Grupo de Estudantes - seguindo a lição 9 Não há nada além d'Ele

Grupo de Estudantes - seguindo a lição 9 Não há nada além d'Ele

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Grupo de Estudantes - seguindo a lição 9


 

"Não há nada além d'Ele"

 

O artigo "Não há nada além d'Ele" é especial. De certa forma, contém toda a sabedoria da Cabala, mas na perspectiva do trabalho interior.

 

Esta sabedoria não é mais do que uma sequência de raízes que se desdobram através da causa e da consequência,

 

seguindo leis fixas e determinadas que se entrelaçam num único objetivo sublime, descrito como:

 

"a revelação da Sua Divindade às Suas criaturas neste mundo."

Baal HaSulam



 

Isto significa que esta revelação ou conquista nos leva a descobrir que toda a realidade é uma única força - que "Não há outro além d'Ele", ou seja, não há outra força no mundo capaz de fazer algo contra esta força de dádiva.

 

Por agora, não vemos esta realidade, mas é por isso que isto se chama trabalho espiritual - pois é-nos dado espaço para o nosso próprio desenvolvimento independente.


 

Trabalho Interior

 

Este trabalho interior é exatamente o que é descrito em detalhe nos artigos de Shamati, onde Baal HaSulam descreve as muitas situações pelas quais passámos durante a nossa progressão de baixo para cima.

 

Vamos ler o artigo e ver como o podemos compreender. Não leremos tudo, mas uma grande parte do artigo – e pararemos em alguns pontos para garantir que compreendemos corretamente alguns dos conceitos que Baal HaSulam está a utilizar.


 

Não Há Nada Além d'Ele

 

Está escrito: “Não há nada além d’Ele”. Isto significa que não há nenhuma outra força no mundo que tenha a capacidade de fazer algo contra Ele. E o que se vê, que há coisas no mundo que negam a divindade, é porque esta é a Sua vontade.

 

Esta é considerada uma correção denominada “a esquerda rejeita e a direita aproxima”, significando que o que a esquerda rejeita é considerado uma correção. Isto significa que existem coisas no mundo que, desde o início, visam desviar uma pessoa do caminho certo, e pelas quais é rejeitada da Kedusha [santidade].

 

O benefício das rejeições é que, através delas, a pessoa desenvolve uma necessidade e um desejo completos de que o Criador a ajude, pois percebe que, caso contrário, está perdida; não só não está a progredir na obra, como também percebe que está a regredir. Ou seja, falta-lhe a força para observar a Torá [da palavra Orh - Luz] e os Mandamentos [correcções do coração], ainda que de forma egoísta, pois só ultrapassando genuinamente todos os obstáculos, acima da razão, se pode observar a Torá (Luz) e os Mandamentos (correcções). Mas nem sempre possui a força para ultrapassar esses obstáculos; caso contrário, é forçado a desviar-se do caminho do Criador, até mesmo da sua própria razão.

 

E aquele que sente sempre que o fragmentado é maior do que o todo, ou seja, que há muito mais descidas do que ascensões, e não vê um fim para estes estados, permanecerá para sempre fora da santidade, pois vê que lhe é difícil observar sequer minimamente, a não ser que supere a razão. Mas nem sempre consegue superar, então o que será no final?

 

Depois chega à conclusão de que ninguém pode ajudar senão o próprio Criador. Isto leva-o a fazer um pedido sincero para que o Criador lhe abra os olhos e o coração e o aproxima verdadeiramente da eterna Dvekut [adesão] com o Criador. Conclui-se, portanto, que todas as rejeições que sofreu partiram do Criador.


 

Aqui é-nos apresentada, em poucas palavras, toda a obra espiritual.

 

Está escrito: “Não há nada além d’Ele”. Isto significa que não há outra força no mundo capaz de fazer algo contra Ele.

 

Aqui, Baal HaSulam descreve um estado que ele próprio e outros cabalistas alcançaram – agora não sentimos esse estado, não vemos nem sentimos que tudo provém dessa força.

 

Sentimos que agimos e nos movemos de forma independente e que somos influenciados por todo o tipo de forças – tal como estudamos no artigo "A Liberdade".

 

Então, como descobrimos esta força única?

 

Baal HaSulam continua:

 

E o que se vê, que há coisas no mundo que negam a divindade superior, é que essa é a Sua vontade.

 

Significando como estudamos o princípio "o benefício da luz nas trevas" – entendemos uma coisa pelo seu contraste com o seu oposto e, portanto, é precisamente quando vemos que existem coisas no mundo que negam a força superior que podemos iniciar um processo de correcção.


 

A Linha da Esquerda

 

Baal HaSulam chama a esta correção de ação da "linha da esquerda":

 

Esta é considerada uma correção denominada "a esquerda rejeita e a direita aproxima", significando que o que a esquerda rejeita é considerado uma correção. Isto significa que existem coisas no mundo que, inicialmente, visam desviar a pessoa do caminho certo, e pelas quais é rejeitada da Kedusha [santidade].

 

O benefício das rejeições é que, através delas, a pessoa recebe uma necessidade e um desejo completos de que o Criador a ajude, pois vê que, caso contrário, está perdida; não só não está a progredir na obra, como também vê que está a regredir.

 

Significa que antes não tínhamos uma carência tão grande do Criador e agora essa carência aumentou, e como agora entendemos que tudo depende do nosso desejo, podemos ver mais claramente porque é que o crescimento dessa carência é algo bom.

 

E aquele que sente sempre que o fragmentado é maior do que o todo, ou seja, que há muito mais descidas do que ascensões, e não vê um fim para estes estados, permanecerá para sempre fora da santidade, pois vê que lhe é difícil observar sequer minimamente, a não ser que supere a razão. Mas nem sempre consegue superar, então o que será no final?

Depois chega à conclusão de que ninguém pode ajudar senão o próprio Criador. Isto leva-o a fazer um pedido sincero para que o Criador lhe abra os olhos e o coração e o aproxime verdadeiramente da eterna Dvekut [adesão] com o Criador. Conclui-se, portanto, que todas as rejeições que sofreu vieram do Criador.


 

E então Baal HaSulam continua:

 

Isto significa que não foi por culpa dele que não teve capacidade de ultrapassar. De facto, para aqueles que realmente desejam aproximar-se do Criador, para que não se contentem com pouco, isto é, permaneçam como crianças sem consciência, é concedida ajuda divina para que não digam: “Graças a Deus, tenho a Torá, os mandamentos e as boas ações, e o que mais preciso?”

 

Significando que, mesmo estudando livros autênticos e tendo um ambiente favorável e aparentemente tudo o que é necessário, precisamente por ter tudo, posso assumir novos estados e novas situações para melhor utilizar o meu ambiente e não apenas me vangloriar por achar que agora posso descansar.


 

Só se essa pessoa tiver um desejo verdadeiro é que receberá ajuda divina, e ser-lhe-á sempre mostrado que está em falta no seu estado atual. Ou seja, ser-lhe-ão enviados pensamentos e visões que se opõem à obra. Isto para que ela perceba que não está em plenitude com o Criador. Por mais que se esforce, verá sempre que está mais distante da santidade do que outros que se sentem em plenitude com o Criador.

 

Mas ele, por outro lado, tem sempre queixas e exigências, e não consegue justificar o comportamento do Criador, a forma como Ele age com ele. Isto aflige-o: por que razão não está totalmente com o Criador? Finalmente, chega a sentir que não tem qualquer parte na santidade.

 

Embora receba ocasionalmente um despertar divino, que o reanima momentaneamente, logo de seguida, recai no estado de baixeza. Contudo, é isso que o leva a perceber que só o Criador o pode ajudar e realmente aproximá-lo d’Ele.

 

Deve-se sempre tentar aderir ao Criador, ou seja, que todos os seus pensamentos sejam sobre Ele. Isto é, mesmo que esteja no pior estado, do qual não possa haver maior declínio, ele não deve abandonar o Seu domínio, ou seja, não deve pensar que existe outra autoridade que o impede de entrar na Kedusha [santidade], que pode trazer benefício ou prejuízo.

 

Por outras palavras, ele não deve pensar que existe uma força do Sitra Achra [outro lado] que impede uma pessoa de praticar boas ações e de trilhar os caminhos do Criador. Na verdade, tudo é feito pelo Criador.


 

Então, o que fazemos agora com este conhecimento?

 

Baal HaSulam continua e explica que precisamos de aprender a desfrutar destes estados porque eles vêm do alto – o que significa que, se perdi o gosto pelo trabalho, não é porque sou mau, mas porque o Criador me está a dar mais oportunidades de crescimento. Isto significa que devemos regozijar-nos porque uma força superior está a tentar aproximar-nos.

 

Noutro artigo, escreve:

 

"Ele vê que há muitas pessoas no mundo que não receberam a força para realizar o trabalho sagrado, nem mesmo da maneira mais simples, nem mesmo sem a intenção e em Lo Lishma [não por causa Dela], nem mesmo em Lo Lishma de Lo Lishma, nem mesmo na preparação para a preparação das vestes de Kedusha [santidade]. Mas a ele foi concedido o desejo e o pensamento de, pelo menos ocasionalmente, realizar algum trabalho interior, mesmo da maneira mais simples possível. Se alguém puder apreciar a importância disso, de acordo com a importância que atribui ao trabalho sagrado, nessa medida deve louvá-lo e agradecer-lhe." Isto significa que todas estas situações são um presente dado e podemos aprender a utilizá-las ao máximo.


Perguntas e Respostas


 

Workshop

Como podemos continuar a procurar a ação dessa força superior - para que possamos alcançar "Não há ninguém além d'Ele"?