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Capítulo 1.8 – Causa e Consequência

As nossas vidas são realmente experiências de aprendizagem. Por vezes o mundo parece tão sombrio e amargo que pensamos que o fim do mundo chegou e não há saída. Mas à medida que continuamos a estudar, vemos que não é assim, que se trata apenas de exercícios enviados do Alto. Só depois de terminarem podemos compreender e apreciar a necessidade desses exercícios na nossa fase de "pré-correção".

Por essa razão, devemos suportar o mais que pudermos e manter-nos firmes no propósito do nosso progresso sem perder a cabeça. Se nos são dadas situações em que sentimos estar no meio de um incêndio e nada podemos fazer para nos salvar, é apenas para nos mostrar mais uma vez que não somos os donos, que não somos nós que dirigimos o espetáculo.

Não há escapatória a estas situações, mas podem ser tornadas muito mais curtas e muito menos dolorosas. Para isso, precisamos de nos juntar a um grupo de estudantes que trabalham em conjunto, ler e estudar. Devemos seguir o versículo: “Tudo o que a tua mão encontrar para fazer com a tua força, faz.” (Eclesiastes 9, 10).

Como lida com o seu ambiente circundante quem se preocupa com o trabalho interior? O ambiente da pessoa apoia esta procura?

Por vezes, situações no trabalho ou em casa fazem-nos sentir hostilidade em relação à aparente fonte dos problemas. Então brigamos, culpando o patrão, os colegas, o cônjuge, os filhos e assim por diante. Sentimo-nos encurralados, zangados e pensamos que não aguentamos mais. Mas depois percebemos que tudo isto nos foi dado do Alto para experienciarmos uma certa série de emoções.

Compreendemos que fomos nós que exagerámos e mal interpretámos o problema. Eventualmente, resolve-se, mas em breve surgirá uma nova situação. Quanto mais cedo escaparmos a estas situações e as contarmos ao nosso grupo, melhor para nós. O pior é permanecer imerso na situação, afogando-nos nas nossas emoções.

Quando nos sentimos bem, devemos recordar que houve situações más nas nossas vidas e relacioná-las como causa e consequência, como bem que vem depois do mal. Isto aproxima-nos da completude e da eternidade.

Começamos a ver as coisas como lados opostos da mesma moeda; não podemos ter um sem o outro. Então, o mal também pode ser aceite como bom, porque é apenas nos nossos vasos corrompidos (emoções) que sentimos o mal como escuridão. Se os nossos vasos estivessem corrigidos (para doar), perceberíamos tanto o bem (Luz) como o mal (escuridão) como Luz.

Enquanto os nossos atributos naturais (orgulho, ganância e desejos de poder e sexo) não nos perturbarem, enquanto não nos envergonharmos deles e não compreendermos que são de facto a barreira entre nós e o progresso espiritual, esses atributos não cumprirão a tarefa para a qual foram criados. Não há escolha senão envergonharmo-nos do que temos dentro e compreender que, até vir do Alto uma força que nos permita ser donos dos nossos próprios desejos, não seremos felizes. O importante é dirigir os nossos desejos na direção certa. Não há um único atributo negativo em nós. Apenas a forma como usamos esses desejos pode ser negativa.

Quando enfrentamos uma certa situação na vida, a primeira coisa que precisamos de dizer a nós próprios é: “Vê o que o Criador está a fazer comigo.” Isso manterá a nossa ligação com o Criador, ou seja, com Aquele que realmente cria estas situações. Se conseguirmos manter esse pensamento, a ligação não nos deixará cair de novo para um nível inferior. Uma queda é quando o Criador desaparece dos nossos sentidos. Nesse caso, podemos ligar-nos a um livro ou ao grupo. Em pouco tempo, sentiremos uma mudança para melhor.

Contudo, toda a situação deve ser tomada como uma ascensão ao nível seguinte. Se chegou o tempo de a alma corrigir, não há escapatória. Qualquer tentativa de o fazer só tornará a dor pior.

Tudo o que podemos sentir antes de atravessarmos a barreira são desejos animais. À medida que nos aproximamos da barreira, enquanto nela estamos e a atravessamos, descobrimos os desejos do Criador. Em nenhum desses desejos encontraremos o próprio homem. O único desejo em que temos livre-arbítrio é o acordo com a Providência do Criador.

A alma de Adam ha Rishon (o Primeiro Homem) partiu-se em 600.000 partes que estão interligadas, mas têm diferentes Aviuts [Espessuras], da raiz ao quarto nível. Para nós até ao Criador existem 6.000 níveis/anos.

Nos primeiros dois milénios, foram corrigidas as almas de Aviut [Espessura] de raiz. Tudo o que tinham de fazer era viver simplesmente neste mundo e suportar algum sofrimento (animais selvagens, inimigos, fome etc.). Para elas, tentar escapar à dor era suficiente para corrigir a Aviut [Espessura] de raiz.

No terceiro e quarto milénios, foi corrigida a Aviut [Espessura] de primeiro nível nas almas. Depois veio o segundo e o terceiro níveis de Aviut [Espessura]. (No fim do sexto milénio (o nosso tempo) chegou o momento de corrigir as almas com o quarto nível de Aviut [Espessura].

Esta é uma descrição muito geral. Mas hoje aproximamo-nos da conclusão do sexto milénio, e começa o tempo da redenção espiritual, o tempo da vinda do Messias.