Então, quando a assembleia se reunir com esta intenção, “mais do que o vitelo deseja mamar, a vaca deseja amamentar”, e o Criador aproxima-se deles, e Ele vai estar com eles, e serão derramadas sobre a assembleia de Israel grandes misericórdias, bondades e gentilezas reveladas.
8. RABASH, Carta Nº 40
Através da fricção dos corações, mesmo dos mais fortes, cada um extrai calor das paredes do seu coração, e o calor vai acender as centelhas de amor até que se forme um revestimento de amor. Então, ambos estarão cobertos sob um único manto, ou seja, um único amor vai envolvê-los e abrangê-los, pois é sabido que Dvekut [adesão] une dois num só.
E quando a pessoa começa a sentir o amor do seu amigo, a alegria e o prazer despertam imediatamente nela, pois a regra é que uma novidade entretém. O amor do seu amigo por ela é algo novo para ela, porque sempre soube que era a única que se preocupava com o seu próprio bem-estar. Mas no momento em que descobre que o seu amigo se preocupa com ela, isso desperta nela uma alegria imensurável, e já não consegue preocupar-se consigo própria, pois o homem só pode esforçar-se onde sente prazer. E como começa a sentir prazer em preocupar-se com o seu amigo, naturalmente não consegue pensar em si própria.
9. Degel Machaneh Ephraim, VaEtchanan
Está escrito: “O Senhor é um e Israel é um”; portanto estão em adesão ao Criador, pois é apropriado ao “Um” aderir ao “um”. E quando é isto? Quando Israel está unido e ligado em completa unidade. Nesse momento, consideram-se como um, e o Criador está com eles, pois Ele é Um.
Mas quando os seus corações se dividem e se afastam uns dos outros, não podem aderir ao Um, e o Criador não está com eles. Ao invés, está com eles outro deus. Isto está implícito no versículo: “E vocês, que estão em adesão ao Senhor, vosso Deus, estão vivos, cada um de vocês”, o que significa que, quando estão aderidos e unidos uns aos outros, “estão vivos, cada um de vocês”. Quando estão numa unidade única. Então é apropriado para o “Um” aderir ao “um”, e o Criador único está com eles.
10. Baal HaSulam, "Um Artigo Aquando da Conclusão do Zohar"
Porque o Criador não pensa em Si próprio, se Ele existe ou se Ele cuida das Suas criações, e outras dúvidas semelhantes. De maneira similar, aquele que deseja alcançar equivalência de forma também não deve pensar nessas coisas, quando lhe é claro que o Criador não pensa nelas, pois não há maior disparidade de forma do que essa. Portanto, qualquer um que pense nessas questões está certamente separado Dele e nunca alcançará equivalência de forma.
Foi isso que os nossos sábios disseram, “Que todas as suas ações sejam pelo benefício do Criador”, ou seja, Dvekut com o Criador. Não devemos fazer nada que não conduza a esse objetivo de Dvekut. Isto significa que todas as ações da pessoa vão ser para doar e beneficiar o seu próximo. Nesse momento, a pessoa alcança a equivalência de forma com o Criador, assim como todas as Suas ações são para doar e beneficiar os outros, assim, todas as ações da pessoa serão apenas para doar e beneficiar os outros. Este é o Dvekut completo.