Capítulo 1.12 – Perguntas e Respostas
P: Por que estudar Cabala?
R: Para responder a isso, não devemos ler apenas as explicações dos cabalistas acerca dos Mundos Superiores, mas também a ligação entre o Mundo Superior e o nosso.
Parece haver duas partes distintas na Cabala: a primeira fala da criação das criaturas como consequência do Pensamento do Criador (o Pensamento da Criação) e da evolução dos mundos. O Pensamento da Criação relaciona-se com a emanação da Luz a partir do Criador, a única força existente no mundo. Essa Luz constrói para Si um vaso, um desejo de receber, que deseja deleitar-se na Luz.
A relação entre a Luz e o vaso constitui a base de toda a Criação. A única coisa que foi verdadeiramente criada é o vaso, e a luz continua a atuar sobre ele, transformando-o para o conduzir ao melhor estado possível.
Por que razão, então, o Criador não construiu logo um vaso perfeito? Porque, para se encontrar num estado perfeito, é necessário primeiro senti-lo; e senti-lo só é possível se experienciarmos o seu completo oposto, o estado mais imperfeito.
Assim, cada criatura é composta por duas partes: a primeira é uma descida, um afastamento da completude, do Criador. É o estado mais baixo possível, que é o nosso mundo. Mas é precisamente aqui, no nosso mundo, que se encontram as melhores condições para atingir o propósito da Criação. Se somos criados com as piores propriedades possíveis, o completo oposto do Criador, então, com um pouco de livre-arbítrio e com a ajuda da sabedoria da Cabala, iniciaremos a ascensão pelos mesmos níveis pelos quais as nossas almas desceram.
Abaixo explicaremos qual, se alguma, liberdade de escolha temos realmente, como utilizá-la e quem a possui. Veremos que, na verdade, somos todos escravos do nosso próprio egoísmo e só os cabalistas que ascendem os níveis espirituais possuem verdadeira liberdade. Além disso, quanto mais se corrigem, maior é a sua capacidade de conduzir o mundo.
Aprendemos acerca da descida da luz do Criador até ao nosso mundo no Estudo das Dez Sefirot, no Zohar e nos escritos do Ari. A outra parte, que fala da nossa ascensão do nosso mundo de volta ao nível do Criador, é descrita de forma bastante vaga nos livros. Este trabalho chama-se “trabalho de Deus” – um trabalho pelo qual igualamos a nossa forma (propriedades) à do Criador.
P: Será a Cabala a única via para sentir o Criador e, em caso afirmativo, como se pode provar isso?
R: Sim, é. Comece a estudar e verá que não há nada tão lógico ou científico que ofereça uma imagem mais completa do nosso mundo e coloque todas as ciências e outras “sabedorias” no seu devido lugar. Não há nada mais realista do que a Cabala. Assim, agora que a ciência chegou a um beco sem saída, surge do Alto a única verdadeira sabedoria da Criação. Por isso a Cabala é chamada “a sabedoria da verdade”.
P: A Cabala salvará o mundo?
R: O Zohar afirma precisamente que sim. O que é a Cabala? É uma força espiritual que governa o nosso mundo. Só alcançaremos a correção se atraírmos essa força para cá com esse propósito.
P: Certas coisas místicas são, na verdade, uma espécie de droga que as pessoas tentam usar para fugir aos seus problemas. Os toxicodependentes são normalmente pessoas muito calmas, mas o mundo inteiro parece estar contra eles. Porquê?
R: A razão é que as drogas cortam completamente a pessoa do propósito da vida. Impedem-na de alcançar o nosso destino. Quando as pessoas tomam drogas, negam por completo a sua existência neste mundo, ficam desligadas dele, do próprio lugar onde o Criador as colocou. O Criador quer conduzir cada pessoa de uma forma única, e as drogas desligam-na disso. Há muitas questões envolvidas neste tema. Por exemplo: se assim é, porque coloca então o Criador estas escolhas nas nossas mãos?
Há outra questão: porque temos a capacidade de nos livrarmos dos problemas através da medicina comum, em vez de resolvermos os problemas apenas pela Cabala? Mas porque existe um propósito na nossa presença aqui, as drogas e outros elementos que desligam as pessoas do propósito da criação nunca serão aceites pela humanidade.
Evolução Espiritual
P: Quais são as situações por que se passa durante a evolução espiritual?
R: O Criador criou a criatura num único estado, chamado Ein Sof (Sem Fim, Infinito). Esse estado existe para sempre na mesma forma e nunca muda. A criatura funde-se perfeitamente com o Criador nesse estado. No entanto, do ponto de vista das criaturas, isto é, do ponto de vista dos sentimentos das criaturas, esse estado revela-se num processo gradual, constituindo consequentemente um início, um meio e um fim.
O início considera-se a existência desse estado no momento da Criação. A situação intermédia é a ocultação do Criador, e a final, a completa revelação do Criador perante as criaturas. Essas situações são numeradas respetivamente como 1, 2 e 3.
Nas situações n.º 1 e 3 não há lugar para qualquer manifestação do mal. O bem absoluto prevalece como único atributo do Criador em relação às criaturas. Na segunda situação, as criaturas sentem que há mal, embora seja, na verdade, apenas um bem disfarçado.
O bem aparece gradualmente no estado intermédio, mas não através da revelação de bem adicional, mas pelo contrário, através da revelação de um mal maior do que antes, da sua rejeição e da descoberta do bem que realmente está por trás dele. Esse sistema aplica-se porque a revelação do bem supremo só é possível através da descoberta da inferioridade e do prejuízo do mal.
P: Quais são os níveis do desenvolvimento espiritual da pessoa?
R: A espiritualidade da pessoa evolui através dos níveis (espirituais) de inanimado, vegetativo, animal e falante.
Inanimado: o desejo de prazeres físicos, como comida e sexo.
Vegetativo: o desejo de dinheiro e riqueza.
Animal: o desejo de respeito e poder.
Falante: o desejo de ciência, autoconhecimento e de aprender sobre o mundo circundante.
O espiritual: o nível em que surge o desejo pela espiritualidade. Na verdade, este já não é um nível, mas um “meta-nível”, pois o objeto do desejo está fora deste mundo.
P: Como se expressa o progresso na espiritualidade?
R: O progresso espiritual consiste em se encontrar alternadamente em duas situações opostas: a direita e a esquerda. É como se uma pessoa caminhasse com as pernas, apoiando-se ora na perna direita, ora na esquerda. Cada passo proporciona-lhe maior conhecimento e fé. (Em hebraico, a palavra Raglaim significa pernas, mas deriva da mesma raiz que “espião”, significando aquele que fornece informação).
P: De que depende o nível de realização espiritual da pessoa?
R: O nível de realização espiritual da pessoa depende de uma única coisa: da vontade de perseverar para alcançar o objetivo. Não há atalhos.
P: Como posso mudar o meu nível espiritual atual e o que acontece depois com a minha alma?
R: Independentemente do nome que se lhe dê – Criação, Alma, Homem – o estado preliminar é sempre o de não corrigido. A alma deve corrigir-se a si própria e, em última análise, alcançar o nível espiritual do fim da correção. Imagine um estado em que possui uma ferramenta partida com a qual deve trabalhar. A primeira coisa que faria seria repará-la. Só depois poderia utilizá-la. A Torá explica exatamente como corrigir esse vaso estilhaçado, que é a alma que recebemos do Criador.
Durante o processo de correção, vive-se em dois mundos, o Superior e o inferior; nesse processo, a alma obtém o conhecimento e a experiência necessários para o seu avanço. O mais importante é que se começam a sentir novos sentimentos e a adquirir diferentes atributos espirituais. Quando o processo de correção se completa, a pessoa está equipada com propriedades espirituais para entrar e permanecer no Mundo Superior num estado de tranquilidade, eternidade, completude e paz.
Esse nível espiritual (do fim da correção) não é descrito em parte alguma na Cabala ou na Torá, simplesmente porque não existe linguagem com que o descrever. Para além do fim da correção existe um domínio que não é descrito em parte alguma. É aí que se encontram os segredos da Torá.
Há alusões subtis a isso no Zohar e no Talmude. Esse estado espiritual chama-se Maase Merkava e Maase Bereshit. Mas são todas alusões muito subtis. Na verdade, é impossível descrever esses sentimentos espirituais em palavras, porque as palavras e as letras da nossa linguagem só são válidas na zona de correção (até ao mundo de Atzilut), pois é daí que são retiradas. Não podemos sentir nada acima do sistema de correção e, por isso, é impossível descrever esses sentimentos em palavras e defini-los em termos e conceitos que compreendamos.
O primeiro versículo da Torá fala do céu e da terra. Os dois termos relacionam-se com duas propriedades: uma egoísta e uma altruísta. A propriedade egoísta da “terra” (a alma) é corrigida através da propriedade altruísta do “céu”. Todo o processo de correção realiza-se em sete níveis espirituais chamados “sete dias”.
Naturalmente, este nome não se refere aos nossos dias terrestres, nem o texto se refere a noites e dias terrestres ou a luz e trevas como normalmente os interpretamos. Os termos referem-se a níveis espirituais, sensações espirituais que se sentem quando se experienciam as fases da correção. É um sistema que corrige a nossa alma quando esta ainda se encontra num nível espiritual terrestre.
A alma deve ser elevada do nível de Malchut para o de Bina, ou seja, o traço egoísta de Malchut deve ser transformado no traço altruísta de Bina. Esse processo ocorre através de sete correções graduais chamadas “os sete dias da semana”.
P: Toda a gente acabará por ter de vir até à Cabala?
R: Absolutamente, se não nesta vida, na próxima; então por que esperar? As nossas vidas não são suficientemente doces para continuarmos a regressar aqui.
P: Qual é a razão do sofrimento?
R: O sofrimento expõe a inferioridade da situação. Obriga-nos a procurar uma solução, a tornarmo-nos mais inteligentes e a reavaliar a situação. Uma pessoa que tem tudo não procura nada. Nesse ponto, chegam as dores e transformam o aparente preenchimento em vazio e fome. A pessoa torna-se mais sábia como resultado do sofrimento; este começa a mostrar-lhe para onde ir e o que fazer com a vida. Mas se o mesmo resultado puder ser alcançado sem a dor, então por que sofrer?
A Cabala indica o caminho para nos aproximarmos do Criador, através da observância das leis espirituais. É o que chamamos “caminho da Torá”. Não se trata de uma observância física das Mitzvot, mas da observância das leis espirituais da criação. Tudo o que temos de fazer é escolhê-lo.
P: O que faço se sentir que uma certa situação me está a ser imposta?
R: Há regras claras relativamente a essa situação: se alguém o ameaçar, deve reagir em conformidade, mas absolutamente não à maneira cristã, ou seja, voltando a outra face. Nunca espere pelo segundo golpe. Enquanto estiver aqui neste mundo, deve comportar-se de acordo com as regras aceitáveis na sociedade. Essas regras são uma revelação do Criador no nosso mundo. Não há vergonha em matérias que dizem respeito ao sustento básico. Se uma pessoa está a morrer e precisa de um pedaço de pão para sobreviver, não sentirá vergonha, nem na forma como o Criador se relaciona connosco, nem na forma como nos relacionamos com o Criador.
Fomos criados assim e não é culpa minha ter de consumir as minhas mil calorias por dia. Não há vergonha no que diz respeito ao sustento elementar. No entanto, em tudo o que ultrapassa o necessário, a vergonha surge automaticamente. É aqui que se é compelido (de bom ou mau grado) a ter em consideração a sociedade, a família e a si próprio.
O nível espiritual mais elevado é o do amor recíproco entre o homem e o Criador. Mas só pode ser alcançado se um nível de temor o preceder. Chama-se “a Mitzva do temor a Deus”. A última e mais elevada Mitzva, construída sobre o temor, é a do amor a Deus. Uma não pode existir sem a outra. Porque somos feitos de um único desejo egoísta que nos conduz e move, só o temor pode forçar o egoísmo a fazer algo de tal modo que não execute os seus desejos sem consideração.
P: Pode uma pessoa ser forçada a estudar Cabala?
R: Não. Só pode ser feito de forma passiva. Dê a essa pessoa algo para ler e deixe as coisas evoluírem naturalmente.
P: Como surge em mim o reconhecimento do mal? É diferente numa pessoa que cometeu um crime?
R: Num criminoso comum, a inclinação ao mal aparece como um desejo negativo que não está ligado a mais nada. Mas a Cabala retrata o seu mal em comparação com o bem. Por causa disso, começa a sentir a sua inclinação ao mal como tal.
Se falar com um assassino ou um violador, encontrará sempre uma pessoa que pensa que o que fez foi justo. Simplesmente pensar que uma certa pessoa é má ainda não é considerado “o reconhecimento do mal”. O reconhecimento do mal é quando se vê a si próprio como mau. Quando se compara consigo próprio ao Criador, ou seja, quando já se consegue sentir o Criador até certo ponto através da leitura de textos especiais que despertam a Luz Circundante, essa sensação produz o reconhecimento do mal.
As pessoas que começam a compreender-se mais profundamente não se tornam criminosos. Elas encontram em si atributos aparentemente horrendos, mas consideram-nos obscenos e perversos, e não qualidades que desejariam realizar. São-lhes apresentados como obscenidade dentro delas, como se numa tela diante dos olhos, mas ao mesmo tempo compreendem que é o Criador quem planta aí esses atributos. Assim, é-lhes apresentada a Criação tal como é dentro delas.
P: Não há aqui um paradoxo? Por um lado, o Criador quer dar-nos deleite e prazer, mas por outro envia-nos dor!
R: Tome-se Abraão como exemplo. Vemos que ele não queria descer ao Egito (símbolo daqueles de entre nós que não desejam ocupar-se do desenvolvimento espiritual). Ele pensa: “Para que preciso disso? É difícil, desagradável e vai contra o meu ego.” Uma pessoa só pode ser impulsionada pela fome, tal como a fome obrigou Abraão a descer ao Egito. A fome espiritual, a fome física e a agonia são as únicas coisas que compelem alguém a agir. É isso que o Criador espera.
Está dito na Torá que há um caminho da Torá ou um caminho da dor, ou seja, um bom caminho ou um mau caminho. Na verdade, toda a Torá e toda a sabedoria da Cabala foram-nos dadas apenas para que avancemos pelo bom caminho. Mas se não seguirmos o bom caminho, então o mau caminho será o nosso caminho para avançar.
Se nos identificarmos com a alma enquanto nesta vida, então pertencemos ao Criador e conectamo-nos a Ele. Se não nos identificarmos com a alma, então não nos unimos às nossas almas após a morte. Se não corrigirmos nem sequer um único desejo e o tornarmos igual em forma ao Criador, então o que vos leva a pensar que fazer o bem ou o mal na terra vos dá direito a qualquer ascensão espiritual, apenas porque passaram os últimos setenta anos na terra?
P: A realidade é realmente aquilo que vemos à nossa volta?
R: Somos cativos numa imagem do universo que muda de acordo com as alterações nas nossas propriedades internas. A nossa perceção do mundo só muda com as alterações internas em nós. Mas nada muda realmente fora. Há apenas a Luz Uniforme e Simples à nossa volta, chamada o Criador. Discernimos apenas uma fração minúscula dela com os nossos sentidos, que chamamos “o nosso mundo”.
Isto significa que este mundo é o nível mais pequeno da sensação do Criador. Se intensificarmos os nossos sentidos, começaremos a sentir o mundo melhorado ao lado da sensação deste mundo, porque o Criador se tornará cada vez mais aparente.
Estas mesmas palavras foram ditas por cabalistas que ascenderam alto nos níveis espirituais, se aproximaram do Criador e descreveram os seus sentimentos e o que alcançaram ao aproximarem-se Dele. O propósito é entrar nessa mesma fonte; só então sentiremos a realidade verdadeira!
P: Para que serve a vida?
R: A vida é uma forma de existência que foi unida ao nível mais baixo e mais egoísta da existência. Foi-nos dada para que possamos tentar elevar-nos desse nível baixo para um estado em que as nossas almas se encontravam antes da sua descida ao nosso mundo. Se conseguirmos alcançar o mesmo estado em que estávamos antes de entrarmos nos nossos corpos, considera-se o estado mais elevado e perfeito.
Qualquer um que realize isto pode ser considerado alguém que cumpriu o seu papel na vida corpórea. Chega-se a esse estado após bastantes vidas, durante as quais foram feitas algumas correções, com avanços constantes a um nível inconsciente. Apenas durante a última ou as duas últimas vidas é que o progresso espiritual pode ser consciente.
Não podemos saber qual é o nosso papel neste mundo, o que devemos fazer e em quanto tempo. Não há adivinho que o possa revelar. Os cabalistas, porém, podem fazê-lo, mas estão proibidos porque isso pararia o progresso espiritual. Se o fizessem, essa pessoa seguiria apenas cálculos pessoais, que aderem ao egoísmo. Por isso os cabalistas abstêm-se de tais atividades.
Um caminho espiritual é um sistema de desenvolvimento de desejos altruístas. Saber o que vai acontecer antecipadamente seria completamente egoísta. Por isso o termo que define o progresso espiritual é “fé acima da razão”. Isto significa que um cabalista pode ver e saber tudo. Pode também fazer tudo, mas escolhe não o fazer, porque isso arruinaria o seu progresso assim como o dos seus alunos.
Não experimentem com profecias e afins; trabalhem simplesmente no desenvolvimento do altruísmo com fé acima da razão. A profecia é proibida precisamente porque é possível (embora, novamente, não para uma pessoa comum, apenas para um cabalista).
P: Por que razão, nas fases iniciais do nosso desenvolvimento, quando somos crianças, realizamos plenamente o nosso egoísmo, embora o nosso objetivo principal na vida seja livrar-nos do egoísmo e tornar-nos altruístas como o Criador?
R: Isto deve-se ao facto de os desejos insaciáveis de uma criança por prazer e a capacidade de os satisfazer serem como um modelo do ser humano em evolução. O egoísmo é uma fase necessária na nossa evolução. É uma resposta parcial à pergunta: “Para que precisamos do egoísmo se temos de lutar tanto para o superar?”
P: Por que não podemos sentir o mundo espiritual tal como sentimos o nosso?
R: Se nos examinarmos, veremos que estamos encerrados numa escrutínio interno: os cinco órgãos sensoriais permitem-nos sentir que há “algo” fora de nós. Mas se tivéssemos uma visão diferente, por exemplo se pudéssemos ver raios X ou ondas ultra, veríamos uma imagem completamente diferente. Se fôssemos capazes de ouvir outras frequências, ouviríamos sons muito diferentes. Se o nosso olfato e paladar fossem diferentes, sentiríamos coisas diferentes.
O que sentimos é incontestavelmente uma fração de algo que existe fora de nós, e essa fração é o que chamamos “o nosso mundo”.
A ciência contemporânea aceita o facto de que a nossa investigação do mundo está limitada pelas nossas sensações. Consequentemente, todas as nossas suposições e medições são subjetivas. Os próprios cientistas afirmam que os resultados dos seus experimentos dependem do experimentador, ou seja, são subjetivos. Portanto, não se pode chegar a uma compreensão absoluta do seu ambiente, da realidade em que essa pessoa vive.
Suponhamos que existem outras formas de vida noutros planetas. E suponhamos também que elas têm outros órgãos sensoriais que não os nossos. Naturalmente sentiriam o seu mundo de forma completamente diferente da maneira como nós o vemos. Definiriam-no de acordo com os seus órgãos sensoriais.
Regressão
P: Por que temos de descer ao nível espiritual mais baixo para podermos receber os atributos do Criador? Pode este processo ser evitado?
R: Nós, criaturas, temos de possuir tanto a possibilidade como a força para escolher livremente entre duas forças: o nosso próprio egoísmo e o altruísmo do Criador. É necessário poder escolher o próprio caminho de forma independente e segui-lo.
Para criar essa situação, o Criador tem de:
- Desligar-Se completamente da Criação, tornar-Se desconectado.
- Criar condições apropriadas para que as Suas Criações descubram e compreendam o universo.
- Conceder à Criação a liberdade de escolha.
O Criador estabeleceu estas condições num processo gradual. O problema é que, enquanto sentimos a presença do Criador, não somos independentes — estamos completamente subordinados à Luz. A Luz influencia a Criação e transmite-Lhe as Suas próprias propriedades. Para que a Sua Criação se torne completamente independente, o Criador tem de Se desligar completamente dela.
Ou seja, só quando estamos desprovidos de qualquer Luz tornamo-nos independentes em cada acto. Esta operação, a partida da Luz do vaso, chama-se “restrição” (tzimtzum).
A Torá começa com a palavra Bereshit (No princípio). É o início do processo de afastamento da Criação em relação ao Criador. A palavra Bereshit deriva de Bar (fora), significando a remoção da Criação do Criador para que se torne um nível espiritual separado, entre o Céu e a Terra.
“No princípio, Deus criou o céu e a terra.” O Céu é a Sefira de Bina, que consiste em propriedades altruístas. A Terra é a Sefira de Malchut, que consiste em propriedades egoístas. A alma do homem encontra-se suspensa entre estas duas propriedades, que constituem a base sobre a qual todo o universo é construído.
A Torá começa com a criação da Criação, do Mundo Superior, e com a criação do Homem, da alma. Mas não fala do fim da Criação. O objectivo da Torá é guiar-nos neste mundo, mostrar-nos como ascender ao nível espiritual mais elevado, a um estado de plenitude eterna.
P: Como pode a humanidade ser tão baixa e desprezível, se Deus a criou à Sua imagem?
R: Por que criou o Criador o homem tão pequeno? O Criador não criou o homem pequeno, mas sim à Sua imagem. Para que a humanidade atinja esse estado pelo seu próprio esforço e se iguale ao Criador, recebe-se um “ponto no coração”, o início do vaso espiritual. É necessário desenvolver esse ponto num vaso completo por si próprio, através do estudo da Cabala, até que o vaso consiga receber toda a luz do Criador e assim se iguale a Ele. Ou seja, o nosso estado preliminar é de facto microscópico em comparação com o nosso objectivo final, que é a equivalência com o Criador.
P: Podemos saber se estamos a progredir espiritualmente?
R: Só quando se começa a estudar Cabala, ou seja, o desenvolvimento espiritual, é que os desejos baixos e egoístas surgem verdadeiramente. Isso é a prova de que se começou realmente a evoluir.
P: Pode uma pessoa que já subiu dois ou três níveis parar de repente, ou mesmo regredir?
R: Não, não se pode cair. Nem sequer se pode parar, e continuará a subir. Tudo se move em direção à situação final e melhor. Ou é feito por pancadas por trás, ou seja, pela natureza, ou de forma positiva, quando se entrega um livro e se diz que é um meio para acelerar o progresso. Esta é uma forma de ultrapassar as pancadas da natureza por trás. É toda a diferença entre o caminho da Torá e o caminho da dor.
Queremos usar a Cabala de tal modo que a próxima pancada não nos apanhe. Se conseguirmos, então nunca mais cairemos. Dizemos que há subidas e descidas, mas estas são apenas sentimentos internos. Por vezes sentimos-nos próximos do Criador, outras vezes sentimos-nos não corrigidos e distantes Dele. Por isso definimos a primeira situação como ascensão e a segunda como descida.
No entanto, são apenas as nossas próprias partes que sentimos em cada uma das situações. Ambas as situações pertencem ao mesmo nível, ao mesmo Partzuf. Não podemos subir um nível sem provar a sua situação e a inferioridade do nosso estado actual.
Intenção
P: Qual é a intenção correcta?
R: A intenção correcta é a coisa mais importante e mais difícil que a pessoa tem de fazer. É muito árduo alcançar a intenção correcta, construída sob diversas influências da Luz do Criador sobre o ego.
O estudante formula gradualmente a intenção correcta, estuda-a, corrige-a e intensifica-a. Constantemente apercebe-se de que o que ontem parecia ser a intenção correcta agora se revela egoísmo disfarçado. E amanhã descobrirá novamente que a intenção de ontem estava errada, e assim sucessivamente.
P: Como sei se a minha intenção está correcta?
R: Com efeito, como discernir entre intenções erradas e correctas? Isso pode ser feito sob uma orientação focada de um grupo, de um professor cabalístico e de livros. O grupo é a força primeira e principal. Os amigos influenciam-se mutuamente para melhor e para pior. O grupo deve ser, em última análise, composto por pessoas ligadas por leis espirituais do Alto.
Há processos e movimentos no grupo: estranhos aparentes podem entrar no grupo e, passado algum tempo, já não são considerados estranhos. Ao mesmo tempo, pessoas que estavam no grupo são subitamente expulsas, como se uma força centrífuga as atirasse para fora, sem explicação razoável. Podem ser pessoas que já deram tudo o que deviam dar ao grupo. Cada um de nós deve temer ser essa pessoa.
Esta integração constrói gradualmente a condição pela qual qualquer pessoa que persevere apesar do desconforto egoísta pessoal acabará por irromper para o mundo espiritual. Há aqui muito trabalho interno árduo. Mas quem segue esse caminho encontra inovações diárias dentro de si. Sente as mudanças internas e como a compreensão do mundo à sua volta se altera dia a dia. Vê como se torna mais sábio do que os outros, e isso é apenas uma recompensa temporária. No entanto, há alturas em que a luz circundante abandona completamente, e não se consegue ver o dia seguinte. A luz circundante é uma luz que deve entrar no vaso corrigido (nos sentimentos) quando este estiver corrigido, ou seja, quando se corrigem as suas propriedades. Essa luz é o que cria a sensação de amanhã, enquanto, entretanto, brilha de longe, do futuro.
A pessoa pode por vezes perder completamente a sensação do futuro e ficar deprimida, pois o humor resulta da influência da Luz. Se a Luz começar a brilhar mais intensamente, o rosto dessa pessoa reflectirá um sorriso feliz. Os cabalistas experienciam estes sentimentos de forma consciente. O trabalho consiste em tentar continuar apesar destas situações. É impossível prosseguir o trabalho interno nessas situações, e a única coisa que se pode fazer então é continuar com uma execução mecânica do que se fazia antes de a situação surgir, como frequentar aulas e ajudar a disseminar a Cabala.
Nestes situações, o cérebro simplesmente ‘desliga-se’ e nada se pode fazer a esse respeito.
Se estas situações forem consequência de esforço espiritual anterior, então são monitorizadas por um Partzuf superior que a pessoa não consegue sentir. Esse Partzuf é o seu progenitor espiritual. Embora pensemos que podemos fazer tudo quando estamos numa boa situação, ou simplesmente explodir quando estamos numa má, estes estados são todos conduzidos do Alto. São-nos dados para nos mostrar quão dependentes somos até da mais pequena quantidade de luz. Isso basta para compreendermos quem realmente somos.
Diversos
P: Pode-se influenciar os acontecimentos da própria vida?
R: Aprendemos sobre a estrutura e a função de cada sistema precisamente para compreender onde e como podemos intervir, e o que podemos mudar. Não podemos influenciar directamente a nossa raiz espiritual; ela é a origem de onde provimos, e estamos num nível inferior, ou seja, o nosso nivel deriva da nossa raiz.
Mas através da correcção alcançamos a equivalência de propriedades com a nossa raiz, mudamos a forma como sentimos o que recebemos do Alto e, em vez de nos sentirmos atingidos e atormentados pelo destino, começamos a sentir paz, serenidade, calma e plenitude. Alcançamos uma compreensão colectiva.
P: Qual é o papel de Israel na correcção?
R: O Criador trouxe-nos a este mundo para que nós, utilizando a sabedoria da Cabala, descubramos o Mundo Superior e conduza-mos o nosso destino por nós próprios. O povo de Israel deve transmitir a sabedoria da Cabala a todas as nações. Se Israel não trouxer o conhecimento dos mundos espirituais ao resto do mundo, o mundo não pode tornar-se um lugar melhor e mais feliz.
Os outros povos sentem-no inconscientemente e expressam-no no seu ódio por Israel. Há apenas uma solução para todos os problemas: cumprir a nossa tarefa neste mundo, enquanto nação escolhida precisamente para esse fim. Somos escolhidos precisamente nisso, no nosso dever de conectar todas as nações ao Criador. Até o fazermos, ambos os lados — o Criador e as nações do mundo — continuarão a empurrar-nos com força.
À medida que o tempo passa, aproxima-se o momento da salvação interna (espiritual) e externa (física), tal como está escrito na Introdução ao Livro do Zohar (itens 66-71). Assim como o homem não pode existir no nosso mundo sem conhecimento sobre ele, também a alma do homem não pode existir no Mundo Superior sem o conhecimento necessário sobre ele, obtido através da sabedoria da Cabala.
P: Não podemos falar dos pensamentos do Criador, mas o que faz com que o Criador se volte para alguém?
R: Certamente não é a virtude da pessoa que lho proporcionou. É simplesmente que se desligou da parte inferior (AHP) da alma colectiva chamada Adam HaRishon. Nessa pessoa, há uma expressão mais forte do seu egoísmo; por isso, a luz afecta-o com mais força e empurra-o mais vigorosamente para o objectivo da Criação.
P: Como se expressa o facto de alguém ser escolhido?
R: A "escolha" de alguém expressa-se num egoísmo maior e, consequentemente, numa maior sensibilidade ao negativo no mundo. Por isso, em grandes grupos de pessoas, há também um grande desejo pela satisfação de desejos egoístas e, consequentemente, grandes sofrimentos.
P: Por que criou o Criador seres incompletos?
R: Podemos afirmar que o Criador nos criou incompletos, inferiores e incapacitados. Baixou-nos para este mundo terrível, para circunstâncias horrendas em que cada momento das nossas vidas é puro tormento. Mas a questão permanece: “Por que o fez?” A Cabala, por outro lado, coloca uma questão completamente diferente: “Poderia um Criador perfeito criar uma criação imperfeita?”
P: O Criador sabe da nossa imperfeição e da imperfeição de toda a criação?
R: Nós e o mundo em que vivemos fomos criados inferiores com um propósito: foi feito assim para que pudéssemos alcançar o nível do Criador por nós próprios e nos tornássemos como Ele pelos nossos próprios esforços. Todos os nossos estados intermédios são necessários porque criam em nós os sentimentos correctos para avaliar a perfeição do Criador e a alegria que nos espera no fim da correcção.
P: As almas são corrigidas neste mundo?
R: A cada momento das nossas vidas, quer saibamos quer não, pelo caminho da dor ou pelo caminho da Torá, as nossas almas aproximam-se cada vez mais do objectivo da Criação, da plenitude do Criador. Quanto pior a situação se torna, mais rapidamente começamos a compreendê-la e a corrigi-la.
P: Como pode ser que o Criador tenha criado o homem à Sua imagem, mas ao mesmo tempo não lhe tenha dado a Sua característica principal?
R: A contradição entre o desejo de doação do Criador e o da criatura de receber para si própria — que constitui a motivação principal do homem para o progresso na nossa vida corpórea — é um dos assuntos mais difíceis de resolver. Para compreender a relação Criador-criatura, devemos entender, pelo menos de forma básica, os processos de criação de uma nova vida. Estes processos são descritos de modo elaborado nos livros dos grandes cabalistas.
Se quisermos penetrar no cerne da questão, podemos estudá-los por nossa conta, pouco a pouco, e abrir todos os mundos, e até a lógica do Criador, que dizemos faltar. Naturalmente, as explicações que posso fornecer numa situação tão limitada são superficiais para um sistema tão complexo.
O propósito do nosso desenvolvimento é obter conscientemente a sensação de prazer espiritual, em vez de inconscientemente, em diversas formações mundanas. Apenas a procura de deleites transitórios, ou daqueles que brilham ao longe (mas são muito mais intensos), obriga o corpo espiritual a procurar a perfeição.
Por isso, no caso de uma criança em rápido crescimento, há oportunidades de prazer em toda a parte, e a criança pode também procurar continuamente novas. As coisas mais simples trazem alegria. Há uma boa razão para dizermos que alguém está “feliz como uma criança”.
P: Qual é a ligação entre as gerações e a sua intensidade de egoísmo?
R: Cada geração caracteriza-se por um certo tipo de alma. Nos tempos antigos, desciam almas mais puras, com apenas uma quantidade mínima de egoísmo. Mas essas pessoas estavam praticamente desprovidas de egoísmo e, por isso, tinham pouco incentivo para o desenvolvimento. Quase nada aconteceu durante muitos séculos, mas gradualmente, ao longo de um período em que as almas foram reencarnando de geração em geração, processou-se uma acumulação de egoísmo. Com ela veio o desejo crescente de escapar ao sofrimento induzido por ele, e de sentir apenas prazeres.
Na nossa geração, tudo acontece a uma velocidade fantástica. Queremos tudo o que este mundo oferece! Já não nos contentamos em controlar este mundo, queremos controlar também os outros mundos. Mas esse controlo só pode ser obtido se sairmos dos limites do nosso mundo, e para isso temos de alterar o nosso egoísmo natural — o motor que opera o homem — e invertê-lo em altruísmo, igualando-nos assim ao Criador.
Já disse que para isso não precisamos de nenhum talento especial, apenas de um desejo excepcionalmente forte. Esses desejos fortes preenchem as almas mais espessas e, ao mesmo tempo, mais desenvolvidas que descem ao mundo no nosso tempo e nos separam das gerações anteriores.
P: Mas o Criador criou a criatura para a deleitar, então por que lhe nega o prazer?
R: Não, não foi o Criador que o negou. Foi a criatura que recusou recebê-lo “de graça”. A criatura foi criada perfeita, como o Criador. O Criador não pode operar de forma imperfeita. Mas a criatura resistiu tanto a afastar-se do Criador que recusou receber os prazeres que lhe eram oferecidos.
P: Por que deu o Criador à criatura a capacidade de recusar?
R: Porque, tal como o Criador tem liberdade de escolha, também não lha pode negar à criatura. Na espiritualidade, a distância não se mede em metros, mas em atributos (forma); a própria receção do prazer do Criador sem devolução cria uma separação inevitável.
P: Então, quem é de facto a criatura, e qual é o caminho para se tornar Homem?
R: A criatura pode ser definida como uma espécie de alma coletiva, global. Essa alma recusou a receção unilateral da Luz do Criador. Devido ao seu desejo de equivalência de forma, realiza uma Restrição (a Primeira Restrição). Fá-lo criando um sistema completo de partições que impede a entrada da Luz nos vasos espirituais.
Mais tarde, a Cabala diz-nos que houve uma quebra nos vasos e a luz extinguiu-se do vaso. A Cabala diz-nos também que, depois disso, a alma coletiva se estilhaçou e isso a levou ao seu estado final, o mais distante possível do Criador.
Para que a pessoa que obtém uma certa parte dessa alma coletiva inicie o processo da sua correção, o Criador fez o seguinte:
Deu à alma uma vontade absoluta de receber, chamada "orgulho". Como resultado, o homem deixou de sentir o Criador.
Dividiu a criatura em muitas partículas pequenas e colocou-as nos corpos do nosso mundo.
P: Por que temos de ser corrigidos se, no final, regressamos ao Criador, ao mesmo ponto de onde começámos?
R: O mundo que percebemos à nossa volta diz-nos mais sobre a aparente falta de sentido. No fim, a causa do atributo negativo em nós e (como pensamos) n'Ele é o Criador. Mas, para compreender pelo menos algo da natureza à nossa volta e dentro de nós, devemos explicar em detalhe o propósito da criação, ou seja, o seu estado final. Isso porque os estados intermédios podem enganar. O Criador deu ao homem a liberdade de escolha e a liberdade de vontade para percorrer este caminho até ao estado final, realizar o propósito da Criação e igualar-se a Ele.
P: Qual é a diferença entre sofrimento corpóreo e sofrimento espiritual?
R: A dor e o prazer na espiritualidade são consequência de um Zivug de Hakaa (acoplamento por impacto) entre a luz e o desejo, mediante um Masach [Tela]. No entanto, no nosso mundo, sentem-se como o preenchimento ou a ausência de preenchimento dos nossos desejos egoístas. A sensação de preenchimento ou de ausência de preenchimento é interpretada por nós como dor ou prazer, ou como bom ou mau.
Essa sensação está incorporada em cinco vasos que funcionam como sensores, fornecendo uma imagem geral do mundo à nossa volta. É essa imagem que determina a nossa relação com este mundo — se o consideramos bom ou mau, em comparação com aquilo de que dispomos.
As dores expressam a falta de prazer num certo nível, ao mesmo tempo que exprimem a necessidade de sentir prazer num nível superior. Por essa razão, as dores são uma fase precedente à sensação de prazer. Nos mundos espirituais, porém, não há dor, porque aí essa sensação é percebida como prazer. A dor não surge como resultado da falta de prazer, mas como resultado de um grande amor. Por conseguinte, são eternas e sempre boas.
P: Se eu alcançar um mundo espiritual, aceitarei qualquer dor ou evento traumático como algo alegre?
R: A Torá diz-nos diretamente que tudo o que acontece é feito pelo Criador, e não por qualquer outro. Só o Criador orienta tudo. Foi o Criador que provocou todas as tragédias e desastres. Mas porquê? Por mais terrível que possa parecer, fê-lo por nós. Apenas depois de obtermos a realização espiritual começamos a compreender todo o sistema da Criação e o cálculo que levou aos piores acontecimentos que nos aconteceram. Compreenderemos por que razão as tragédias são necessárias para a nossa existência e correção.
Infelizmente, é a falta de compreensão da necessidade da evolução espiritual que traz sobre nós tais tragédias. Isso é dito de forma completamente aberta no Zohar e nos livros do Ari. Se não começarmos a estudar os livros da Cabala — a sabedoria que guia a nossa evolução espiritual —, não evoluiremos para alcançar o propósito da Criação. O nosso povo e toda a humanidade serão empurrados ferozmente para a realização da necessidade do desenvolvimento espiritual. Não haverá forma de escapar. É por isso que colocamos tanto ênfase na divulgação da sabedoria da Cabala, para que todos conheçam e reconheçam a sua importância.